sábado, 13 de junho de 2015

Em Jesus, somos as pequenas sementes da nova sociedade (14/06/2015)

   Neste domingo refletimos como a presença de Deus se manifesta em nossas vidas, ele faz pequenas inserções no nosso dia a dia, coisas pequenas e que muitas vezes deixamos passar sem notar, mas, que geram grandes e profundas transformações em nosso ser e em nossas famílias. Quantas coisas que não entendemos e que temos a certeza que Deus está à frente delas? Nós somos somente parte da criação perfeita de Deus, e devemos a todo instante bendizer e louvar a Deus por tantos dons que todos os dias ele faz brotar no meio do povo, sendo a força transformadora desta sociedade, onde temos direitos e deveres iguais, mais do que criaturas, somos filhos do amor de Deus.

   Na leitura da profecia de Ezequiel (Ez 17,22-24.) vemos que todo o poder vem de Deus, somente ele poderá fazer uma árvore seca brotar e produzir muitos frutos, da mesma forma, poderá tornar seca a árvore verde. Ele tirou o galho da copa do cedro, e de seus ramos arrancou um broto plantando-o em um elevado monte, dele surgiram muitos frutos e tornou cedro majestoso, onde encontramos alimento e abrigo.
   Está em Deus a força que nos impulsiona a transformação da nossa vida, com ele ninguém está perdido, ele pode tornar bom aqueles que caminham nas trevas, e que decidem mudar de vida, o sacrifício de Jesus na cruz nos trouxe uma oportunidade de encontrarmos vida nova e plena, hoje somos frutos deste amor incondicional que se entrega até o fim.

   Em sua carta aos Coríntios (2 Cor 5,6-10.) o apóstolo Paulo nos diz que morando em nossos corpos somos peregrinos longe de Deus, pois caminhamos com fé e não com a clara visão, mas, enquanto habitamos neste corpo, devemos empenhar-nos em tornar nossa vida agradável a Deus, pois um dia todos nós estaremos na presença de Jesus para apresentar com foi a nossa vida. E iremos apresentar o quê para Jesus?
   Em nosso meio muitos vivem como se fossem eternos e únicos, oprimem, vivem trapaceando os outros, caluniam e ofendem os irmãos, e usam os outros como degraus na escada de sua acessão a qualquer custo, um dia a nossa vida acaba e nada disso irá depor a nosso favor. Jesus fez diferente, ele não usou os outros para se promover, ele fez das necessidades do próximo a sua missão de vida, ele se entregou para que fossemos libertos das amarras do pecado, e nós que somos seus discípulos devemos fazer o mesmo, promover a igualdade, para que todos tenham vida em abundância.

   No evangelho (Mc 4,26-34.) Jesus usa de parábolas para ensinar o povo, compara o Reino de Deus as sementes lançadas na terra, que enquanto a agricultor dorme, germina, cresce, floresce e produz frutos, quando chega o tempo ele colhe os frutos. Também diz que o Reino de Deus é como a semente de mostarda que é a menor das sementes, e quando cresce se torna a maior das hortaliças. Como entender estas palavras de Jesus?
   O Reino de Deus começa em nossas vidas sem que percebamos enquanto dormimos na fé, Deus age como aquela terra que vai geminando e nutrindo a semente, ela cresce, aparecem as folhas, floresce e surgi os primeiros frutos, e nós não sabemos como Deus vai agindo em nossas vidas, percebemos que o Reino de Deus começa em nossas vidas, pequeno como a semente de mostarda, e que toma dimensões incríveis e mal sabemos como começou, mas, esta semente que germinou em nós e se tornou grande, deve servir de sombra, descanso e abrigo para aqueles que mais necessitam, não podemos desperdiçar estes dons, de nada adianta termos encontrado Jesus sem leva-lo a quem mais precisa dele, esta é nossa missão.
   Que neste domingo possamos dar o passo inicial para uma nova caminhada de fé, sabemos que somos pequenos frente à imensidão deste mundo, mas, sabemos que Deus está ao nosso lado e que Jesus anima nossa jornada, mesmo tendo vivido durante muito tempo no erro, Deus nos transforma em novas criaturas, e nos pede que façamos esta viagem ao seu encontro despojados de toda a vaidade e orgulho, de coração renovado pelo sacrifício de Jesus na cruz, para que os frutos de nossas vidas sirvam de inspiração para os nossos irmãos que encontram dificuldade de iniciar o caminho, somos responsáveis em levar o nome de Jesus a todos os cantos da terra, e isso devemos fazer sem oprimir, criticar e forçar os nossos irmãos, cada um tem o momento certo de se abrir para a infinita graça e o imenso amor de Deus.
Rubens Corrêa

terça-feira, 2 de junho de 2015

“Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.(07/06/2015)

   Introdução geral
   Continuamos o nosso itinerário espiritual, seguindo os passos de Jesus. Este ano temos como nosso guia espiritual o evangelista Marcos (ciclo B), que nos coloca frente a frente com Jesus Cristo, o Messias, que vem instaurar o Reino de Deus e não vem de forma triunfante, mas como o servo sofredor, perseguido e executado na cruz. Somos todos parte integrante da família de Deus. Esta é uma realidade nova apresentada pelo evangelho. A liturgia nos ajuda a entrar neste mistério de intimidade com Deus como membros ativos. Convoca-nos a sermos parte da família de Deus, a qual não tem fronteiras de nenhum tipo nem critérios que consideram uns superiores aos outros. É um grupo aberto a todos e todas que queiram fazer a vontade de Deus, estar ao seu redor, serem seus amigos.
   Recordando a Palavra
   Evangelho (Mc 3,20-35): Tudo vos será perdoado
   O trecho do evangelho de Marcos está colocado após a escolha dos Doze (Mc 3,13-19) e antes das parábolas sobre o Reino de Deus (Mc 4, 1-34). Ele revela que a escuta da Palavra é condição essencial para ser discípulo de Jesus e participar de sua comunidade. A multidão sofrida acorre a Jesus, vinda de várias regiões, com a esperança de libertação (Mc 3,7-12). O caminho do discipulado leva a compreender “o mistério do reino de Deus” (Mc 4,11), que se revela, aos poucos, em Jesus, o Cristo e Filho de Deus.
   Os que acolhem os ensinamentos de Jesus realizam a vontade de Deus. Jesus o afirma de forma clara: ”Eis minha mãe e meus irmãos” (3,34-35). A comunidade de irmãos e irmãs é formada pelas pessoas que aderem a Jesus e manifestam a presença do Reino de Deus através de palavras e ações.
   I leitura (Gn 3, 9-15): E, chamando-os, disse o Senhor: “Onde estás?”
   A leitura do livro do Genesis pertence a um bloco maior em que fala de toda a realidade humana. Adão, “tirado da terra”, e Eva, “mãe dos viventes”, representam o ser humano. A ambição em querer ser igual a Deus afasta do caminho de felicidade desejado por Deus. Os caminhos contrários aos ensinamentos do Senhor rompem a harmonia do paraíso, a comunhão fraterna. A promessa da vitória sobre a serpente pela descendência de Eva, a mãe dos viventes (3,15), realiza-se plenamente em Jesus, cuja entrega proporciona a vida eterna ao ser vivente.
   O Salmo 129 (130), de romaria, expressa o clamor cheio de confiança a Deus, o único que pode salvar. O salmista espera no Senhor e em sua Palavra libertadora, mais que a sentinela pela aurora, após uma noite de vigilância. O motivo da confiança absoluta é que no Senhor encontra-se misericórdia e copiosa redenção.
   II leitura ( 2 Cor 4,13-5,1):O Senhor nos dará o perdão e a sustentação
   Este trecho de Paulo salienta a audácia apostólica e a confiança na graça do Senhor. Paulo, em meio ás tribulações testemunha: “Eu tive fé e, por isso, falei” (2 Cor 4,13). A fé ativa imbuída da força do espírito suscita o testemunho e o anúncio da Boa-Nova de Jesus. A razão da fé este em Deus, que ressuscitou Jesus e que ressuscitará o ser humano com Ele, conduzindo-o à comunhão eterna em sua presença. A adesão a Jesus, no caminho do discipulado, faz a comunidade transbordar de ação de graças para a glória de Deus.  A imagem da tenda dos nômades no deserto ensina a “renovar dia a dia nosso interior”.
   O mistério da graça de Deus, que atua em nossa fragilidade, e o testemunho vivo de Jesus nos guiam no caminho dos valores do Reino, que permanecem para sempre. Paulo lembra que o essencial é confiar no Senhor: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força realiza-se plenamente” (2 Cor 12,9).
   Atualizando a Palavra
   A verdadeira família de Jesus é formada por aqueles que escutam seu ensinamento e praticam a vontade de Deus, no caminho do discipulado. Com seguidores e seguidoras de Cristo, somos chamados a formar comunidades fraternas de irmãos e irmãs, trabalhando para vencer as forças contrárias ao reino, que tentam enfraquecer a nossa missão ao serviço do Evangelho.
   Paulo, enquanto sofre a cada dia por causa do Evangelho no seu ministério, renova a fé e a esperança na ressurreição de Cristo. Os desafios da evangelização, as tribulações e os receios tornam-se pequenos comparados à alegria da glória plena no Senhor da vida porque “trazemos este tesouro em vasos de barro” (2 Cor 4,7) e em nós se manifesta a graça.
Luis Filipe Dias

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – Festa de Corpus Christi (04/06/2015)

   Corpo e Sangue da nova aliança: Deus fez aliança com Israel ao libertá-lo do Egito. Esse pacto foi instituído por meio de um rito. Primeiramente, o sangue do cordeiro foi derramado em substituição da vida dos primogênitos hebreus. Depois o rito continuou na celebração de uma refeição, a ceia pascal, memorial de libertação, celebrada a cada ano pelos filhos de Israel para atualizar aquele evento fundador e paradigmático da religião bíblico-judaica.
   Comentário dos textos bíblicos
   Evangelho (Mc 14,12-16.22-26): Tomai e comei, isto é o meu Corpo.
   No Oriente antigo, o sangue simbolizava a totalidade da vida de um ser, animal ou humano. Por isso, quando o sangue de um animal era oferecido a Deus, na verdade o que se ofertava era a vida da pessoa que fazia a oferenda.
   O termo sacrifício significa “tornar sagrado”; portanto, quando o sacerdote colocava o sangue do animal sobre o altar, a vida da pessoa ofertante é que se tornava sagrada, ou seja, consagrada a Deus. A ideia de “Sacrifício” não tinha a atual conotação de “realização de algo difícil ou penoso”, mas de santificação ou sacralização da vida.
   Antes de derramar o sangue na cruz, Jesus fez de sua vida uma oferta a Deus e à humanidade. Por isso ele antecipa, no gesto profético da última ceia, o que se dará no momento culminante do dom de si mesmo, a morte na cruz. É por causa de uma vida inteira ofertada, a Deus e ao outro, que a morte de Jesus, cume dessa oferta, pode ser chamada de sacrifício. A vida inteira de Jesus é sacrifício, é uma vida consagrada, santificada. Jesus oferta a própria vida como nosso representante.
   Sua obediência e fé integral nos substituem, já que não conseguimos ser obedientes e fiéis da mesma forma. Sua vida humana sem pecados nos liberta do pecado, sua ressurreição nos liberta da morte. Em tudo isso Jesus nos representa e nos substitui. Cessam daqui por diante os antigos sacrifícios de animais. O sangue, a vida ofertada da nova aliança é o que vigora doravante.
   As palavras do Senhor: “Isto é o meu corpo... isto é o meu sangue”, “tomai e comei... tomai e bebei”, deveriam nos recordar de que nos compete assimilar em nossa vida as características da vida de Jesus.
   Dessa forma, no Corpo e Sangue de Cristo vive e cresce a Igreja, com os fiéis continuamente se alimentando de amor, de fidelidade, de doação ao outro, de perdão e de todos os aspectos de vida de Jesus.
   O Corpo e sangue de Cristo são centro e sustentáculo da vida cristã. Por isso, quem deles se alimenta há que aceitar participar da doação de vida realizada por Cristo, em adesão à vontade do Pai e em doação ao próximo. Assim, por meio da Eucaristia, os fiéis vivem o mistério da vida, morte e ressurreição de Cristo, celebrando agora a comunhão sem fim na glória eterna. 
   I leitura (Ex 24,3-8): Este é o sangue da aliança que o Senhor fez convosco
   A expressão “sangue da aliança” remete a Êxodo 24,8, à aliança no Sinai selada com o sangue de animais. O profeta Jeremias anunciou a nova aliança (Cf. Jr 31,31-34), que foi selada definitivamente em Cristo “pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, perfeita e realizada de uma vez por todas” (Cf. Hb 10,10). O “sangue derramado em favor de muitos” alude, de modo especial, a Isaías 53,12 e indica que Jesus é o Servo sofredor por excelência, que entrega a vida pela salvação da humanidade. A Eucaristia torna-se o memorial da nova aliança, plenificada na morte redentora de Cristo.
   A leitura do livro do Êxodo descreve a conclusão da aliança no Sinai entre Deus e o povo. Moisés, depois de fazer a experiência do encontro com o Senhor (19,3;24,1-2), reúne o povo e comunica “todas as palavras e todos os decretos do Senhor” (24,3). Trata-se especialmente dos dez mandamentos (20,1-21) e do código da aliança (20,22-23.33). O povo compromete-se a seguir o caminho da aliança, que proporciona a comunhão com Deus e entre si: “Faremos tudo o que o Senhor nos disse” (24,3).
   O salmo 115 (116) é uma oração de louvor e ação de graças ao Senhor, pois foram quebradas as cadeias da opressão. O salmista ergue o cálice da salvação e invoca o nome do Senhor, como sinal de compromisso.
   II leitura (Hb 9,11-15): Cristo ofereceu a si mesmo como oferta sem mácula
   A leitura da carta aos Hebreus acentua que Cristo ressuscitado é o novo sacerdote, que entrou no santuário através da tenda maior e mais perfeita. Com a única oferenda de si mesmo, levou à perfeição para sempre os que Ele santifica (Cf. 10,14), superando os sacrifícios antigos.
   Como a conclusão da aliança se realizava mediante a efusão de sangue (Ex 24.6-8), a nova aliança revela-se plenamente na morte redentora de Cristo em favor de toda a humanidade. Assim, Cristo é ressaltado com “mediador da nova aliança” (9,15).
   Ligando a Palavra com a ação eucarística
   A Eucaristia é o memorial do mistério pascal de Cristo, sela paixão, morte e ressurreição. Deus sela a aliança eterna e definitiva com a humanidade através da oferenda única e perfeita de Jesus (Hb 10,10-18), que é atualizada na liturgia por meio da ação do espírito Santo. Ao comungarmos do corpo e sangue, em cada celebração, “estaremos proclamando a morte do Senhor, até que Ele venha” (1 Cor 11,26), comprometidos  a formar o autêntico corpo eclesial.
   Esta Solenidade faz eco da celebração de Quinta-feira Santa e nos faz reviver os mesmos acontecimentos de forma mística e concreta: celebramos o mistério da entrega do Senhor Jesus.
   A Eucaristia é o memorial perene de Sua Paixão, o cumprimento perfeito das figuras da Antiga Aliança e o maior de todos os milagres de Cristo.
Luis Filipe Dias



sábado, 30 de maio de 2015

Solenidade da Santíssima Trindade (31/05/2015)

1ª Leitura Dt 4,32-34.39-40., Salmo 32, 2ª Leitura Rm 8,14-17. e Evangelho Mt 28,16-20.
   A leitura nos apresenta Javé o Deus vivo, que se faz presente na história revelando seu amor e renovando sua aliança através da libertação de seu povo, os conduzindo para uma nova terra. Por este motivo somos chamados a professar nossa fé neste que é o único Deus e senhor de nossas vidas, este que não abandona seu povo e conhece todas as suas necessidades.
   No evangelho temos a confirmação desta promessa. Jesus filho amado de Deus que já tinha vindo ensinado, testemunhado e se sacrificado para a remissão de nossos pecados, após sua ressurreição aparece aos seus discípulos os enviado para a missão e lhes apresentando um defensor e orientador o “Espirito Santos”. A partir deste momento Jesus pede que seus discípulos levem esta mensagem e apresente o Espirito Santo a todas as pessoas os batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo, para que assim todos se tornem discípulos ajudando na construção do reino de Deus.
   Quando recebemos o batismo renascemos para uma nova vida, passamos a fazer parte de uma comunidade que nada mais é que a família do próprio Deus. Sendo assim como filhos de Deus somos seus herdeiros, pois o próprio Deus nos revelou seu Espirito através da pessoa de Jesus. E como tal devemos levar essa boa nova para todas as pessoas que encontramos ao longo do caminho, pois ser herdeiros não nos garante participar do reino, pois assim como Jesus precisamos merecer fazer parte do Reino de Deus.
   Como podemos então merecer participar do reino de Deus?
   Acreditando na Santíssima Trindade, que é o Pai que ama, o Filho amado e no Espírito Santo que através dos dois nos comunica seu amor e nos ensina amar.  Nessa dinâmica conseguiremos testemunhar com ações o amor e ajudar as pessoas que ainda não experimentaram este amor a conhecê-lo e a transmiti-los também.
Rosiani Corrêa Meirelles

sábado, 23 de maio de 2015

Pentecostes, os dons do Espírito Santo que animam a nossa missão (24/05/2015)

   Celebramos neste domingo a Solenidade de Pentecostes, após a sua Ascensão ao Céu, Jesus envia sobre os Apóstolos o Espírito Santo, ele que é fortaleza, sabedoria, ciência, conselho, entendimento, piedade e temor de Deus, com estes dons os Apóstolos sentem-se impulsionados para a missão de anunciar e denunciar, anunciar que chegou o tempo da graça, que por Jesus todos fomos libertos das amarras do pecado, denunciar todas as situações de morte que oprimi o povo, todo o poder ilegítimo que faz da perseguição uma forma de se manter no poder, foi contra isso que Jesus lutou entregando a própria vida, e os Apóstolos inspirados por este Espírito Santo também seguiram o exemplo do mestre se entregando completamente a este propósito. E nós o que vamos fazer com os nossos dons?
   Na narrativa dos Atos dos Apóstolos (At 2,1-11.), vemos que todos eles estavam reunidos no mesmo lugar, quando o Espírito Santo encheu a casa onde eles se encontravam, descendo sobre eles como línguas de fogos, eis que eles foram inspirados a falar, e falavam uma linguagem universal, pois cada um entendia em sua própria língua, em Jerusalém moravam pessoas de várias partes do mundo, e a mensagem de Jesus proferida pelas bocas inspiradas dos Apóstolos, não encontrou obstáculos para chegar aos ouvidos daquele povo.
   Em nossas igrejas temos que ter cuidados para não deturbar os dons do Espírito Santo, temos muitas pessoas que dizem ter dom disso e dom daquilo, hoje se fala muito e ninguém entende nada. Seria o pentecostes às avessas? Muitos se sentem oprimidos por não entenderem e por achar o seu dom menor que o dom do outro, precisamos mudar isso, mesmo depois que se espalharam pelo mundo os Apóstolos sempre se sentiram unidos no mesmo Espírito, seguindo o mesmo propósito, devemos fazer com que nossas igrejas sigam este exemplo de união, onde a soma de dons fazem o resultado, e não o individualismo, sozinhos não somos nada.
   Escrevendo aos Coríntios (1Cor 12,3b-7.12-13.), o Apóstolo Paulo nos fala que embora somos muitos, formamos um só corpo, por meio de cada um o Espírito Santo se manifesta, mas, nunca visando algo pessoal e sempre buscando o bem comum. Temos entre nós uma diversidade de dons, ministérios e atividades, mas, a um mesmo Deus, e todas as coisas são realizadas por Deus em todos nós, o seu Espírito Santo nos faz instrumentos nas mãos de Deus.
   Não importa as nossas diferenças, todos somos batizados num único Espírito, e em Cristo formamos um só corpo, com o mesmo objetivo, precisamos colocar as nossas diferenças de lado, respeitando a particularidade de cada um, e colocar os nossos dons a serviço do bem comum, hoje vemos que muitos usam da fé do povo para a ascensão pessoal, explorar a fé alheia é um dos mais terríveis crimes do mundo moderno, precisamos que os lideres de nossas igrejas se importem mais com o bem estar do seu rebanho do que preocupar-se em arrecadar cada vez mais, abandonando o povo a própria sorte, Jesus entregou a sua vida para que tenhamos vida em abundância e as igrejas tem a missão de promover isso.
   No evangelho segundo João (Jo 20,19-23.), vemos Jesus soprando o Espírito Santo sobre os Apóstolos que estavam trancados com medo dos judeus, eles recebem de Jesus a missão de ir pelo mundo inteiro para anunciar, denunciar, perdoar, curar e batizar, o Espírito Santo soprado sobre eles dar a coragem necessária para enfrentar os desafios e as perseguições do caminho desta missão, Jesus se coloca no meio deles para que eles em momento algum se sintam abandonados, e Jesus também hoje se faz presente em nossa missão, dizendo “A paz esteja convosco” (Jo 20, 19b.), precisamos acreditar e seguir em frente como fizeram os Apóstolos.
   Que esta Solenidade de Pentecostes desperte em nós os verdadeiros dons do Espírito Santo, não precisamos ficar inventando coisas para estar com maior destaque que os outros, Jesus confia a cada um de nós os dons necessários para o propósito que ele tem para nossa vida, o que devemos é colocar estes dons a serviço do Reino de Deus, sem oprimir, explorar e humilhar aqueles que necessitam da nossa ajuda, precisamos ajudar aos nossos irmãos a também colocar os seus dons a serviço, sendo mensageiros do Espírito Santo e animando a missão deles, Jesus confia em nós, batizados e aptos a missão, e não podemos desperdiçar este dom maravilhoso que recebemos de Jesus, pois o Espírito Santo reside em nós, e não podemos deixa-lo parado, que a paz de Jesus nos acompanhe em nossa missão.
Rubens Corrêa

sábado, 16 de maio de 2015

Ao subir ao céu, Jesus se faz presente nos irmãos necessitados (17/05/2015)

   Neste domingo celebramos a Solenidade da Ascensão do Senhor, após a sua ressurreição Jesus Cristo apareceu várias vezes aos discípulos, devolvendo a esperança a eles após a tragédia da cruz onde imaginaram que tudo havia acabado, nestes encontros com os discípulos Jesus relembrou a eles os ensinamentos que fez durante a sua jornada terrestre, para assim prepara-los para a missão de levar a boa notícia aos confins do mundo, ao subir ao céu Jesus entrega a eles a missão de fazer novos discípulos no mundo todo, mas, em nenhum momento os abandonam, ele se faz presente ainda hoje animando os nossos ministérios para mantermos firmes na caminhada.
   Vemos no livro dos Atos dos Apóstolos (At 1,1-11.) um relato do momento da Ascensão de Jesus ao céu, ele subiu ao céu na presença dos discípulos, mas, antes ele falou que os discípulos receberia em alguns dias o batismo do Espírito Santo e que a partir daí não mais haveria fronteiras para a missão, eles ficaram olhando o Senhor subir ao céu e dois homens vestidos de branco os alertaram que era preciso deixar de ficar simplesmente contemplando este momento e começar o exercício da missão.
   Em nossa caminhada por diversas vezes preferimos ficar somente na contemplação e não olhamos a dura realidade que afligem o nosso povo, somos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e isso deve nos impulsionar para mudar tudo aquilo que oprime e mata os nossos irmãos, os discípulos fizeram isso e deixou a missão para que continuemos, mas, é preciso parar de tentar ver Jesus lá no céu, pois ele se faz presente no olhar do irmão necessitado que está ao nosso lado.
   Na carta aos Efésios (Ef 1,17-23.) o Apóstolo Paulo mostra a grandeza que Deus realizou por meio de Jesus, ele demonstrou todo o seu poder ressuscitando Jesus dos mortos, colocando-o a sua direita no céu, a ele foi dado toda a autoridade, ele está acima de qualquer poder neste mundo e no mundo futuro, tudo está debaixo dos seus pés, e a nós ele dá a esperança de participarmos da riqueza desta glória, mas, para isso precisamos abrir os nossos corações e pedir a Deus sabedoria para conhecer verdadeiramente Jesus, e conhecer ele é também participar da construção do seu reino de amor, justiça e paz, não podemos cruzar os braços quando há tanto por fazer, recebemos a herança dos santos, que entenderam a mensagem e colocaram as suas vidas a serviço de quem mais precisava, eles seguiram o exemplo de Jesus, e nós devemos também seguir os exemplos deles, sempre confiando que Jesus caminha a nossa frente e nos prepara para a missão.
   No evangelho segundo São Marcos (Mc 16,15-20.) Jesus envia os discípulos para a missão e revela os sinais que os acompanharão durante esta jornada, e depois disso foi levado ao céu, sentando-se a direita de Deus. Eles acreditaram e seguiram para onde o Espírito Santo os conduziam, e Deus confirmava a sua palavra por meio dos sinais que a acompanhava, tudo o que os discípulos realizavam era em nome de Jesus, pois é ele que tem o poder de realizar, nada faziam para se promover, eles serviram com humildade e realizaram grandes prodígios, era Jesus que estava a frente das suas ações e falava através das palavras dos apóstolos.
   Hoje vemos que muitos usam o nome de Jesus para promoção pessoal, pessoas que afirmam realizar milagres a qualquer momento e a qualquer pessoa que possa pagar por eles, não foi assim que Jesus enviou os discípulos, sabemos que as igrejas como qualquer outra instituição necessitam de dinheiro para as despesas da missão, para obras sociais e para a manutenção das estruturas, mas, não podemos aceitar que tirar o dinheiro do povo seja a atividade principal das igrejas, Jesus nos enviou para libertar os nossos irmãos dos sofrimentos e privações da vida, enviou para que todos tenham vida abundante e não podemos corromper a missão, pois o Espírito Santo habita em nós.
   Que neste domingo Deus derrame abundantemente a sabedoria em nossas vidas, para que possamos compreender verdadeiramente a missão que o Cristo em sua ascensão ao céu nos confiou, descruzando os braços e colocando-se a caminho, sabemos que não estamos sozinhos, Jesus caminha ao nosso lado animando e encorajando a nossa missão, e isso podemos ver nos olhos e no sorriso dos irmãos a quem temos o privilégio de ajudar, e sabemos que é por Jesus que conseguimos levar a mensagem aonde ela precisa chegar, mas, não somente a palavra precisa chegar, também temos que levar o alimento e o agasalho para quem precisa, pois com fome e com frio os nossos irmãos jamais entenderam a graça abundante que há em Deus.
Rubens Corrêa

sábado, 9 de maio de 2015

Deus nos ama com um amor de mãe (10/05/2015)

   Neste domingo celebramos uma festa especial, o dia das mães, estas mulheres guerreiras que dedicam grande parte de suas vidas aos seus filhos, mãe é o mais belo e forte sinal do amor de Deus por nós. É sobre este amor infinito que vamos meditar neste domingo, Jesus nos deixou o principal mandamento, o amor a Deus está profundamente ligado em amar ao próximo, não podemos separar uma coisa da outra, Cristo ressuscitado é a nossa inspiração.
   Na leitura do Atos dos Apóstolos (At 10,25-26.34-35.44-48.) vemos Pedro na casa de Cornélio, ele não se coloca em destaque por ser apóstolo de Cristo, mas, se mostra como uma pessoa comum como qualquer outra, ao levantar Cornélio que estava aos seus pés, Pedro incluiu na comunidade dos cristãos todos aqueles que não eram judeus e que antes não eram aceitos no grupo, ele não fez nada de extraordinário, simplesmente se despiu de suas convicções para que pudesse ver como o Espírito Santo de Deus manifestava a sua glória descendo sobre os pagãos que aceitavam a fé. Em nossas comunidades muitas vezes agimos como aquele povo que se fechava dentro de seu grupo acreditando que a salvação iria chegar só para os escolhidos. Se fosse assim, porque Jesus enviou os discípulos para a missão de evangelizar e batizar a todos os povos? Existe sim salvação fora dos limites das nossas mentes, Deus é que está no comando deste projeto, somos somente instrumentos em suas mãos.
   Na primeira carta de São João (1Jo 4,7-10.) percebemos que o amor vem de Deus e é dom gratuito, ele demonstrou todo o seu amor nos dando o seu próprio filho para que pudéssemos encontrar a salvação, em Cristo ressuscitado estamos livres das nossas culpas, e o que Deus nos pede é que amemos os nossos irmãos, pois todos somos filhos do mesmo pai, este amor deve servir de impulso para que juntos lutemos por melhores condições de vida para todos, experimentar este amor de Deus é viver uma vida nova e plena, somos reconhecidos como filhos de Deus e o reconhecemos como o centro da nossa existência.
   No evangelho segundo São João (Jo 15,9-17.) Jesus nos revela que toda a lei se resume em amar o próximo com a si mesmo, encontramos no amor gratuito uma forma de permanecer em Cristo, e este amor não é somente da boca para fora, ele deverá estar em nossos gestos, palavras, olhares, este amor deverá ser sentido pelo próximo, é assim que Jesus faz conosco e assim devemos fazer com os irmãos.
   Deus não nos quer como escravos debaixo do julgo de suas leis, ele nos quer como amigos, livres para aceitar o caminho que ele nos oferece, devemos livremente procurar a Jesus e aprender com ele o caminho da salvação, ser amigos de Jesus é tomar conhecimento de todo o projeto de Deus e mais do que isso, é participar ativamente da construção do reino de Deus, pois Cristo nos enviou para darmos frutos e que os nossos frutos permaneçam, ele nos escolheu para este fim e sendo escolhidos recebemos todos os dias as bênçãos infinitas de Deus.
   Que neste domingo possamos com Jesus nos espelhar nos exemplos de muitas mães que como Maria entregam suas vidas para gerarem novas vidas, mães que são a forma mais sublime de percebermos a graça de Deus em nossas vidas, devemos aprender com nossas mães a amar de forma desinteressada, sem esperar nada em troca, precisamos levar este amor de mãe para o mundo todo, este amor que brota direto do coração de Deus e que contemplamos nos olhares de nossas mães, amor que cura, salva e liberta, este amor morou no ventre de Maria por nove meses e que depois disso ela conservou tudo em seu coração, então juntos com Jesus lutemos para transformar este mundo a partir do coração amoroso de Maria.
   Rogai por nós Santa Mãe de Deus.
Rubens Corrêa