domingo, 14 de fevereiro de 2016

Com Cristo vencemos as tentações deste mundo (14/02/2016)

   Neste primeiro domingo da quaresma, somos convidados a nos retirar com Jesus no deserto e com ele aprendemos a resistir às seduções do pecado, sabemos que a nossa vida é dom gratuito que recebemos de Deus e a ele devemos agradecer com que temos de melhor, a palavra de Deus nos fortalece para vencer todo o mal que encontramos no caminho, ela está em nossa boca e em nosso coração, Jesus conta conosco para levar a sua palavra a quem mais necessita.
   Na primeira leitura (Dt 26, 4-10.) vemos Moisés instruindo o povo: “Assim Moisés falou ao povo: ‘O sacerdote receberá de tuas mãos a cesta e a colocará diante do altar do Senhor teu Deus. Dirás, então, na presença do Senhor teu Deus: ‘Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito com um punhado de gente e ali viveu como estrangeiro. Ali se tornou um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios nos maltrataram e oprimiram, impondo-nos uma dura escravidão. Clamamos, então, ao Senhor, o Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz e viu a nossa opressão, a nossa miséria e a nossa angústia. E o Senhor nos tirou do Egito com mão poderosa e braço estendido, no meio de grande pavor, com sinais e prodígios. E conduziu-nos a este lugar e nos deu esta terra, onde corre leite e mel. Por isso, agora trago os primeiros frutos da terra que tu me deste, Senhor’. Depois de colocados os frutos diante do Senhor teu Deus, tu te inclinarás em adoração diante dele’.”
   O gesto de ofertar a Deus os primeiros frutos da terra, mostra que não somos merecedores de nada, tudo é dom gratuito de Deus para nossa vida, durante longos séculos o povo ficou oprimido pela escravidão imposta pelo faraó e o Senhor, libertando-os, os conduziu para a terra prometida, é assim que ele ainda faz conosco, nos libertando de tudo o que nos oprime neste mundo, Deus nos dá vida nova longe do pecado, a ele devemos oferecer o que há de melhor em nós.
   Em sua carta aos Romanos (Rm 10, 8-13.) o apóstolo Paulo nos diz: “Irmãos: O que diz a Escritura? ‘A palavra está perto de ti, em tua boca e em teu coração’. Essa palavra é a palavra da fé, que nós pregamos. Se, pois, com tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. É crendo no coração que se alcança a justiça e é confessando a fé com a boca que se consegue a salvação. Pois a Escritura diz: ‘Todo aquele que nele crer não ficará confundido’. Portanto, não importa a diferença entre judeu e grego; todos têm o mesmo Senhor, que é generoso para com todos os que o invocam. De fato, todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo.”
   A palavra de Deus não está longe de nós, ao contrário, ela está dentro de cada um, devemos ser mensageiros desta palavra, mostrando que Jesus é o Senhor da nossa vida e que ele nos libertou com sua entrega na cruz, ele não fez distinção de ninguém, com o seu santo sangue redimiu o pecado de todos independente da sua origem, e o que devemos fazer é com a nossa boca anunciar em alta voz revelando ao mundo inteiro que de todo o coração acreditamos que Jesus é o Senhor da nossa vida, e que Deus o fez vencer a morte para também nós vencêssemos o pecado, somos as testemunhas do seu amor misericordioso.
   No evangelho (Lc 4,1-13.) Lucas no mostra Jesus no deserto vencendo as tentações: “Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito. Ali foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada naqueles dias e, depois disso, sentiu fome. O diabo disse, então, a Jesus: ‘Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se mude em pão’. Jesus respondeu: ‘A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’ O diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo e lhe disse: ‘Eu te darei todo este poder e toda a sua glória, porque tudo isto foi entregue a mim e posso dá-lo a quem quiser. Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isso será teu’. Jesus respondeu: ‘A Escritura diz: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás’. Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo e lhe disse: ‘Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo! Porque a Escritura diz: Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado! E mais ainda: Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’. Jesus, porém, respondeu: ‘A Escritura diz: Não tentarás o Senhor teu Deus’. Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno.”
   No deserto e sem comer a quarenta dias, Jesus sente o seu corpo fragilizado e o diabo aproveitando-se disso tenta o seduzir pela fome, pela ganancia e por colocar Deus a prova, Jesus mostra que apesar das suas condições físicas, o seu espirito encontrava-se fortalecido, e nos mostrou que mesmo em situações adversas é possível vencer as tentações deste mundo, por diversas vezes nos deixamos seduzir pelos prazeres do mundo, agimos de forma impensada passando por cima dos outros com a ganancia de ter mais e também exigimos de Deus respostas imediatas sobre as mais diversas situações, muitas vezes o diabo consegue fazer conosco aquilo que não conseguiu com Jesus, mas, Cristo nos mostra o caminho vencer as armadilhas do mundo, o seu amor ao próximo, a sua entrega total na cruz e a sua obediência a vontade de Deus, nos serve como um farol em meio à escuridão da nossa jornada.
   Neste ano a Campanha da Fraternidade Ecumênica, a luz do livro do profeta Amós, nos alerta de como estamos cuidando da nossa casa comum, o planeta Terra. Como imaginar que em meio a tantos avanços tecnológicos que presenciamos nos dias atuais, possa se admitir o sofrimento de muitos com a falta de saneamento básico e com a falta de água tratada? A ganancia dos seres humanos está transformando o paraíso que Deus nos confiou em um lugar deplorável e sem condições de se habitar, desmatamentos, falta de tratamento de esgoto, as poluições dos carros e das indústrias, está acabando com a vida na terra, Deus criou o paraíso e nos deu de presente, o homem criou as cercas e os muros, e está destruindo tudo o que Deus fez, a bíblia nos mostra que todos temos direito ao lugar digno para se viver, “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca.”(Am 5,24.) somos responsáveis em cuidar para que as gerações futuras possam viver em um mundo melhor.
   Que neste domingo possamos aprender com Jesus a estar fortalecidos contra as investidas que o diabo faz contra a nossa vida, com ele somos mais fortes e conseguiremos colocar a nossa confiança em Deus, que nos deu o dom da vida, livrando-nos das amarras do pecado, devemos agradecer ao Senhor com o que temos de melhor, somos responsáveis pelo anuncio das maravilhas que Deus tem realizado em nossa vida, como bons cristãos devemos também denunciar tudo o que há de ruim neste mundo, unidos podemos transformar este mundo em lugar livre da violência, do ódio, da ganancia, da corrupção, da poluição e do desmatamento, Deus criou o paraíso sem cercas e sem poluição para que seus filhos habitassem, e nós devemos garantir este direito a todos, ele conta conosco para esta missão.
Rubens Corrêa

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

“É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação.” (10/02/2016)

   Nesta Quarta-feira de Cinzas iniciamos a quaresma, um tempo favorável para avaliarmos a nossa vida e para convertermos verdadeiramente o nosso coração, neste tempo também refletimos sobre a Campanha da Fraternidade que nos leva ao comprometimento com a missão social que tem a igreja, que Jesus abra as nossas mentes e os nossos corações para entender o que o Senhor tem como proposito para cada um de nós, e que este tempo nos proporcione um caminho de reencontro com Deus e com os irmãos.
   Na primeira leitura (Jl 2,12-18.) o profeta Joel nos revela: “‘Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo’. Quem sabe, se ele se volta para vós e vos perdoa, e deixa atrás de si a bênção, oblação e libação para o Senhor, vosso Deus? Tocai trombeta em Sião, prescrevei o jejum sagrado, convocai a assembleia; congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o esposo seu aposento, e a esposa, seu leito. Chorem, postos entre o vestíbulo e o altar, os ministros sagrados do Senhor, e digam: ‘Perdoa, Senhor, a teu povo, e não deixes que esta tua herança sofra infâmia e que as nações a dominem’. Por que se haveria de dizer entre os povos: ‘Onde está o Deus deles?’ Então o Senhor encheu-se de zelo por sua terra e perdoou ao seu povo.”
   O Profeta Joel nos mostra que a nossa conversão ao Senhor deve ser um ato que venha do nosso interior e não atuação teatral para que os outros notem, sabemos que Deus é misericordioso e está sempre pronto para nos perdoar, e ele espera que nós o supliquemos de coração convertido, “rasgai o coração, e não as vestes”. Neste caminho de reconciliação com Deus, devemos mobilizar todo o povo, homens e mulheres, desde crianças até os anciões, para juntos clamar a misericórdia de Deus, com orações e jejuns pedindo que ele nos perdoe de toda iniquidade.
   Em sua carta aos Coríntios (2Cor 5,20-21.6,1-2.) o Apostolo Paulo nos diz: “Irmãos: Somos embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós. Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus. Como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus, pois ele diz: ‘No momento favorável, eu te ouvi e, no dia da salvação, eu te socorri’. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação.”
   Em Cristo recebemos a graça de Deus, mesmo não tendo culpa ele carregou o peso dos nossos pecados para nos resgatar, nós somos responsáveis em continuar a missão de Jesus, é este o tempo favorável para fazermos o mundo conhecer a salvação que vem da entrega de Jesus na cruz, somos as testemunhas deste amor incondicional e precisamos colaborar com Jesus nos teus planos parra a salvação do mundo.
   No evangelho (Mt 6,1-6.16-18.) recebemos a seguinte mensagem de Jesus: “Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: ‘Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa. Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa’.”
   Jesus nos mostra que a verdadeira atitude cristã é realizada fora dos holofotes, não há necessidade de explicitar tudo o que realizamos para que os outros notem, Deus vê o coração de quem pratica as boas ações, para ele nada está oculto, pois sabe muito bem com quais intenções realizamos as nossas obras, se queremos ser cumprimentados aqui na terra pelo que realizamos, já recebemos aqui a nossa recompensa, nada podemos esperar de Deus na outra vida.
   Jesus nos ensina que devemos agir com misericórdia, fazer o que o outro necessita pelo amor ao próximo e não esperando recompensa ou reconhecimento, hoje vemos no mundo como há tanta hipocrisia, muitas obras sociais servem de fachada para a exploração da miséria alheia para se ganhar vantagens financeiras ou eleitoreiras, nós como cristãos não podemos nos omitir frente a esta triste realidade, é hoje o tempo favorável para transformar este mundo e mostrar a todos os irmãos a salvação que vem de Jesus, mas, não somente prometendo para uma vida futura após a morte, e sim já aqui nesta vida, promovendo a justiça social onde todos tenham igualdade de oportunidades e condições.
   Neste ano teremos uma Campanha da Fraternidade Ecumênica, ou seja, cristão colocando de lado as diferenças para com aquilo nos uni meditarmos sobre as responsabilidades que temos nesta sociedade, este ano o tema da campanha é “Casa comum, nossa responsabilidade” e tendo como lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5.24), como cristãos independente da denominação recebemos de Jesus a missão de cuidar deste planeta que é a herança que deixaremos para as próximas gerações, e também diminuir as desigualdades onde alguns tem uma vida luxuosa e para muitos faltam o saneamento básico, para um grupo é oportuno a situação de miséria que o povo vive, pois assim conseguem usar isso como instrumento de manipulação das massas em prol dos seus objetivos econômicos, mas, nós temos a difícil missão de mudar esta triste realidade, e juntos podemos mais, Cristo luta ao nosso lado.
   Que neste inicio de quaresma possamos de coração aberto meditar o que podemos melhorar no nosso relacionamento com Deus e com o próximo, não podemos sair deste período favorável da mesma forma que entramos, hoje na celebração das cinzas somos convidados a mudarmos de vida, “Convertei-vos e crede no evangelho”, são as palavras de Jesus mexendo profundamente em nós, tirando-nos da inercia de nossas vidas para fazer de nós verdadeiros cristãos continuadores da sua missão, e a missão é promover vida em plenitude para todos, cristãos e não cristãos, é lutar contra todas as situações de mortes que oprime o povo, é ser sinal de esperança para aqueles que não têm mais a quem recorrer. Cristo conta conosco para esta tarefa, e qual será a nossa resposta?
Rubens Corrêa

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Eis-me aqui, Senhor! (07/02/2016)

Introdução
   Neste quinto domingo do tempo comum, recordando o acontecimento da pesca milagrosa e a vocação dos primeiros discípulos, celebramos nossa vocação ao discipulado. É o Senhor que chama e o chamado é sempre ligado à realidade e dentro de nossa contingência humana, como aconteceu com Isaías e com os apóstolos no evangelho.

Partilha da Palavra
   O Evangelho nos fala de vocação. No Evangelho de Lucas (Lc 5,1-11), o primeiro chamado tem como cenário as multidões: Jesus está à beira do lago de Genesaré, lugar onde realiza sua atividade libertadora. Ao ver as barcas paradas pede aos pescadores que se afastem da margem para que lance as redes para a pesca.   Confrontado com a recusa de Pedro, o Mestre insiste e eles assim fizeram e apanharam grande quantidade de peixes. Tudo isto deixa perplexos os pescadores que se apavoram diante de tal acontecimento: ”Não temam, daqui em diante, farei de vós pescadores a sério” (Cf. Lc 5,10).
   A enorme quantidade de peixes, ao ponto de quase romper as redes, sublinha que o êxito missionário é obra do Senhor Ressuscitado e não fruto do trabalho árduo dos pescadores.
   Todos são chamados por Jesus para seguir seu estilo de vida, para estarem com Ele e para os enviar. A resposta é pronta: “Eles deixaram tudo e seguiram a Jesus” (5,11).
   A primeira Leitura (Is 6,1-2a.3-8) narra a vocação do profeta Isaías que surge no século VIII a. C., num contexto litúrgico, no Templo de Jerusalém. A vocação é obra de Deus, o Santo, cuja glória resplandece em toda a terra e queima os lábios do chamado para o preparar para a missão profética que vai assumir. A conversão leva ao compromisso com a mensagem libertadora: “Aqui estou, envia-me Senhor” (Is 6,8).
   O salmo 137 (138) é uma ação de graças individual a Deus pela manifestação de sua ação salvadora.
   A segunda leitura (1Cor 15,1-11)apresenta um resumo da profissão de fé das comunidades primitivas. O Ressuscitado apareceu a Pedro, depois aos Doze e por fim apareceu a Paulo para ser enviado numa missão especial no meio dos gentios.
   Pela ação de Deus, todas as testemunhas do Ressuscitado proclamam a mesma fé e a força do Espírito vai levar Paulo a dedicar toda a sua vida ao anúncio do Evangelho.

Atualizando a Palavra
   Jesus convida os primeiros discípulos ao seguimento e os transforma em pescadores de gente. Ele os convoca na realidade em que os encontra e pede adesão plena. A missão dos chamados prolonga a ação do Mestre no meio do povo. A iniciativa é sempre do Mestre como nos recorda o discípulo amado no seu Evangelho: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16).
   Cada um de nós tem uma história vocacional pessoal e irrepetível: Deus entra na nossa vida de formas inesperadas e desafia-nos para a missão que nos desinstala. O resultado da confiança na palavra do Mestre reverte a situação negativa e supera as expectativas.
   Hoje é o tempo de Deus (kairós). Ele quer entrar na nossa vida (barca) para nos fortalecer na fé. Como Pedro, também nós somos convidados a pescar em águas mais profundas aceitando o desafio de Mestre de voltar a lançar as redes seguindo caminhos novos.
Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus. É sendo misericordiosos que alcançaremos a misericórdia (Cf. Mt 5,7).

Conclusão
   “O Senhor nunca se cansa de ter misericórdia de nós, e quer nos oferecer uma vez mais o seu perdão, todos precisamos disso, convidando-nos a voltar a Ele com um coração novo, purificado do mal, purificado pelas lágrimas, para tomar parte de sua alegria”. (Papa Francisco)
   Experimentando a santidade de Deus (três vezes santo), somos também nós renovados e purificados no ardor da vocação profética e missionária e na mística do serviço.
   Somos constantemente desafiados a sair da nossa zona de conforto para lançar as redes com a força e o poder do Mestre, certos de que o nosso trabalho não será em vão e dará frutos.
   “Ó Deus, vós quisestes que participássemos do mesmo pão e do mesmo cálice; fazei-nos viver de tal modo unidos em Cristo, que tenhamos a alegria de produzir muitos frutos para a salvação do mundo”. (Oração depois da comunhão)
   “Que arda como brasa tua Palavra nos renove, esta chama que a boca proclama”.
   Para ser sal da terra e fermento do Evangelho na família, na escola, na sociedade, nas várias culturas oprimidas, quem hei de enviar, que irá por nós?
   Aqui estamos, Senhor! Envia-nos!
   No dia 10 iniciamos a Quaresma com a celebração da imposição das cinzas.
   A Campanha da Fraternidade tem como tema: “Casa comum, nossa responsabilidade” e como lema desta Campanha: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).
Luis Filipe Dias

domingo, 31 de janeiro de 2016

Mesmo não sendo bem aceito, a missão não pode parar (31/01/2016)

   Neste domingo vamos meditar com Jesus na sua terra natal, passando pela caridade de Paulo e pela vocação de Jeremias. Com Jesus aprendemos como é difícil ser aceito em meio aqueles que presenciaram o inicio de sua vida, Paulo nos ensina que o caminho para Deus se percorre na estrada da caridade, sem ela nossas ações são vazias e sem sentido, Jeremias nos mostra que o Senhor nos prepara desde o ventre materno e que sustenta a nossa caminhada, Deus tem um proposito para nossa vida, deixemos ele agir nos revelando a missão que nos confia, sendo nós, os instrumentos da seu amor para o mundo.
   Na primeira leitura (Jr 1,4-5.17-19.) “Nos dias de Josias, rei de Judá, foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: ‘Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações. Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles. Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te’, diz o Senhor.”
   Olhando para a vocação de Jeremias vemos o quanto Deus o fortaleceu para a missão, ele foi consagrado profeta ainda no ventre da sua mãe, mesmo em meio as perseguições ele se manteve firme, pois sabia que Deus o acompanhava e o defendia, conosco Deus faz da mesma forma, nos consagra e nos prepara desde o ventre materno, e nos acompanha em toda a nossa jornada, sustentando os nossos passos e sendo força em nossa fraqueza, ele nunca nos abandona e nós precisamos completar a nossa missão, a vida do profeta Jeremias nos serve de inspiração para esta caminhada.
   Em sua carta aos coríntios (1Cor 12,31-13,13.) o apostolo Paulo nos diz: “Irmãos: Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior. Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada. Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria. A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo. A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá. Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita. Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança. Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido. Atualmente, permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade.”
   Paulo nos mostra que o caminho é o amor, de nada adianta realizarmos tantas coisas em nossa vida se não as fizermos com caridade, podemos ter muitos dons e sermos bem vistos pelos outros, mas, Deus conhece o intimo do nosso coração e sabe com que proposito é que realizamos as nossas obras, somos seres limitados e imperfeito, e em Jesus tudo o que é limitado e imperfeito desaparece, permanecendo a fé, a esperança e a caridade, sendo a caridade a maior delas e que deve ser a base de tudo o que realizarmos.
   No evangelho (Lc 4,21-30.) “Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: ‘Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir’. Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: ‘Não é este o filho de José?’ Jesus, porém, disse: ‘Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum’. E acrescentou: ‘Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio’. Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.”
   Mesmo tendo realizados tantos prodígios e muitos testemunhando os grandes milagres de Jesus, o povo de sua terra natal questionava: “Não é este o filho de José?” Jesus revela que nenhum profeta é bem aceito em sua pátria, foi assim com Elias e com Eliseu, ao dizer estas coisas o povo se enfureceu com Jesus e queriam atirar-lhe do precipício, mas, Jesus passa no meio do povo, voltou a percorrer o seu caminho para completar a sua missão.
   Em nossas vidas muitas vezes perdemos tempo lamentando que quem muitas vezes deveria nos apoiar se colocam contra nós, e ficamos paralisados sem dar continuidade a nossa missão, Jesus nos mostra que devemos superar estas dificuldades e que não é importantes sermos aceitos, e que realmente importa é continuar caminhando rumo a conclusão da nossa missão, sabemos que desde sempre Deus nos consagra e nos prepara, e que a caminhada não é fácil, também não foi fácil para Jesus, Jeremias e Paulo,  e nem por isso eles desanimaram, nós também não podemos desanimar.
   Que estas passagens bíblicas nos inspire a continuar o nosso caminho de caridade rumo ao Reino de Deus, e nessa jornada somos responsáveis em ajudar os nossos irmãos a também encontrar o seu caminho, somos vocacionados como Jeremias, firmes como Jesus e caridosos como Paulo, e devemos fazer deste mundo uma pátria acolhedora para todos os seus filhos, mesmo em meio às dificuldades não podemos nos abater, pois temos a certeza que Deus está à frente de todos os nossos atos e que sustenta os nossos passos, ele nunca nos abandona.
Rubens Corrêa

domingo, 24 de janeiro de 2016

Jesus nos confia o anuncio da sua boa-nova (24/01/2016)

   Neste terceiro domingo do tempo comum, refletimos sobre a importância do anuncio do evangelho, hoje somos cristãos não por revelação divina, mas, porque alguém nos transmitiu a fé em Jesus Cristo, no decorrer da história muitas vidas foram dedicadas para relatar e ensinar sobre a missão de Jesus, são eles testemunhas do amor misericordioso que Deus tem por nós, hoje somos nós que temos a missão de continuar este anuncio da boa nova, Deus conta conosco para esta missão.
   Na primeira leitura (Ne 8,2-4a.5-6.8-10.) vemos que: “Naqueles dias, o sacerdote Esdras apresentou a Lei diante da assembleia de homens, de mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. Assim, na praça que fica defronte da porta das Águas, Esdras fez a leitura do livro, desde o amanhecer até ao meio-dia, na presença dos homens, das mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. E todo o povo escutava com atenção a leitura do livro da Lei. Esdras, o escriba, estava de pé sobre um estrado de madeira, erguido para esse fim. Estando num lugar mais alto, ele abriu o livro à vista de todo o povo. E, quando o abriu, todo o povo ficou de pé. Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todo o povo respondeu, levantando as mãos: ‘Amém! Amém!’ Depois inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor, com o rosto em terra. E leram clara e distintamente o livro da Lei de Deus e explicaram seu sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. O governador Neemias e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas, que instruíam o povo, disseram a todos: ‘Este é um dia consagrado ao Senhor, vosso Deus! Não fiqueis tristes nem choreis’, pois todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei. E Neemias disse-lhes: ‘Ide para vossas casas e comei carnes gordas, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que nada prepararam, pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será a vossa força’.”
   Vemos como foi importante a missão de Esdras e Neemias, eles anunciaram diante do povo a Lei de Deus, e exortou o povo para que não chorassem, mas, que se alegrassem, pois a alegria do Senhor é a nossa força. É assim que devemos receber a mensagem do Senhor, com grande alegria, ela nos orienta e nos dá força para nossa caminhada, e é nossa missão também anunciar com alegria esta boa-nova aos nossos irmãos, e devemos fazer com que todos possam compreender o que Deus tem a nos dizer, a missão de continuar está em nossas mãos.
   Em sua primeira carta aos Coríntios (1Cor 12,12-14.27.) Paulo nos diz: “Irmãos: Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito. Com efeito, o corpo não é feito de um membro apenas, mas de muitos membros. Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo.”
   Paulo nos mostra a importância da unidade em Cristo, pois todos somos membros de um único corpo independente de nossas origens, batizados em um único Espírito, temos em comum a missão de continuar a missão de Jesus, nele todos somos um, e é por ele que devemos anunciar e denunciar, anunciar o amor misericordioso de Jesus, amor de entrega total, e denunciar todas as situações de morte que oprime o povo, é assim que Jesus fez e nós que somos membros do seu corpo também devemos fazer o mesmo.
   No evangelho (Lc 1,1-4;4,14-21.) Lucas nos relata que: “Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra. Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo. Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste. Naquele tempo, Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga, no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor’.”
   Devido a grande sabedoria que demonstrava, a fama de Jesus se espalhou por toda a Galileia, ao entrar na sinagoga e fazer a leitura do livro do profeta Isaías, ele revela que nele as palavras daquela profecia se cumpriram, ele veio para libertar os cativos, recuperar a visão dos cegos, libertar os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor, ao olharmos para a vida de Jesus vemos que foi exatamente isto que ele fez, ele ensinava com sabedoria, poder e autoridade, e mais do que isso, ele demonstrou um amor incondicional por aqueles que mais necessitavam, e esse amor culminou com a sua entrega total na cruz, foi por amor que ele deu a sua vida para que tenhamos vida.
   Vemos em Lucas preocupação em testemunhar fielmente os ensinamentos que recebeu de quem desde o inicio esteve com Jesus, assim também nós devemos fazer, vemos em muitas igrejas e seitas, os lideres que deturbam a palavra de Deus que poder se beneficiar dela, ao invés de seguir os ensinamentos de Jesus usando a palavra para libertar o povo, usam da distorção de alguns trechos da bíblia para oprimir e forçar o povo a dar tudo o que tem para assim enriquecer cada vez mais a sua conta bancária. Temos a responsabilidade de sermos anunciadores fieis da mensagem de Jesus, diante do povo sedento de amor e de paz, não podemos colocar os objetivos pessoais a frente da missão que Cristo nos confiou, somos mensageiros do seu amor e da sua paz.
   Que neste domingo possamos perceber a alegria que está no anuncio da boa-nova de Jesus, em meio a tantas coisas ruins que o mundo nos oferece, vemos na palavra de Deus um caminho seguro a seguir, vemos quantas pessoas colocaram as suas vidas a disposição da missão de levar a mensagem de Jesus a todos os cantos do mundo, e nós também podemos fazer a nossa parte, e ela começa em nossa casa evangelizando a nossa família, fazendo que a nossa família também evangelize outras famílias e assim seremos como Jesus, sinais de esperança a quem está perdido pelo caminho, encontrando em nós o apoio necessário para sua caminhada rumo ao Reino de Deus.
Rubens Corrêa

domingo, 17 de janeiro de 2016

“Fazei o que ele vos disser” (17/01/2016)

   Neste domingo meditamos sobre a passagem das bodas de Caná da Galileia, onde, por intercessão de sua mãe, Jesus realiza o primeiro milagre público em uma festa de casamento. Que significado tem para nossas vidas esta sua primeira manifestação do poder? Jesus vem trazer um vinho novo para nossas famílias, é ele o que de melhor está guardado em nós, que as nossas famílias se abram para receber esta grande benção que vem direto do coração de Deus.
   Na primeira leitura (Is 62,1-5.) o profeta Isaías nos diz: “Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não descansarei, enquanto não surgir nela, como um luzeiro, a justiça e não se acender nela, como uma tocha, a salvação. As nações verão a tua justiça, todos os reis verão a tua glória; serás chamada com um nome novo, que a boca do Senhor há de designar. E serás uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real nas mãos de teu Deus. Não mais te chamarão Abandonada, e tua terra não mais será chamada Deserta; teu nome será Minha Predileta e tua terra será a Bem-Casada, pois o Senhor agradou-se de ti e tua terra será desposada. Assim como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposam; e como a noiva é a alegria do noivo, assim também tu és a alegria de teu Deus.”
   Em Jesus estas promessas se cumpriram, é ele o designado por Deus para trazer a justiça e a salvação para o povo, ele é a manifestação da gloria e do poder de Deus, Cristo é a luz veio iluminar o mundo que estava coberto de trevas, precisamos abrir as nossas vidas para recebermos esta luz que vem de Jesus, para que juntos possamos participar da alegria de Deus.
   Em sua carta aos Coríntios (1Cor 12,4-11.) o apóstolo Paulo nos fala: “Irmãos: Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. A um é dada pelo Espírito a palavra da sabedoria. A outro, a palavra da ciência segundo o mesmo Espírito. A outro, a fé no mesmo Espírito. A outro, o dom de curas no mesmo Espírito. A outro, o poder de fazer milagres. A outro, profecia. A outro, discernimento de espíritos. A outro, falar línguas estranhas. A outro, interpretação de línguas. Todas estas coisas as realiza um e o mesmo Espírito, que distribui a cada um conforme quer.”
   Em nossas igrejas e na sociedade, percebemos o quanto são diversos os dons, é pelo o mesmo espírito que os recebemos e devemos colocar a serviço do próximo, sabemos que é Deus que age em nós por meio do Espirito Santo, e para o serviço do Senhor não existe dom melhor que o outro, todos são importantes para a construção do reino de Deus,
   No evangelho segundo João (Jo 2,1-11.) vemos Jesus e os discípulos em uma festa de casamento, “Naquele tempo, houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: ‘Eles não têm mais vinho’. Jesus respondeu-lhe: ‘Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou’. Sua mãe disse aos que estavam servindo: ‘Fazei o que ele vos disser’. Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. Jesus disse aos que estavam servindo: ‘Enchei as talhas de água’. Encheram-nas até a boca. Jesus disse: ‘Agora tirai e levai ao mestre-sala’. E eles levaram. O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: ‘Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho bom até agora!’ Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.”
   Naquela época faltar vinho em uma festa de casamento era motivo de muita vergonha para os noivos, Maria movida pela compaixão intercede a Jesus em favor daquele jovem casal, e ouve de Jesus “minha hora não chegou”, mas, diz aos serviçais “fazei o que ele vos disser”, devido às circunstâncias não era possível esperar mais, Jesus já estava pronto para iniciar a transformação do mundo, e isso se iniciou no momento da constituição desta nova família.
   Jesus veio trazer o que havia de melhor para esta nova família, ao transformar a água no melhor de todos os vinhos, ele vem para transformar profundamente a nossas famílias, muitas vezes vivemos nos embriagando de tantas coisas ruins que nos aparece pela frente, Jesus é este vinho de melhor sabor que foi reservado para final, nele encontramos o verdadeiro sabor da vida, devemos experimentar este vinho que transforma profundamente as nossas vidas, Jesus que trazer o que existe de melhor para nossa vida, por isso não podemos nos deixar entorpecer com tantas porcarias que o mundo oferece, devemos estar devidamente sóbrios para perceber o sabor especial que ele tem para as nossas vidas.
   Ao se manifestar ao mundo pela primeira vez o seu poder, Cristo vem para santificar as nossas famílias, que neste domingo possamos levar as nossas famílias a provar deste vinho novo que é Jesus, ele não nos entorpecem, mas, nos traz o verdadeiro sabor da vida, vida que vem do amor incondicional de Deus, e este amor é que devemos manifestar ao mundo, Maria nos mostrou o caminho “fazei o que ele vos disser”, e é isso que devemos fazer, tornar nossas famílias anunciadoras deste Jesus que vem nos transformar da água para o vinho, vem nos trazer um novo sabor de viver e dele podemos nos saciar sabendo que não há nada de melhor neste mundo.
Rubens Corrêa

domingo, 10 de janeiro de 2016

“Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer” (10/01/2016)

   Neste domingo celebramos a Solenidade do Batismo do Senhor, o batismo é a porta de entrada para vida de cristão, nele recebemos a unção para sermos sacerdote, rei e pastor, Jesus vindo do Pai não precisava ser batizado, mas, com sua humildade se dirige para João e pede para ser batizado, o exemplo de Jesus deve guiar nossos passos para assumir a nossa missão de cristãos em um mundo de grandes turbulências.
   Na primeira leitura (Is 42,1-4.6-7.) o profeta Isaías nos diz: “Assim fala o Senhor: ‘Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirares os cativos da prisão, livrares do cárcere os que vivem nas trevas’.”
   Isaías nos traz uma mensagem de esperança, ele profetiza sobre a chegada da luz que irá vencer as trevas, Jesus é o cumprimento da profecia de Isaías, ele é o ungido de Deus, é ele quem veio para brilhar a sua justiça sobre todas as nações, devolvendo a vida e a dignidade para que se encontrava a margem da sociedade, também nós devemos espalhar esta mensagem de esperança para o mundo inteiro, nós devemos continuar a missão de Jesus, fazendo com que todos tenham vida plena e abundante.
   O livro dos Atos dos Apóstolos (At 10,34-38.) nos revela, “Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: ‘De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele’.”
   Pedro relata que depois ser batizado, Jesus andou por toda a parte deixando um rastro de amor ao próximo, realizou muitos milagres e ensinou que Deus não faz distinção entre um ou outro, não importa de onde viemos, por Jesus todos temos acesso a salvação, mas, para isso devemos seguir os passos de Jesus, também trilhar o seu caminho de amor, paz e justiça, somos continuadores da construção do Reino de Deus, não podemos nos omitir enquanto tantos necessitam do alimento para o corpo e para a alma.
   O evangelho segundo Lucas (Lc 3,15-16.21-22.) narra a passagem do batismo do Senhor, “Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: ‘Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo’. Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: ‘Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer’.”
   João mostra que ele é apenas uma seta apontando para o caminho, e reconhece em Jesus o verdadeiro caminho a ser seguido, mesmo não se achando digno diante de Jesus, foi dele a importante missão de preparar o caminho do Senhor, ele batizava com agua para o arrependimento dos pecados, mas, falou que quem viria depois dele é que batizaria com fogo e espirito, e Deus confirma em Jesus todas as palavras de João.
   Que esta solenidade do Batismo do Senhor, nos desperte para a missão, há tanto por se fazer neste mundo, e muitos ainda não vivem os compromissos assumidos no batismo, ao sermos batizados, Cristo infunde em nós o Espirito Santo que transforma todas as coisas, é preciso que deixemos este espirito florar em nós e coloca-lo a disposição de quem mais precisa, foi para isso que Jesus nos chamou e foi para isso que Deus nos criou. 
Rubens Corrêa