segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Quarta-feira de Cinzas - A verdadeira piedade (18/02/2015)

   Leituras do dia: Joel 2, 12-18; Salmo 51 (50), 3-4.5-6a.12-13.14 e 17; Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios 5, 20-6,2; Evangelho de Mateus 6, 1-6.16-18. (COR ROXA)
Introdução
   Com a celebração de Quarta-feira de Cinzas, damos inicio à nossa Quaresma. Após a Liturgia da Palavra realiza-se o rito da imposição das cinzas, que substitui por si mesmo o Ato penitencial da liturgia.
   Neste tempo de salvação somos ajudados a reconhecer toda a nossa condição de criaturas limitadas, mortais e pecadoras. “Convertei-vos e crede no Evangelho” (cf. Mc 1, 15), é aquilo que ouvimos no gesto da imposição das cinzas sobre nossas cabeças. A conversão consiste em crer no Evangelho.

   Conversão de vida
   Neste tempo santo a Campanha da Fraternidade quer nos ajudar em nossa conversão. O tema deste ano de 2015 é: “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, com o lema: “Eu vim para servir” (Cf. Mc 10, 45). 
   Recordando a Palavra
   A Quaresma começa, hoje, fazendo ecoar novamente em nossos ouvidos as inquietantes palavras do profeta Joel: “rasgai o coração, e não as vestes” (Jl 2,13).
   Com o Salmo 51 (50) respondemos à exortação do profeta Joel. Este salmo nos transporta do mundo do pecado para o reino da graça. Confessando-nos pecadores e pedindo o perdão de Deus, começamos a ressuscitar: “dai-me de novo a alegria de ser salvo” (v.14).
   Paulo nos convoca, em nome de Cristo, a nos deixar reconciliar com Deus, a não deixar passar em vão a sua graça (2 Cor 5,20;6,1). E o Senhor nos diz: “no momento favorável eu te escutei, no dia da salvação eu te ajudei” (Is 49,8). “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (Cf. 2 Cor 6,2).
   O Evangelho repete três vezes que Deus sabe o que se passa dentro de nós, conhece nossas verdadeiras intenções e os valores para os quais orientamos nossa vida. A oração, a esmola e o jejum, as “obras de piedade” do judaísmo antigo, são gestos que marcam a nossa experiência com Deus, mas podem ser pura exterioridade, não terem ligação alguma com o nosso coração. O Pai é quem sabe com que intenção eu rezo, faço caridade e jejuo.
   Jesus não aboliu as praticas de piedade. Pelo contrário, deu-lhes uma impostação nova. Esse é o modo concreto de vivê-las na perspectiva do Reino.   A verdadeira piedade é, pois, um caminho excelente de encontro com Deus e com os irmãos.
   A conversão quaresmal é sempre um caminho de reconhecimento de nossa condição de criaturas limitadas, pecadoras. Conversão é mudança de vida, que consiste em crer no Evangelho, isto é, aderir a ele, viver segundo os ensinamentos de Jesus, entrar no caminho pascal de Jesus que é caminho de salvação.
   A Campanha da Fraternidade nos ajuda a reler e avaliar a sociedade na qual vivemos.
   “Em contraposição à cultura moderna, caracterizada pelo individualismo, relativismo, fundamentalismo e pelo consumismo exacerbado, que gera a cultura do descartável, encontram-se também os sinais da formação de uma nova cultura em muitos homens e mulheres, crentes ou não, que se empenham em construir uma cultura que permita uma maior realização humana, que respeite e ajude a desenvolver a pluridimensionalidade da pessoa humana, sua autonomia e abertura ao outro e a Deus” (Campanha da Fraternidade 2015: Texto-Base. Brasília, Edições CNBB, n. 105).
   “Esta cultura é marcada pelo respeito à consciência de cada um, pela tolerância e abertura à diferença e multiculturalidade, pela solidariedade com todo o ser criado, pela rejeição das injustiças e por uma nova sensibilidade para com os pobres” (CF15, n. 106).

   Palavra de vida para hoje
   Em todas as celebrações litúrgicas, somos desafiados a viver a ligação entre fé e vida. O mistério pascal de Jesus Cristo celebrado na liturgia, ou seja, o mistério de sua morte-ressurreição precisa ser vivido no dia a dia, tanto individualmente como comunitariamente. Na Quaresma, celebramos a Páscoa de Jesus em cada um(a) que se volta ao Senhor de todo o coração e pratica o que é agradável aos seus olhos.
   Exortados à reconciliação com Deus, neste início da Quaresma, participamos da mesa da Palavra e da mesa da Eucaristia, que nos convidam a nos desprendermos dos nossos bens e dividi-los com os outros.
   Trazemos para a Eucaristia os acontecimentos da vida, a realidade pessoal e política. A Eucaristia que celebramos é expressão dinâmica do Cristo Ressuscitado e do Espírito vivificador, que está presente em tudo, renova todas as coisas, transforma nossos corações, fazendo-nos buscar mais profundamente a coerência com o projeto de Deus.
   Os textos bíblicos proclamados nesta Quarta-feira de Cinzas se tornam Palavra viva. Deus continua atuando nos acontecimento de nossa vida diária e em nossa caminhada histórica. A nossa atenção amorosa e abertura do nosso coração nos ajudam a perceber, nas leituras proclamadas, a presença ativa e libertadora de Deus em nossa vida pessoa, comunitária e social. Isto nos ajuda a reconhecer, nos textos sagrados do Primeiro e do Segundo Testamentos, nossa própria vida, nossa história atual, a história de nossa comunidade, da sociedade em que vivemos.
   Neste tempo favorável, a Palavra proclamada na liturgia nos motiva à conversão, à mudança de vida, à intensificação da oração, do jejum, de gestos concretos de solidariedade.
   Para melhor vivermos a liturgia eucarística, precisamos voltar aquela ultima ceia de Jesus. Ele celebrou a ceia na noite em que ia ser entregue. E todas as vezes que celebramos a eucaristia, há pessoas sendo entregues, sofrendo perseguição, passando fome, sendo injustiçadas em nosso pais, em nossa região, em nossa cidade.
   A Eucaristia é sinal profético, que antecipa e apressa o Reino de Deus, que é Reino de fraternidade de partilha. A Eucaristia é sinal de um mundo sem fome, sem miséria, sem exclusão.

   Oração da CF 2015
   Ó Pai, alegria e esperança de vosso povo, vós conduzis a Igreja, servidora da vida, nos caminhos da história. A exemplo de Jesus Cristo e ouvindo sua palavra que chama à conversão, seja vossa Igreja testemunha viva de fraternidade e de liberdade, de justiça e de paz. Enviai o vosso Espírito da Verdade para que a sociedade se abra à aurora de um mundo justo e solidário, sinal do Reino que há de vir. Por Cristo Senhor Nosso.
Todos: Amém.
Luis Filipe Dias

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Em Jesus encontramos a cura física e espiritual (15/02/2015)

   Neste domingo celebramos mais um milagre de Jesus, com a cura do leproso Jesus devolve a dignidade de quem era colocado à margem da sociedade, eram intocáveis, mas, Jesus o traz de volta ao centro da própria história. E nós? Muitas vezes somos colocados fora do convívio social, à margem das atividades da igreja e nos cantos de nossas famílias, e eis que Jesus vem nos resgatar e fazer de nós atores da nossa história.

   Na primeira leitura vemos como eram tratados aqueles que sofriam com a terrível doença da lepra, “O Senhor falou a Moisés e Aarão, dizendo: Quando alguém tiver na pele do seu corpo alguma inflamação, erupção ou mancha branca, com aparência do mal da lepra, será levado ao sacerdote Aarão ou a um dos seus filhos sacerdotes. Se o homem estiver leproso é impuro, e como tal o sacerdote o deve declarar. O homem atingido por este mal andará com as vestes rasgadas, os cabelos em desordem e a barba coberta, gritando: Impuro! Impuro! Durante todo o tempo em que estiver leproso será impuro; e, sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento.”(Lv 13,1-2.44-46.) Na antiguidade com poucos recursos da medicina, a maneira que acharam para não alastrar a doença era o isolamento, mas, isso poderia se bom para outros, menos para aqueles que além da doença tinham que conviver com o isolamento e a exclusão, hoje em nossa sociedade cheias de recursos e tecnologias, vemos muitos, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos, sendo colocado de lado por estarem doentes ou incapazes de acompanhar a velocidade dos nossos dias atuais, nós como cristãos não podemos aderir a esta atitude, em Cristo temos que ser diferentes dos padrões deste mundo, temos que acolher a todos e lutar para que tenham dignidade.

   Em sua carta aos Coríntios, o Apostolo São Paulo nos diz, “Irmãos: Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. Não escandalizeis ninguém, nem judeus, nem gregos, nem a Igreja de Deus. Fazei como eu, que procuro agradar a todos, em tudo, não buscando o que é vantajoso para mim mesmo, mas o que é vantajoso para todos, a fim de que sejam salvos. Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo.” (1Cor 10,31-11,1.) Ele nos fala que tudo o que fazemos deve servir a um único proposito, dar glória a Deus, mas, a nossa realidade por diversas vezes vem nos mostrando diferente, muitas vezes buscamos a nossa própria gloria e para isso usamos os irmãos como escadas para que possamos subir nos palcos onde devemos ser reverenciados, é isso mesmo, muitas vezes fazemos dos altares de nossas igreja, sejam elas católicas ou protestantes, um palco para show de publicidade, e nos esquecemos o que estamos anunciando, estas atitudes atrapalham a vida das comunidades, devemos usar o precioso dom que Deus nos deu colocando a serviço do próximo, o caminho só vale a pena, quando todos caminhamos juntos com o mesmo objetivo, revelar o imenso amor de Deus aqueles que mais necessitam.
   No evangelho vemos novamente a misericórdia de Jesus para com aqueles que mais sofrem, “Naquele tempo, um leproso chegou perto de Jesus e, de joelhos, pediu: Se queres, tens o poder de curar-me. Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: Eu quero: fica curado! No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado. Então Jesus o mandou logo embora, falando com firmeza: Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles! Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade; ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo.”(Mc 1,40-45) Jesus não somente cura este leproso, podemos dizer que ele devolve a vida aquele homem, tocar em um leproso era algo impensável, mas, Jesus faz diferente, ele poderia curar mesmo de longe, só que para Jesus era necessário um toque profundo na vida daquele homem, e assim ele o fez e ainda faz em nosso meio, são muitas situações em que podemos sentir este toque de Jesus em nossa vida, dizendo “Eu quero, fica curado”, e nos diz isso a todo instante, e nós precisamos fazer como aquele homem que acreditou e teve a sua vida transformada. 
   Em nossa vida por diversas vezes estamos rodeados de muitos amigos, pessoas que estão sempre conosco por que temos saúde e vigor, mas, em algum momento da vida podemos ser acometidos de alguma enfermidade que nos tira mais do que a saúde, nos tira também  aqueles que sempre nos acompanhava em nossas atividades, acompanhar um doente não é uma coisa fácil, requer de cada um de nós um amor divino que nos mantem em contato direto com Deus, hoje a realidade de nossa sociedade se assemelha muito como na antiguidade, estamos abandonando as pessoas que não mais consegue nos acompanhar, e nos esquecemos que um dia seremos nós os abandonados, nós como cristão temos que ser para estas pessoas a imagem, o toque e a voz do Cristo dizendo a estas pessoas, “Eu quero, ficam curados”, não falo aqui somente da cura física, mas, principalmente da cura espiritual, este deve ser o nosso grande objetivo, pois um dia o corpo terá que padecer, mas, o espirito permanecerá eternamente saudável e jovem.
   Que a partir deste domingo possamos ser instrumentos nas mãos de Deus, levando a paz, o amor e a esperança que vem direto do coração de Jesus, para as pessoas que vivem em meio as guerras, a violência, as drogas e o ódio, não podemos perder esta batalha, hoje Deus está nos recrutando para ser mensageiros da boa nova, não só levar a palavra a quem está precisando, mas, também lutar para que todos tenham vida plena e abundante, lutar por um mundo repleto de paz e amor, um mundo onde todos viviam com dignidade, sem exclusão, cada um caminhando da forma que conseguem, sem que ninguém fique para trás, é isso que Jesus fez e cabe a cada um de nós que somos seus seguidores continuar a fazer.
Rubens Corrêa

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Em Jesus somos curados para servir com alegria (08/02/2015)

   Neste domingo meditamos sobre a missão que temos de anunciar Jesus em toda a parte, ele nos confia esta missão e também nos capacita para exercê-la, sabemos que em meio a nossa caminhada encontramos muitos obstáculos e as dificuldades são muitas, mas, temos a certeza de que ele sempre está conosco e com sua companhia encontramos a força necessário para completarmos a nossa missão.
   Na primeira leitura Jó nos diz, “Jó disse: Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como dias de um mercenário? Como um escravo suspira pela sombra, como um assalariado aguarda sua paga, assim tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimento. Se me deito, penso: Quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde e me encho de sofrimentos até ao anoitecer. Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança. Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade!”(Jó 7,1-4.6-7.) Deus não nos colocou no mundo atoa, ele tem um proposito para cada um de nós, mas, hoje se faz necessário que aproveitemos o máximo possível o tempo que temos sobre esta terra, a vida passa muito rápido e ficar reclamando da sorte o tempo todo só nos faz perder tempos preciosos para a realização da nossa missão, devemos a todo momento dar graças a Deus por tudo em nossa vida.
   Na segunda leitura o apóstolo São Paulo nos fala, “Irmãos: Pregar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o evangelho! Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. Em que consiste então o meu salário? Em pregar o evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o evangelho me dá. Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. Com os fracos, eu me fiz fraco, para ganhar os fracos. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. Por causa do evangelho eu faço tudo, para ter parte nele.”(1Cor 9,16-19.22-23.) Ele nos revela que a sua missão não foi uma escolha e sim um encargo confiado por Deus, ele faz da oportunidade de pregar o evangelho um motivo de muita alegria e uma grande honra, mas, hoje vemos muitos na contramão deste legado de São Paulo, quanto usam da palavra de Deus para obter benefícios e privilégios, Deus nos convida a fazer a diferença neste mundo, sentindo a alegria de anunciar o reino de Deus a todos que necessitam da sua palavra.
   No evangelho segundo São Marcos, vemos Jesus mais uma vez se compadecendo do sofrimento próximo, “Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los. À tarde, depois do pôr do sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. A cidade inteira se reuniu em frente da casa. Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era.”(Mc 1,29-34.) Ao retirar a enfermidade da sogra de Pedro, Jesus desperta nela uma vontade de servir, e ele curou muitas pessoas e ainda hoje tem curado muitos, hoje ele vem libertando muitos dos vícios e criminalidade, mas, precisamos dar contra partida, devemos nos colocar a serviço com fez a sogra de Pedro, para que mais pessoas possam sentir este toque de Jesus em suas vidas.
   Jesus não tinha a intenção de se promover através de milagres, ele realizava para diminuir os sofrimentos do povo, mas, a missão de Jesus vai mais além, “De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. Quando o encontraram, disseram: Todos estão te procurando. Jesus respondeu: Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim. E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.”(Mc 1,34-39.) Para muitos ficar seria a atitude mais favorável, mas, Jesus mostra que a missão só está começando e que há muito para fazer, assim também nós devemos sair da zona de conforto e avançar mais adiante.

   Neste domingo percebemos a importância de transmitir ao outros as graças que Deus vem derramando em nossas vidas, devemos ser testemunhas incansáveis desta palavra que é vida, que cura, nutri e liberta, esta palavra que nos impulsiona a realizar mais a favor de quem mais precisa, e mais do que isso, é sentir a alegria de fazer o bem, até mesmo para quem nem sequer conhecemos, esta era a alegria de São Paulo e também de Santa Bakhita, servir com a alegria é tornar o caminho mais fácil, porque sentimos que vale a pena ser percorrido. Que neste domingo possamos sentir a cura de Deus em nossas vidas e que despertemos para a missão, porque o nosso caminho só está no começo e há muito para ser feito.
Rubens Corrêa

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

“Que é isto? Um ensinamento novo, e com autoridade” (01/02/2015)

    Situando-nos
   O Evangelho de Marcos narra o inicio das atividades de Jesus depois do chamado dos primeiros discípulos do domingo passado (Mc 1,14-20).
   Seu ensinamento ressoa de modo diferenciado aos seus contemporâneos que o reconhecem com admiração e espanto.
   Dom da profecia: O livro do Deuteronômio (Dt 18,15-20) nos apresenta o projeto de uma nova sociedade. Inclui leis referentes à pessoa do rei e também leis que regulamentavam a vida dos levitas.
   Salmo 94 (95) nos convida a louvar a Deus, salvador e grande Rei.
   Paulo na carta aos Coríntios ( 1 Cor 7,32-35) fala do sentido da vida como entrega total a Deus no celibato ou na vida ativa.
   Evangelho Mc 1,21-28: Marcos está preocupado em mostra quem é Jesus. Em dia de sábado, Jesus cura um enfermo, porque sendo o filho de Deus tem poder sobre o sábado.
   O ensinamento de Jesus é novo porque liberta ao mesmo tempo que ensina. Aí se situa a diferença entre o seu ensinamento e o dos doutores da lei.
   Precisamos de nos libertar: da indiferença, do medo, do egoísmo, da violência e da falta de fé!

    Mensagem
   O PROFETISMO foi uma experiência muito forte em toda a Bíblia.  Os Profetas são homens de Deus, que surgem nos grandes momentos de crise e de transição.  Eles sabem ler os sinais dos tempos e, graças à sua sintonia com Deus, podem animar a fé do povo e anunciar novos caminhos para o futuro. O profeta é suscitado por Deus e caminha com o povo para Deus.
   Deus é o ponto de partida e o ponto de chegada. PROFETA é alguém que Deus ESCOLHE, CHAMA e ENVIA para ser a sua "Palavra" viva no meio do Povo.

   Recordando a Palavra de Deus que nos fala
   As leituras bíblicas deste domingo nos falam do carisma profético:
   A primeira leitura anuncia a vinda de um grande PROFETA que falará aos homens em nome de Deus. MOISÉS é apresentado como modelo e exemplo do verdadeiro Profeta: Deus está na origem no centro da sua vocação e a sua mensagem é sempre o que Deus lhe ordena.   Moisés deu a conhecer a vontade divina contida na lei do Sinai. (Dt 18,15-20)
   Moisés é o intérprete da Lei, o intermediário entre Deus e os homens, que vigia e promove sempre a fidelidade à Aliança. Conscientizou o povo da situação de opressão em que vivia, libertou esse povo e caminhou com ele rumo à terra Prometida.
   Duas RESPONSABILIDADES bem distintas: uma da parte do Povo que deve ESCUTAR o profeta: "Eu pedirei contas a quem não escutar"; E da parte do Profeta: Ser fiel ao que Deus mandou FALAR: "Porei minhas palavras em sua boca. Se tiver a ousadia de dizer o que não mandei esse profeta deverá morrer".
   O Salmo nos convida a ouvir a voz do Senhor e a caminhar com alegria ao seu encontro.(Sl 95)
   Na segunda Leitura, Paulo afirma as vantagens do "Celibato", que deixa um estado de vida mais livre, para servir ao Senhor com mais dedicação. (1 Cor 7,32-35.) 
   O Evangelho de Marcos revela que o Profeta esperado é JESUS. Num sábado, Jesus vai à sinagoga de Cafarnaum, com os discípulos que acabara de convocar, e revela-se como o Messias-Libertador. Realiza o primeiro milagre narrado por Marcos e "começa a ensinar".  Não narra o conteúdo, mas o efeito da pregação: "Todos se maravilhavam e perguntavam: O que é isso? Um ensinamento NOVO dado com autoridade e até os espíritos impuros lhes obedecem".
   Jesus não comunica a palavra de Deus como os rabinos. A sua mensagem é "nova", é anunciada "com autoridade". Ele é a Palavra definitiva de Deus. A "autoridade" se revela nas Palavras de Jesus e nas Ações concretas: O homem possuído pelo espírito imundo foi purificado pela sua palavra dita com autoridade. Diante das palavras e dos milagres de Jesus, o povo percebe que Ele é o profeta prometido por Moisés: E a fama de Jesus se espalha logo por toda parte. "Ele falava como quem tem AUTORIDADE". 

    Atualizando a Palavra
   As leituras bíblicas nos recordam duas Verdades: A nossa relação com Jesus é uma relação de "escuta": devemos escutar a palavra de Jesus Profeta e pô-la em prática; Lembra-nos que o cristão também é profeta por vocação e está chamado, com a sua palavra e com suas obras, a revelar os caminhos de Deus e a condenar tudo aquilo que se opõe ao mistério do reino de vida proclamado por Jesus. 
   "Ele falava com autoridade" - Vivemos num mundo de muitas falas: Fala o rádio, a TV, o Sindicato, os políticos, a Escola, fala a Religião, falam tantas seitas. Quantas palavras vazias e sem "sem autoridade" mesmo falando em nome de Jesus! O que há de verdade, por trás de tantas FALAS? Será que elas libertam ou oprimem as pessoas?
   Mas há uma palavra muito mais forte e poderosa do que todas: É a Palavra de Jesus: Ela LIBERTA, TRANSFORMA, e DÁ VIDA! Como falar com autoridade?
   Os padres têm a missão de anunciar a Palavra, com poder de Salvação. Devem falar e ser: Fiéis, Autênticos e Libertadores. Os pais angustiados afirmam: "Digo sempre para o filho, mas, não adianta, pois ele não me escuta".  Será que falam como quem tem AUTORIDADE? 
   Como falar com autoridade um professor, uma autoridade civil, os responsáveis pelos serviços em nossas comunidades? A Autoridade não brota das palavras, não se impõe, mas se conquista com uma autêntica vivência humana e cristã!
Pe. Luis Filipe Dias

sábado, 24 de janeiro de 2015

De corações convertidos e prontos para a missão (25/01/2015)

   Neste domingo recebemos de Jesus um chamado para segui-lo, mas, seguir Jesus não é uma tarefa fácil, temos que primeiro passar por um caminho de conversão, abandonar velhas práticas que muitas vezes nos envergonham e acreditar na missão, pois assim conseguiremos coloca-la em prática, somos pessoas frágeis e pecadoras, mas, Deus quer usar de nossas limitações para realizar a obra da salvação do mundo.
   Na primeira leitura vemos a grande obra de conversão que se realiza por meio do profeta Jonas, “A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, pela segunda vez: Levanta-te e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive e anuncia-lhe a mensagem que eu te vou confiar. Jonas pôs-se a caminho de Nínive, conforme a ordem do Senhor. Ora, Nínive era uma cidade muito grande; eram necessários três dias para ser atravessada. Jonas entrou na cidade, percorrendo o caminho de um dia; pregava ao povo dizendo: Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída. Os ninivitas acreditaram em Deus; aceitaram fazer jejum, e vestiram sacos, desde o superior ao inferior. Vendo Deus as suas obras de conversão e que os ninivitas se afastavam do mau caminho, compadeceu-se e suspendeu o mal que tinha ameaçado fazer-lhes, e não o fez.”(Jn 3,1-5.10.) Muitas vezes o mal está tão evidente, mas, insistimos em não perceber e continuamos a praticar as coisas que nos afasta de Deus, os ninivitas acreditaram nas palavras de Jonas e mudaram radicalmente, também nós precisamos acreditar na misericórdia de Deus, ninguém está perdidos, todos nós temos a chance de desfrutar de amor sem limites que Deus tem por nós.
   Na segunda leitura o apóstolo São Paulo nos diz, “Eu digo, irmãos: o tempo está abreviado. Então que, doravante, os que têm mulher vivam como se não tivessem mulher; e os que choram, como se não chorassem, e os que estão alegres, como se não estivessem alegres; e os que fazem compras, como se não possuíssem coisa alguma; e os que usam do mundo, como se dele não estivessem gozando. Pois a figura deste mundo passa.”(1Cor 7,29-31.) Vemos que muitos de nós vivem correndo de um lado para o outro, tentando conseguir mais e mais coisas, mas, se esquecem do principal, o cuidado com o lado espiritual e fazer o bem ao próximo, de nada adianta nesta vida acumular bens se não levamos nada para próxima vida, por outro lado o bem que realizamos nesta vida nos acompanha por toda eternidade, esta vida é muito curta e precisamos aproveitá-la bem, ter bons e verdadeiros amigos, cuidar da família sendo exemplos para os filhos, de fé, de amor, de esperança, de respeito e de honestidade, nossa missão começa em nossa família, com raízes fortes e profundas se espalha para o mundo todo.
   No evangelho segundo São Marcos, contemplamos o momento do chamado dos primeiros apóstolos para a missão, "Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho! E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus lhes disse: Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens. E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus."(Mc 1,14-20.) Aquelas pessoas que Jesus chamou para a missão, eram pessoas simples, de pouca ou nenhuma instrução. O que poderia oferecer em favor de uma missão tão grandiosa? Eles tinham tudo o que precisavam ter para seguir Jesus, eles acreditaram na missão que Jesus estava confiando a eles, e deixaram-se seduzir pela palavra de Deus.
   Sabemos que Deus não escolhe os capacitados, mas, capacita os escolhidos, é assim que Deus fez com os apóstolos, preparando-lhes para a missão, e é assim que ele faz com cada um de nós, nos dando os mais variados dons que devemos colocar a serviço do Reino de Deus, só que antes precisamos deixar para trás tudo aquilo que nos impede de seguir este caminho, como Pedro, André, Tiago e João, deixaram para trás as redes, os barcos e a família, nós também temos que avaliar o que precisamos deixar para trás, para cada missão exige-se um tipo de renúncia e devemos estar preparado para fazer estas renúncias, e colocar-se a serviço.
   Esta missão não é fácil, mas, Jesus está sempre conosco e isso torna as coisas melhores, ele nos acompanha em todos os momentos, nele encontramos força para nos converter, renunciando tudo que não presta, devemos nos apegar aos ensinamentos e veremos que as coisas deste mundo pode ser boas, mas, não são o centro da nossa existência, e precisamos ouvir a sua voz que nos convida a largar as nossas redes e se entregar a esse grande amor de Deus, sendo sinais de fé, de esperança, de amor e de justiça para aqueles que mais precisam, lutando por um mundo livre das guerras politicas ou religiosas, livre das drogas, da prostituição, da corrupção e da opressão, transformando o mundo  em um lar feliz para todos os filhos de Deus sem distinção. 
Rubens Corrêa


sábado, 17 de janeiro de 2015

Somos chamados para a missão, servir de corpo e alma (18/01/2015)

   Neste domingo meditamos sobre os diferentes chamados de Deus, vemos Deus chamando Samuel ainda criança para ser seu profeta, São Paulo nos chama a glorificar a Deus de corpo e alma, e Jesus nos chama para conhecer a sua casa e participar da sua vida. Deus nos chama sempre, seja para servir na igreja, família e no mundo, ficar sempre atentos é o que devemos fazer e responder ao seu chamado, a todo o instante ele nos chama a serem criaturas novas e transformadoras do mundo.
   Na primeira leitura vemos que não há idade para ser chamado a missão, “Naqueles dias, Samuel estava dormindo no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. Então o Senhor chamou: Samuel, Samuel! Ele respondeu: Estou aqui. E correu para junto de Eli e disse: Tu me chamaste, aqui estou. Eli respondeu: Eu não te chamei. Volta a dormir! E ele foi deitar-se. O Senhor chamou de novo: Samuel, Samuel! E Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse: Tu me chamaste, aqui estou. Ele respondeu: Não te chamei, meu filho. Volta a dormir! Samuel ainda não conhecia o Senhor, pois, até então, a palavra do Senhor não se lhe tinha manifestado. O Senhor chamou pela terceira vez: Samuel, Samuel! Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse: Tu me chamaste, aqui estou. Eli compreendeu que era o Senhor que estava chamando o menino. Então disse a Samuel: Volta a deitar-te e, se alguém te chamar, responderás: Senhor, fala, que teu servo escuta! E Samuel voltou ao seu lugar para dormir. O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: Samuel, Samuel! E ele respondeu: Fala, que teu servo escuta. Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras.”(1Sm 3,3b-10.19) O menino Samuel não conhecia o Senhor, mas, Eli o orientou de como responder a este chamado, também nós muitas vezes precisamos que outros nos oriente como responder ao chamado de Deus, e isso podemos encontrar em nossas famílias e em nossas igrejas, rezemos por quem nos ajuda a viver a nossa missão.
   Na segunda leitura o Apostolo São Paulo nos mostra a importância de glorificarmos a Deus com todo o nosso ser, “Irmãos: O corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor, e o Senhor é para o corpo; e Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também a nós, pelo seu poder. Porventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? Quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito. Fugi da imoralidade. Em geral, qualquer pecado que uma pessoa venha a cometer fica fora do seu corpo. Mas o fornicador peca contra seu próprio corpo. Ou ignorais que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que mora em vós e que vos é dado por Deus? E, portanto, ignorais também que vós não pertenceis a vós mesmos? De fato, fostes comprados, e por preço muito alto. Então, glorificai a Deus com o vosso corpo.”(1Cor 6,13c-15a.17-20) Somos templos do Espírito Santo, e devemos viver assim, glorificar a Deus com nossas palavras e nossas ações, São Paulo nos revela que Jesus pagou um preço alto para a nossa liberdade, e precisamos com sabedoria usar dessa liberdade que recebemos como um presente de Deus, a forma mais inteligente de aproveitar esta liberdade é se colocar a serviço de corpo e alma ao reino de Deus.
   No evangelho novamente vemos a figura de São João Batista mostrando o caminho a ser seguido, “Naquele tempo, João estava de novo com dois de seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus! Ouvindo essas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. Voltando-se para eles e vendo que o estavam seguindo, Jesus perguntou: O que estais procurando? Eles disseram: Rabi (que quer dizer: Mestre), onde moras? Jesus respondeu: Vinde ver. Foram pois ver onde ele morava e, nesse dia, permaneceram com ele. Era por volta das quatro da tarde. André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram a palavra de João e seguiram Jesus. Ele foi encontrar primeiro seu irmão Simão e lhe disse: Encontramos o Messias (que quer dizer: Cristo). Então André conduziu Simão a Jesus. Jesus olhou bem para ele e disse: Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas (que quer dizer: Pedra)”(Jo 1,35-42) A missão de João era de preparar o caminho do Senhor, ele assumiu esta tarefa cumprindo tudo aquilo que Deus pediu, podemos perceber ainda hoje João apontando o Cordeiro de Deus que nós acreditemos, é nossa escolha seguir ou não, Jesus nos convida a conhecer a sua casa e participar de sua vida, depois que vivemos isso não mais somos os mesmos, Cristo nos transforma profundamente, mas, para isso precisamos fazer os caminhos que os discípulos fizeram, experimentando a vida com liberdade em Jesus Cristo.
   Não importa quando recebemos o chamado de Deus, seja na infância, juventude, vida adulta ou no final de nossa vida, o importante é viver bem a nossa vocação, e cumprir a nossa missão, muitas vezes somos ajudados a entender os propósitos que Deus tem para nossa vida, mas, também é nossa missão ajudar aos outros que entenda o que Deus quer para vida de cada um, recebemos de Jesus a missão de continuar, e essa missão é mostrar ao mundo que todos somos filhos de Deus, e que precisamos livrar as pessoas das amarras da escravidão, seja ela das drogas, do alcoolismo, da prostituição, corrupção ou da opressão, em Cristo fomos todos libertos e ele nos dá a liberdade de seguir ou não o seu caminho de felicidade, mas, cabe a cada um de nós apresentar este caminho aos nossos irmãos.
Rubens Corrêa

sábado, 10 de janeiro de 2015

Batismo do Senhor (11/01/2015)

   Neste domingo celebramos o Batismo do Senhor Jesus, um momento muito especial que encerra o tempo do Natal e abre as portas para o tempo comum, celebrar o Batismo de Jesus nos faz meditar a missão e a obediência de Jesus para o Projeto do Reino de Deus, ele não precisava ser batizado, mas, deixou-se batizar para nos dar o exemplo. João reconheceu isso afirmando que não era digno de batizar o Senhor, mas, Jesus vem nos mostrar que o Reino de Deus se faz a partir das ações de cada pessoa, mesmo não precisando, Deus quer precisar nós para a realização da sua obra.
   Na primeira leitura o profeta Isaías vem nos mostrar que Deus irá realizar a sua justiça por meio do seu eleito, “Assim fala o Senhor: Eis o meu servo — eu o recebo; eis o meu eleito — nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirares os cativos da prisão, livrares do cárcere os que vivem nas trevas.”(Is 42,1-4.6-7.) As palavras do profeta vem trazer esperança ao povo que sofre com as vontades daqueles que detém o poder naquela época, e hoje estas esperanças se renovam em nossas igrejas, em Cristo vemos realizar a justiça de Deus, e ele nos chama para sermos engrenagens vivas desta transformação do mundo.
   Do livro dos Atos dos Apóstolos recebemos a mensagem de São Pedro, que nos afirma que a salvação vem para todos, “Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-Nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele.”(At 10,34-38.) A mensagem do evangelho não é algo que fica preso dentro das paredes das igrejas, Jesus anunciou a salvação aos judeus, mas, enviou seus Apóstolos para levar o evangelho a todos os povos, e nós também precisamos entender que existe vida fora de nossas fronteiras, sejam elas, familiares, religiosas ou políticas, Jesus nos convida para navegar em  águas mais profundas.
   No evangelho segundo São Marcos, contemplamos o momento do Batismo do Senhor Jesus, “Naquele tempo, João Batista pregava, dizendo: Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo. Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. E do céu veio uma voz: Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer.”(Mc 1,7-11.) Vemos em Jesus um grande exemplo de humildade, ele nunca precisou de ser batizado, não conhecia o pecado, ele veio de Deus e é parte de Deus, o batismo realmente não era necessário, mas, com o seu gesto permitiu que Deus se manifestasse o povo e revelando o seu eleito a todos. Muitas vezes nós nos achamos melhores que os outros e que não precisamos participar ou cumprir alguns compromissos em nossas igrejas, somos errantes pecadores e de forma alguma somos mais que Jesus, temos que nos espelhar no exemplo de Jesus para cumprimos bem a nossa missão.
   Nesta solenidade do Batismo do Senhor, somos convidados a seguir para a missão junto com Jesus, ele iniciou e deixou em nossas mãos a continuidade desta obra, vacilamos muitas vezes, mas, Deus confia em nós para o serviço, ele enviou, no dia do nosso batismo, o Espírito Santo sobre nós, e esta é a força que nos impulsiona para realizar a construção do Reino de Deus, somos todos operários desta messe, e temos que saber trabalhar com as diversidades de dons que Deus envia para esta obra, não podemos perder tempo com bobagens, saber aceitar as diferenças dos nossos irmãos torna o resultado no nosso trabalho mais completo e mais bonito.
Rubens Corrêa