sexta-feira, 19 de abril de 2019

Paixão de Nosso Senhor: "Prova de amor maior não há" (19/04/2019)


Neste dia celebramos a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, um momento oportuno para reavaliar as nossas atitudes de cristãos, esta solenidade nos faz olhar com os olhos da fé para aquilo que Nosso Senhor Jesus Cristo fez, Ele se entregou sem ressalvas para resgatar todos os pecadores, sendo o cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo.

Na primeira leitura (Is 52,13-53,12.) Isaías profetiza com séculos de antecedência o caminho doloroso que Cristo passaria para ser glorificado, o profeta nos relata que muitos olhariam pensando que fosse um desprezado e que tão pouco a sua aparência poderia nos atrair, o fato que Ele carregou sobre os seus ombros o peso de nossos pecados, com o seu sangue redimiu o mundo inteiro, não tendo crime algum e nada de falso foi encontrado em suas palavras, foi castigado como um malfeitor e condenado a morte, mas “Deram-lhe sepultura entre ímpios, um túmulo entre os ricos”.

Meditando o salmo 30 ouvimos as palavras proferidas por Jesus Cristo na cruz “ Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”, mesmo flagelado, humilhado e ridicularizado, Cristo coloca a sua confiança no Senhor sabendo que Deus não o deixaria entregue a eterna humilhação e pede que pela compaixão Ele seja fortalecido e encorajado para passar por este doloroso e necessário calvário.

Na leitura da carta aos Hebreus (Hb 4,14-16; 5,7-9.) vemos que Jesus Cristo é o sumo sacerdote que entrou no céu e devemos manter firmes na fé, Ele é que se compadece de nossas fraquezas, pois também experimentou esta vida com as suas lutas e dores, mas diferente de nós, Ele não se deixou corromper pelo pecado, Jesus enquanto estava na condição humana sofreu muito e angustiado dirigiu as suas súplica aquele que era capaz de livra-lo da morte e Deus o libertou pela sua entrega e obediência, a Ele devemos recorrer, suplicar pela sua misericórdia e assim um dia alcançarmos a sua graça.

No evangelho segundo São João (Jo 18,1-19,42.) vemos um relato de toda a via dolorosa que Nosso Senhor percorreu, a dor de ser traído por um de seus discípulos, ser caluniado, flagelado e humilhado, ser negado por Pedro que prometera estar com Ele em qualquer momento, esteve diante de um tribunal que já tinha a sentença definida, olhar para a multidão que dias antes gritavam “Hosana ao filho de Davi” e que hoje gritavam “Crucifica-o”, sozinho, ferido e humilhado Ele amou até o fim.

Pilatos pediu que o povo escolhesse quem deveria ser solto, Jesus ou Barrabás, os chefes dos sacerdotes excitavam o povo para escolher um criminoso e mandaram executar aquele que veio salvar o mundo. Em nosso mundo vemos isso acontecer com muita frequência, a sociedade, as redes sociais, a política e o liberalismo ecoam aos nossos ouvidos, solte Barrabás e crucifique Jesus, nós como cristãos devemos resistir a esta tentação e seguir os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não bastasse tamanha humilhação, Jesus viu os soldados repartindo as suas vestes e sorteando o seu manto, Ele quis participar da dor de muitos que sofrem perseguições, que tem roubados a sua vida e a sua dignidade, Jesus Cristo nu na cruz nos mostra que não há limites para o seu amor e Ele sempre estará junto dos que mais sofrem.

No alto da cruz Jesus reconhece alguns rostos, pessoas que o acompanharam em vários momentos da sua missão, olhando viu sua mãe e o discípulo que Ele amava, e disse: “Mulher, este é o teu filho” e seguida disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”, num gesto de imenso amor Nosso Senhor se compadece com o mundo que vive órfão e entrega a sua mãe como a mãe de toda a humanidade, agradeçamos a Jesus Cristo por entregar a nós pecadores aquela que desde o início tornou a salvação do mundo possível, que o sim de Nossa Senhora ecoe em nossa missão.

Totalmente entregue a sua paixão e morto na cruz, Jesus tem em José de Arimateia a garantia de um sepultamento digno, este discípulo que seguia Jesus secretamente reivindicou a Pilatos o corpo e este foi entregue sem que seus ossos fossem quebrados, podendo assim receber os preparativos para o funeral conforme os costumes dos judeus.

Nosso Senhor Jesus Cristo nos amou de forma que mais ninguém poderá nos amar, mesmo não sendo merecedores Ele derramou o seu preciosíssimo sangue para redimir os nossos pecados, não podemos deixar que seja em vão este gesto de tão grande amor, hoje participamos da sua paixão para juntos com Ele participarmos da glória da ressurreição, mas para isso devermos trilhar o caminho que Jesus Cristo percorreu, sem medo e sem pecado, colocar a nossa confiança no Senhor e assim ressurgiremos com Jesus Cristo ressuscitado na glória de Deus Pai. 
Rubens Corrêa


quinta-feira, 18 de abril de 2019

Participemos da ceia de Nosso Senhor (18/04/2019)


A liturgia de hoje nos traz duas reflexões. Na primeira reflexão Jesus se coloca como servo e lava os pés dos seus discípulos, ou seja, nos ensinando que “Quem ama se coloca a serviço dos irmãos”, sempre o objetivo maior leva-lo ao colo de Deus,  e na segunda Jesus institui a eucaristia que será nossa força e nosso alimento espiritual até a vinda de Nosso Senhor.

Primeira Leitura: Êxodo 12,1-8.11-14
Leitura do livro do Êxodo: Naqueles dias, 1o Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito: 2“Este mês será para vós o começo dos meses; será o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade dos filhos de Israel, dizendo: No décimo dia deste mês, cada um tome um cordeiro por família, um cordeiro para cada casa. 4Se a família não for bastante numerosa para comer um cordeiro, convidará também o vizinho mais próximo, de acordo com o número de pessoas. Deveis calcular o número de comensais conforme o tamanho do cordeiro. 5O cordeiro será sem defeito, macho, de um ano. Podereis escolher tanto um cordeiro como um cabrito: 6e devereis guardá-lo preso até o dia catorze deste mês. Então toda a comunidade de Israel reunida o imolará ao cair da tarde. 7Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerdes. 8Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. 11Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a Páscoa, isto é, a ‘passagem’ do Senhor! 12E naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e infligirei castigos contra todos os deuses do Egito, eu, o Senhor. 13O sangue servirá de sinal nas casas onde estiverdes. Ao ver o sangue, passarei adiante, e não vos atingirá a praga exterminadora quando eu ferir a terra do Egito. 14Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar, por todas as gerações, como instituição perpétua”. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

Na leitura do livro do Êxodo temos a narrativa da passagem do Senhor Deus sobre a terra para limpá-la dos cultos aos deuses pagãos e desobediência de um povo que se recusa seus ensinamentos e que oprimem os mais fracos. O senhor orienta os seus escolhidos como deve agir para não serem atingidos por esta praga exterminadora. O sinal que sela essa aliança é o sangue do cordeiro, que já é uma prefigura da aliança do último e maior sacrifício de Amor, o Cordeiro tira o pecado do mundo através do seu sangue o próprio Jesus Cristo Nosso Senhor. 
   
Salmo 115(116B)
O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.
Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? Elevo o cálice da minha salvação, invocando o nome santo do Senhor.
É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, mas me quebrastes os grilhões da escravidão!
Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido.

Este Salmo responsorial é uma oração de louvor a Deus por tudo que ele fez e faz ao nosso favor, o cálice abençoado é a nossa comunhão com o sangue de Nosso Senhor, comungamos da sua paixão para com Ele estar na ressurreição.

Segunda Leitura: 1 Coríntios 11,23-26
Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios: Irmãos, 23o que eu recebi do Senhor, foi isso que eu vos transmiti: na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão 24e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”. 25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”. 26Todas as vezes, de fato, que comerdes desse pão e beberdes desse cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha. – Palavra do Senhor. – Graças  a Deus.

As cartas de São Paulo são cheias de ensinamentos, ele sempre nos adverti como devem viver os filhos da luz. Na liturgia de hoje sua carta vem nos recordar o momento da instituição da Eucaristia a “Última Ceia”, onde Jesus repartiu o pão e o vinho com seus discípulos ensinando-os a prosseguirem após sua partida, com isso estabelece uma aliança que será selada com o seu próprio sangue que derramará mais adiante na cruz. Esse sacrifício de Amor se consolida em cada missa realizada e assim devemos prosseguir até que ele retorne novamente.

Evangelho: João 13,1-15
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo João: 1Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. 6Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?” 7Respondeu Jesus: “Agora não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”. 8Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!” Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. 9Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”. 10Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos”. 11Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: “Nem todos estais limpos”. 12Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? 13Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, pois eu o sou. 14Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”. – Palavra da salvação.— Glória a vós, Senhor.

Que belíssimo evangelho temos hoje no dia que celebramos a Última Ceia! No qual Jesus dá o maior de todos os ensinamentos Amor. Aquele que ama quer bem, ou seja se coloca a serviço para o bem daquele a quem ama. Para muitos, o que é visto como humilhação para Jesus é sinal de elevação. Aquele que deseja ser o primeiro, deve se pôr a serviço de Deus na vida dos irmãos.

Neste evangelho podemos destacar alguns pontos para meditarmos.

Jesus sabia que sua hora se aproximava e que Judas o trairia, então mostra como deve prosseguir um cristão diante das dificuldades e sofrimentos, paga o mal com o bem, lava o pé de todos mesmo daquele que o trairia, assim nos mostrando a humildade e resignação diante das adversidades.


Resultado de imagem para jesus lava os pés dos discípulosDestacamos também a postura de Pedro que de imediato acha aquele gesto de Jesus inoportuno, e questiona como poderia ele como messias lavar os pés daqueles que eram menores que ele, porém Jesus o advertiu que aqueles que querem estar unidos a Deus, não devem questionar a suas atitudes e nunca se recusarem a receber as graças que ele gratuitamente e generosamente deseja dispor a cada um, quer achamos merecedores ou não. Sabemos que sem Deus não somos e que só com sua graça poderemos dar passos maiores, então sem questionamento nos entreguemos à vontade do Senhor.

Compreendeis o que acabo de fazer? [...] Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés um dos outros. Nesse trecho está toda a essência da nossa liturgia, ou seja, o objetivo para qual fomos criados louvar a Deus o reconhecendo como Senhor e Mestre, reverenciá-lo por que sendo Deus sempre se coloca a serviço para a salvação da humanidade, e por último, mas não menos importante servi-lo, imitar seu gesto de amor servindo a Ele na figura de nossos irmão. E assim reconhecer que somos a sua imagem e semelhança.

Devemos buscar dia a dia nos lavar de nossos pecados, pois para isso é que o preciosíssimo sangue de Cristo foi derramado, para que possamos chegar à mesa da eucaristia devidamente preparados para o banquete da salvação que nos traz uma perfeita intimidade com Deus, onde é possível sentir, pensar e agir como o Nosso Senhor Jesus Cristo.  

Peçamos a Maria Santíssima que nos ajude a viver essa perfeita harmonia com Deus, ela que desde sua concepção esteve nessa intima convivência com Deus Pai, Filho e Espírito Santo e nunca por um instante se quer se desviou de seus propósitos, sendo a primeira a comungar, o primeiro sacrário, a primeira a realizar a via dolorosa, a única que guardou no seu coração a certeza da ressurreição e aquela que hoje contempla a visão beatifica do Pai. Tenhamos assim unidos a Virgem Santíssima uma perfeita preparação para a Páscoa, momento no qual passaremos do vaso velho para o vaso novo em Cristo Jesus.
Salve Maria!
Rosiani Corrêa Meirelles


domingo, 14 de abril de 2019

“Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor!” Lc 19,38a (14/04/2019)

Com a celebração dos Ramos iniciamos a semana santa, somos convidados a juntos com Nosso Senhor Jesus Cristo a percorrer o caminho para Jerusalém, passando pela sua paixão e morte, e ressuscitando com Ele na pascoa. Esta caminhada nos lembra de que Jesus Cristo se esvaziou da sua condição divina para que na sua condição humana fosse como nós, experimentou a angustia e o medo, mas, em tudo foi obediente ao Pai, entregou a própria vida para nos dar o exemplo, com seu amor redimiu o mundo inteiro.

Em seu evangelho (Lc 19,28-40), Lucas nos mostra Jesus entrando em Jerusalém, sentado em um jumentinho que nunca tinha sido montado, o povo estendia as suas roupas pelo caminho para que Jesus passasse, todos gritavam louvando a Deus pelos inúmeros milagres que haviam presenciado, “Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!” Alguns fariseus pediram a Jesus que repreendesse os discípulos, mas Ele os respondeu: “Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão.”

Jesus Cristo entra triunfante em Jerusalém, mas, sabia de tudo o que lhe aconteceria nos próximos dias, Ele se mostra como um rei humilde e servidor, aquele que entrega sua vida para que os outros tenham vida, é Ele o verdadeiro cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo.

Na primeira leitura (Is 50,4-7.) o profeta Isaías nos diz: “O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.”

Quando estamos repletos de Deus em nossa vida jamais somos humilhados, a nossa língua deve servir de consolo a quem necessita, nós como discípulos seguimos os passos de Jesus, fazendo a bem a quem mais precisa sem se importar com as perseguições, que assim como ele, iremos sofrer, em Deus encontramos a nossa fortaleza para vencer as intemperes desta vida.

Em sua carta aos Filipenses (Fl 2,6-11.) o apóstolo Paulo nos revela: “Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: 'Jesus Cristo é o Senhor', para a glória de Deus Pai.”

Mesmo sendo divino, Nosso Senhor se fez humano para que como nós provasse as dores deste mundo, Ele foi obediente ao Pai até o fim, se entregando em holocausto para nos redimir dos nossos pecados, e Deus o elevou com todas as honras acima de todos, para ele todos os joelhos se dobrarão em todo lugar, Deus o fez o Senhor soberano de todo o universo.

Lucas também nos mostra em seu evangelho (Lucas 23,1-49.), o mesmo Jesus Cristo que entrou aclamado pelo povo sendo jugado dias depois por Pilatos. Sendo acusado de ser traidor do império romano e de ser um grande agitador do povo, os sumos sacerdotes excitava a multidão a pedir a Pilatos que condenasse Jesus e que soltasse um bandido chamado Barrabás, Pilatos o interroga, e Jesus mesmo em risco eminente de morte não nega sua divindade e realeza, Jesus é açoitado e obrigado a carregar a sua cruz até o calvário, “ele toma sobre si as nossas dores” e segue para o seu destino, é crucificado entre dois malfeitores e suplica a Deus, “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!” Ele tem suas vestes repartidas e na cruz é insultado pelos que acompanhavam a execução. De meio-dia até as três horas da tarde a escuridão tomou conta da terra e Jesus Cristo gritou: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Dizendo isso expirou e morreu, muitos que estavam por ali exclamaram: “De fato! Este homem era justo!”

Como alguém que somente fez o bem poderia ser condenado de forma tão cruel? Ao devolver a dignidade aos menos favorecidos, Nosso Senhor mexeu na posição de muita gente, como hoje, muitos exploravam a fé do povo, usando da religião para obter vantagens pessoais, Jesus Cristo olhava para cada um com olhos cheios de amor e dizia que o Pai é misericordioso para com todos, e que não há limites para o amor de Deus para com seus sofridos filhos, para os líderes religiosos daquela época a cultura do medo da condenação era uma valiosa arma para escravizar e oprimir o povo, Jesus deu um basta em tudo isso.

Que nesta semana santa possamos com Nosso Senhor Jesus Cristo aprender o caminho para santidade, somos pecadores e muitas vezes vacilamos no caminho, mas, Ele conta conosco para tornar santa esta igreja libertadora fundada sobre os apóstolos, que também eram pecadores e também vacilavam no caminho, e mesmo assim acreditaram na misericórdia de Deus e espelharam o seu amor pelo mundo.

O Papa Francisco desde o início do seu pontificado vem abrindo a igreja para o mundo, dialogando com todos e resgatando as ovelhas desgarradas do rebanho, e ele faz isso não pela imposição e pela opressão, Francisco usa o caminho da misericórdia de Deus para que possamos colocar de lado as diferenças e encontrarmos aquilo que nos uni. Em Nosso Senhor Jesus Cristo, todos podemos abandonar o pecado e a igreja deve ser este elo que nos uni a Cristo.
Rubens Corrêa

sábado, 6 de abril de 2019

Caminhamos com virtudes e falhas: Sejamos misericordiosos. (07/04/2019)

Resultado de imagem para ninguem te condenou?Durante a quaresma o Evangelho de Lucas nos mostrou várias etapas na vida de Cristo, aquele que vence as tentações, nos revelou um Deus divino, que nos alerta para a importância da conversão, nos mostrou que Deus é Pai misericordioso. Hoje, no Evangelho de João, ouviremos sobre a misericórdia e o perdão.

Estamos bem próximos da Páscoa do Senhor, aproveitemos, o tempo de quaresma que ainda temos para fortalecer em nós e nas nossas comunidades a prática da caridade, do perdão. Que o poder da Palavra de Deus nos ajude a realizar obras, fortalecendo a nossa relação com cristo e com os irmãos.

Na Leitura do Livro do Profeta Isaías 43,16-21 ouvimos a promessa do Senhor “Eis que eu farei coisas novas, e as darei ao meu povo”.
Resultado de imagem para passagem do mar vermelhoLeitura do livro do profeta Isaías: 16Isto diz o Senhor, que abriu uma passagem no mar e um caminho entre águas impetuosas; 17que pôs a perder carros e cavalos, tropas e homens corajosos; pois estão todos mortos e não ressuscitarão, foram abafados como mecha de pano e apagaram-se: 18“Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. 19Eis que eu farei coisas novas e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca. 20Hão de glorificar-me os animais selvagens, os dragões e os avestruzes, porque fiz brotar água no deserto e rios na terra seca para dar de beber a meu povo, a meus escolhidos. 21Este povo, eu o criei para mim e ele cantará meus louvores”. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus!

Deus sempre apresenta caminhos para nossa libertação, porém não podemos viver com as lembranças do passado, mas utilizar essas lembranças para fortalecimento, para lutar pela libertação de qualquer escravidão que roube a vida e a dignidade do homem. 

Salmo Responsorial: 125(126)
Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!                                              
Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar; encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios, de canções.
Entre os gentios se dizia: “Maravilhas fez com eles o Senhor!” Sim, maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!
Mudai a nossa sorte, ó Senhor, como torrentes no deserto. Os que lançam as sementes entre lágrimas ceifarão com alegria.
Chorando de tristeza, sairão, espalhando suas sementes; cantando de alegria, voltarão, carregando os seus feixes!

Na Leitura da Carta aos Filipenses 3,8-14, Paulo afirma “Por causa de Cristo eu perdi tudo, tornando-me semelhante a ele na sua morte”.
Leitura da carta de são Paulo aos Filipenses: Irmãos, 8na verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele, eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele, 9não com minha justiça provindo da lei, mas com a justiça por meio da fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, na base da fé. 10Esta consiste em conhecer a Cristo, experimentar a força da sua ressurreição, ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, 11para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos. 12Não que já tenha recebido tudo isso ou que já seja perfeito. Mas corro para alcançá-lo, visto que já fui alcançado por Cristo Jesus. 13Irmãos, eu não julgo já tê-lo alcançado. Uma coisa, porém, eu faço: esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente. 14Corro direto para a meta, rumo ao prêmio que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus!

Paulo escreve da prisão alertando a comunidade de Filipos para não se deixarem enganar por aqueles que se apresentam com títulos e muito entusiasmados e que parecem esquecer que só Cristo é importante.

No Evangelho de Jesus Cristo segundo João 8,1-11, Jesus transfere a responsabilidade do julgamento ao povo: 'Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.'
Resultado de imagem para ninguem te condenou?Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo João: Naquele tempo, 1Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou de novo ao templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3Entretanto, os mestres da lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles, 4disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Moisés, na lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” 6Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. 8E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. 9E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho com a mulher que estava lá, no meio do povo. 10Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” 11Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu também não te condeno. Podes ir e, de agora em diante, não peques mais”. – Palavra da salvação. – Glória a Vós, Senhor!

É apresentada a Jesus uma mulher que cometeu adultério, a lei existente na época diz que ela deve ser morta. Essa é a problemática apresentada a Jesus, a cena nos apresenta a hipocrisia dos homens, sempre dispostos a julgar e a condenar os outros. Quando chamados a pensar em seus próprios erros, ninguém se dispôs a condenar.

As leituras nos apresentam o Caminho, na primeira leitura relembramos que Deus já abriu vários caminhos para a libertação do seu povo da escravidão e nos deixa claro que Ele, que é um Pai misericordioso, sempre abrirá novos caminhos para percorrermos em direção à Salvação.

Resultado de imagem para ninguem te condenou?Na Segunda leitura, Paulo deixa claro que o único caminho para a Salvação é conhecer a Jesus Cristo e segui-lo em seus ensinamentos e o Evangelho apresenta um dos principais ensinamentos: Não julgar, não condenar mediante um fato. Quem pode julgar? A Lei da época exigia a morte da mulher, mas até que ponto devemos seguir as leis que levam a morte? Olhemos para os ensinamentos que Jesus nos deixou, ele não condenou, perdoou, deu dignidade, devolveu a voz, curou os doentes, afastou os problemas dos considerados marginalizados.

“No nosso mundo, a intransigência fala frequentemente mais alto do que o amor: mata-se, oprime-se, escraviza-se em nome de Deus; desacredita-se, calunia-se, em razão de preconceitos; marginaliza-se em nome da moral e dos bons costumes… Esta lógica (bem longe da misericórdia e do amor de Deus) leva-nos a algum lado? A intolerância alguma vez gerou alguma coisa, além de violência, de morte, de lágrimas, de sofrimento?”

Neste quinto domingo da Quaresma, a mensagem é clara, antes de julgarmos, olhemos nossos próprios pecados, fiquemos de pé e vivamos de maneira diferente: “vai e não tornes a pecar”. 
Carla Matos