sábado, 11 de julho de 2015

De dois em dois Jesus nos envia para a missão (12/07/2015)

   Neste domingo somos enviados para a missão de evangelizar o mundo todo, assim como os discípulos, Jesus nos envia de dois em dois para anunciar que chegou o tempo da graça de Deus, mas, nos caminhos desta missão encontramos muitos obstáculos e ter ao nosso lado alguém que compartilha da nossa missão, torna a jornada menos difícil e mais possível de ser percorrida, caminhar sozinho é sempre a pior escolha porque precisamos uns dos outros, nesta vida temos muito o que aprender e ensinar, e a convivência com os irmãos nos faz transformados e transformadores, juntos somos mais.
   Na primeira leitura (Am 7,12-15.) Amasias, sacerdote de Betel, orienta o profeta Amós a desistir da sua missão de anunciar o Senhor naquele lugar, dizendo para buscar refúgio em outras terras, mas, Amós resiste dizendo, “Não sou profeta nem sou filho de profeta; sou pastor de gado e cultivo sicômoros. O Senhor chamou-me, quando eu tangia o rebanho, e o Senhor me disse: Vai profetizar para Israel, meu povo.”
   Em nossa missão várias vezes nos deparamos com inúmeras razões para abandonar o nosso ministério, perseguições, mentiras, fofocas e exclusões, enfim são muitas coisas que podem tornar difícil o anuncio do evangelho, mas, Deus nos fortalece colocando pessoas em nossos caminhos, que não permitirão que desanimemos e que abandonemos a missão. Muitos profetas, apóstolos e mártires sofreram coisas terríveis e nunca se esqueceram de que Jesus sempre caminhava ao lado deles, e nós precisamos acreditar nisso e seguir o caminho mesmo em meio a tantas turbulências, ele nunca nos abandonará.
   Em sua carta aos Efésios (Ef 1,3-10.), Paulo nos diz que somos escolhidos para santidade desde antes da criação do mundo, em Cristo nos tornamos filhos do amor de Deus, com sua entrega na cruz, Jesus nos resgatou do pecado, Deus derrama abundantemente a sua graça sobre nós, abrindo-nos toda a sabedoria e prudência. “Ele nos fez conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio benevolente que de antemão determinou em si mesmo, para levar à plenitude o tempo estabelecido e recapitular, em Cristo, o universo inteiro: tudo o que está nos céus e tudo o que está sobre a terra.”
   Como reconhecer tudo o que Deus tem realizado em nossas vidas? Devemos em todo o momento de nossas vidas, louvar e bendizer o seu nome. Mas como podemos fazer isso? A melhor louvação a Deus é colocar-se a serviço daquele que necessita, de nada adiante dobrarmos os nossos joelhos, orarmos e cantarmos lindos hinos de louvores, se em nosso dia-a-dia ofendemos, enganamos e oprimimos os nossos irmãos. Paulo entendeu perfeitamente este chamado e entregou a sua vida a serviço do Reino de Deus, e nós somos chamadas a também servir a Deus por meio dos irmãos oprimidos e massacrados pelo sistema que visa exclusivamente o ganho de capital, não podemos nos omitir.
   No evangelho segundo Marcos (Mc 6,7-13.) Jesus envia os seus discípulos, de dois em dois, para a missão de evangelizar o mundo todo, eles recebem a instrução de não se apegarem a nada nesta jornada, levando exclusivamente aquilo que verdadeiramente necessitam, o acumulo de coisas torna-se um peso para esta caminhada. Jesus alerta-os que alguns não iriam acolher ao anuncio da boa nova, e que deveriam na saída sacudir a poeira dos pés como testemunho contra eles. Os doze discípulos partiram e em nome de Jesus realizaram muitos sinais.
   Enviando os seus discípulos, Jesus concede a eles o poder sobre os espíritos impuros, mas, em nenhum momento pede a eles que imponha os seus ensinamentos, todos somos livres para abraçarmos ou não a fé em Jesus, partindo em dois para a missão os discípulos tem na pessoa do outro uma força motivadora e a ligação com Jesus, e isso faz com que não desviem do caminho e dos ensinamentos do mestre.
   Hoje vemos que muitos falam em nome de Jesus, mas, usa da religião como forma de oprimir os outros e obter lucro à custa da fé alheia, vemos tantas brigas entre as mais diversas denominações do cristianismo, se seguimos doutrinas diferentes devemos achar aquilo que nos une e respeitar as diversidades, pois cremos no mesmo Deus que é pai de todos. Cristãos de todas as denominações, é hora de parar de brigar entre si e unir forças para lutar contra as injustiças que oprimem o povo.
Rubens Corrêa

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Enviados por Deus e rejeitados pelos seus: “Um profeta só não é estimado em sua pátria” (05/07/2015)

   Introdução geral
   Como comunidade de fé, vamos seguindo o caminho espiritual e pedagógico, proposto pelo ano litúrgico, acompanhando Jesus em seu itinerário pascal e, pouco a pouco, descobrindo seu jeito de ser.
   Neste domingo, Marcos nos fala da rejeição dos contemporâneos de Jesus, que o enxergam somente com os olhos humanos. Somos convidados a renovar nossa fé e adesão a Ele, o Filho de Deus, encarnado na história humana.
   Celebramos a páscoa do Senhor que nos envia como profetas a anunciar a Boa Notícia em todos os cantos da terra.

   Comentário dos textos bíblicos
   Evangelho (Mc 6,1-6): O profeta é desprezado na própria terra
   O Evangelho de Marcos apresenta o episódio da visita de Jesus a Nazaré, sua pátria, onde a incredulidade contrasta com a fé expressa nos milagres anteriores, com o reconhecimento de seu poder de ressuscitar até os mortos (Mc 4, 35-5,43). Nazaré era uma aldeia da Galileia (1,9), pequena e insignificante (Jo 1,46). O ensino de Jesus ao serviço da vida plena é acolhido por muitas pessoas, mas também rejeitado por outras.
   Ao chegar o “sábado”, Jesus começou a ensinar na sinagoga. Suas palavras suscitam admiração nos ouvintes: “De onde lhe vem isso? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E esses milagres realizados por suas mãos?” (6,2)
   O ensino de Jesus revela que Ele é o Messias Servo, enviado pelo Pai para oferecer a vida em plenitude. Muitas pessoas não reconhecem a presença de Deus no “carpinteiro, o filho de Maria” (6,3), pois esperavam um Messias poderoso e triunfalista. Por causa do ambiente geral de rejeição e incredulidade, Jesus realizou apenas alguns milagres de cura.
   I leitura (Ez 2,2-5): O profeta anuncia, quer escutem quer não.
   A leitura do profeta Ezequiel é parte da missão que Deus confia ao profeta em 2,1-3,15. Ezequiel está “caído no chão” (1,8), prostrado como o povo no exilio em Babilônia. Porém, Ele se deixa mover pelo Espírito do Senhor, que o coloca em pé, em atitude de prontidão. Assim, ele ouve a voz de Deus que toma a iniciativa do chamado e o envia a anunciar sua Palavra aos Israelitas. Ezequiel recebe a missão de falar em nome de Deus a um povo rebelde. O êxito é garantido pela força da Palavra do Senhor que, mesmo, rejeitada, realiza o objetivo: “Quer te escutem, quer não, saibam que houve um profeta ente eles” (2,5). Deus não abandona o povo, não obstante suas infidelidades. Ao longo da história, Ele envia profetas para conduzi-lo no caminho da aliança.
   O Salmo 112 (123) é uma súplica confiante que convida a “levantar os olhos” para o Senhor em meio às aflições da vida.
   II leitura (2 Cor 12,7-10) Prefiro gloriar-me de minhas fraquezas
   A leitura da segunda carta aos Coríntios integra a última parte da carta (10,1-13,10), que ressalta a força de Deus manifestada na fraqueza, como na cruz de Cristo.
  “Por causa de Cristo”, Paulo sofreu humilhações, necessidades, perseguições, e angústias. O caminho de identificação com Jesus leva a reconhecer que “quando somos fracos, então é que somos fortes”. A presença do Senhor fortalece o ministério apostólico de Paulo, como outrora o de Jeremias (Cf. Jr 15,20-21).

   Pistas de reflexão
   A sabedoria das palavras de Jesus de Nazaré e as ações compassivas de suas mãos deixavam as pessoas maravilhadas ‘bebendo’ seus ensinamentos (Mc 6,2).
   Paulo ensina a deixar-se conduzir pela graça do Senhor, em meio aos desafios decorrentes da missão apostólica.
   O profeta Ezequiel denunciou as infidelidades à Palavra, que causaram a catástrofe do exílio na Babilônia. Enviado por Deus, ele anunciou a Palavra que não pode silenciar diante das injustiças e das opressões.
   Os verdadeiros profetas encontram rejeição na sociedade e na Igreja: Gandhi, Luther King, Oscar Romero, Irmão Dorothy, Ezequiel Ramin (24/07/1985) e tantas outras pessoas que deram a vida em prol de um mundo novo de justiça e da fraternidade, a ser construído através do compromisso de todos. 

Luis Filipe Dias


sábado, 27 de junho de 2015

São Pedro e São Paulo, alicerces fortes de uma igreja missionária (28/06/2015)

   Celebramos neste domingo a Solenidade de São Pedro e São Paulo, vemos nestes dois apóstolos os pilares da igreja de Jesus, Pedro foi a pedra que serviu para alicerce para a igreja construída por Jesus, e Paulo em suas inúmeras cartas espalhou o evangelho pelo mundo todo, abrindo o caminho da salvação também aos pagãos, temos muito a aprender com a vidas destes apóstolos, eles como nós, humanos e pecadores, também cometeram muitos erros, mas, abriram seus corações à infinita misericórdia de Deus.
   No livro dos Atos dos Apóstolos (At 12,1-11.), vemos como era dura a perseguição de Herodes e do povo judeu contra os cristãos, Tiago irmão de João foi morto à espada, e Pedro foi encarcerado com forte vigilância, e a comunidade manteve-se em oração a Deus pedindo pela libertação de Pedro. Eis que o anjo do Senhor apareceu a Pedro, “Levanta-te depressa!” e no mesmo instante as correntes caíram por terra, e disse a ele, “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!”, ele obedeceu e o anjo continuou, “Põe tua capa e vem comigo!”. Somente depois de passar por todos os guardas e atravessar os portões é que Pedro caiu em si vendo que tudo aquilo era verdade, “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!”
   Em nossa caminhada de fé nos deparamos com muitos desafios que por diversas vezes nos impede de continuarmos a nossa jornada, aquela comunidade acreditou sendo fiel nas orações a Deus, e eis que a graça foi alcançada, precisamos confiar mais no poder da oração, pois ela é capaz de nos livrar dos cárceres dos nossos medos e comodismo, ela é que pode libertar as nossas mãos das correntes da inveja, da opressão e da omissão, Pedro foi liberto para se colocar a serviço do evangelho, e nós também devemos nos libertar daquilo que nos atrapalha a servir a Deus e aos irmãos de forma plena e desinteressada.
   Na carta a Timóteo (2Tm 4,6-8.17-18.), o apóstolo Paulo faz um balanço da sua missão, “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé.” Ele reconhece que foi o Senhor que lhe deu forças que anunciar o evangelho pelo mundo, e que Deus o livrou de muitos perigos zelando por sua vida, e que era chegada a hora da sua partida para receber a coroa da justiça, que o Senhor reserva para todos os que esperam no amor a gloriosa manifestação do Senhor.
   Encarcerado e próximo da morte, seria muito fácil de qualquer um questionar, “Onde está Deus?” Mas, Paulo fez diferente, olhando para sua jornada de vida, ele viu que Deus o fez forte para anunciar o evangelho, e que era o momento de entregar a sua vida para que muitas outras fossem resgatadas, meditar sobre a missão de Paulo é encontrar em Jesus sempre uma oportunidade de mudar radicalmente de vida, passar de perseguidor para perseguido por causa do Reino de Deus. E nós que tantas vezes pensamos que os nossos problemas são insuportáveis, será que conseguiríamos passar pelo o ele passou? Precisamos orar e confiar mais no Senhor para assim como Paulo, podermos completar a nossa missão.
   No evangelho segundo Mateus (Mt 16,13-19.), Jesus busca saber o que o povo diz a seu respeito, “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” e os discípulos respondem, “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”, mas, Jesus vai mais além, e quer saber daqueles que caminham, comem e convivem com ele, o que pensam a seu respeito, e Simão responde, “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo isso Jesus afirma que Simão não foi influenciado por ninguém na terra, e que ele foi inspirado por Deus em sua resposta, e lhe dá o nome de Pedro, pedra fundamental para a construção da sua igreja, e que o poder do inferno jamais poderá vencê-la.
   Em nosso dia-a-dia queremos moldar Jesus pela nossa conveniência, hoje vemos que muitas igrejas usam o nome de Jesus para extorquir os seus fieis, fazendo do anuncio do evangelho uma forma de obter um lucro certo, fácil e livre de impostos, Pedro reconheceu a divindade de Jesus e em sua missão levou a quem mais precisava, o Jesus misericordioso que deu a vida para que os outros tivessem vida abundante, jamais usufruiu dos privilégios de ser o apóstolo escolhido por Jesus para continuar a sua missão, e Jesus entregou a ele as chaves do Reino dos Céus, “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.
   Que nesta Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, possamos nos inspirar nestes exemplos de vida comprometida com Deus e com o próximo, com eles aprendemos que o Reino de Deus é para todos, e que ninguém tem autoridade de excluir o próximo da graça de Deus, eles que dedicaram até os últimos instantes das suas vidas ao anuncio do evangelho, serviam a Jesus em uma época onde se morria por isso, e nós que somos livres para escolher a nossa fé, não podemos simplesmente nos limitar aos momentos de louvores em nossos templos, Jesus nos chama a testemunhar o evangelho com nossas vidas justamente aonde os louvores das igrejas não chegam, nas igrejas buscamos a força que nos impulsiona a missão pelo mundo todo e Jesus está conosco assim como acompanhou Pedro e Paulo até o momento da sua partida.
Rubens Corrêa



sábado, 20 de junho de 2015

Com Jesus em nosso barco, vencemos as tempestades da nossa vida (21/06/2015)

   Neste domingo somos chamados para juntos com Jesus meditarmos sobre as tempestades das nossas vidas, por diversas vezes nos vemos em momentos difíceis onde o medo toma conta de todo o nosso ser, em várias ocasiões questionamos Deus sobre aquilo que nos aflige, a verdade é que somos infinitamente pequenos frente à grandeza do amor de Deus por nós, o que precisamos é confiar neste amor e na companhia de Jesus seguir a travessia de nossas vidas, mesmo em meio às tempestades, sabemos que com ele o nosso barco jamais afundará.
   Na leitura do livro de Jó (Jó 38,1.8-11.) vemos que Deus é o Senhor de toda a criação, ele tem poder sobre o mar, a terra e o céu, ele controla as nuvens, as névoas, os ventos, as tempestades e as ondas do mar.
   Deus criou tudo perfeito, mas o ser humano também quis demonstrar o seu poder, desmatou, poluiu, aterrou, nós seres humanos conseguimos deixar o nosso rastro de destruição em toda a criação de Deus, estamos destruindo a terra, a mar e o céu, mas, a pior destruição está no que o homem faz com o seu semelhante, precisamos dar um basta nesta triste realidade, Deus nos quer como colaboradores na sua criação, e nos diz, “Até aqui chegarás, e não além; aqui cessa a arrogância de tuas ondas?”
   O apóstolo Paulo fala aos Coríntios (2Cor 5,14-17) que estando em Cristo somos criaturas novas, o velho mundo desapareceu, Jesus faz nova todas as coisas, ele morreu para nos dar vida, não podemos viver por nós mesmos, devemos viver por aquele que se entregou, morrendo e ressuscitando por nós.
   Viver por Jesus é fazer a sua vontade, é usar de misericórdia para com aqueles que dela precisam, é promover a vida digna para todos independente das escolhas de cada um para sua vida, é lutar por justiça e igualdade mesmo quando tudo for desfavorável, é também respeitar aqueles que têm a crença diferente de nós e ajudá-los a também respeitarem as diferenças, viver para Jesus vai muito além de dobrar os joelhos em adoração nas igrejas, é fazer das suas lutas uma eterna adoração ao Deus da vida, sendo sinais de esperança para o mundo.
   O evangelista Marcos (Mc 4,35-41.) nos mostra Jesus acalmando a tempestade, durante a travessia do mar, Jesus dormia na parte de trás do barco, os discípulos estavam amedrontados pelo vento impetuoso e pelas fortes ondas que eram lançadas contra o barco, e foram até ele questionar, “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”, ele se levantou e ordenou, “Silêncio! Cala-te!”, no mesmo instante o que se viu foi uma grande calmaria, e disse as eles porque eram tão medrosos, questionando se ainda não tinham fé.
   Em nossas vidas, várias vezes sentimos o medo tomar conta de nós, e pensamos que o nosso barco vai afundar, sabemos que existe muitos problemas familiares, sociais, religiosos e até problemas com nós mesmos, sempre imaginamos que as nossas tempestades são mais terríveis que as dos outros, achamos que sofremos mais que as outras pessoas, e nos vemos longe de vencer os nossos medos, a verdade é que sempre esquecemos que Jesus navega no nosso barco, não para acalmar as tempestades, mas, para nos ajudar a vencer o medo da travessia, ele nos enche de esperança e confiança para enfrentar as diversidades da vida.
   Os discípulos com medo questionavam entre si, “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”(Mc 4,41b.), nós não somos diferentes deles, e não reconhecemos o poder que Jesus tem, achamos que estamos sozinhos em toda a jornada da nossa vida, mas, ele é o Senhor de toda a história, está presente em cada etapa da nossa vida, quando os ventos e as ondas tornam a travessia mais difícil, é ele que nos dá a força e a perseverança para seguirmos rumo a outra margem da nossa vida, com ele nos sentimos amados e seguros.
   Que neste domingo aprendamos com Jesus a vencer o medo da travessia, que saibamos confiar nele sem se abater pelos ventos e pelas ondas, e mais do que isso que sejamos sinais de fé e esperança que animam a travessia dos nossos irmãos, demonstrando o grande amor de Deus por nós, para que juntos possamos chegar à outra margem desta travessia rumo ao reino de Deus.
Rubens Corrêa

sábado, 13 de junho de 2015

Em Jesus, somos as pequenas sementes da nova sociedade (14/06/2015)

   Neste domingo refletimos como a presença de Deus se manifesta em nossas vidas, ele faz pequenas inserções no nosso dia a dia, coisas pequenas e que muitas vezes deixamos passar sem notar, mas, que geram grandes e profundas transformações em nosso ser e em nossas famílias. Quantas coisas que não entendemos e que temos a certeza que Deus está à frente delas? Nós somos somente parte da criação perfeita de Deus, e devemos a todo instante bendizer e louvar a Deus por tantos dons que todos os dias ele faz brotar no meio do povo, sendo a força transformadora desta sociedade, onde temos direitos e deveres iguais, mais do que criaturas, somos filhos do amor de Deus.

   Na leitura da profecia de Ezequiel (Ez 17,22-24.) vemos que todo o poder vem de Deus, somente ele poderá fazer uma árvore seca brotar e produzir muitos frutos, da mesma forma, poderá tornar seca a árvore verde. Ele tirou o galho da copa do cedro, e de seus ramos arrancou um broto plantando-o em um elevado monte, dele surgiram muitos frutos e tornou cedro majestoso, onde encontramos alimento e abrigo.
   Está em Deus a força que nos impulsiona a transformação da nossa vida, com ele ninguém está perdido, ele pode tornar bom aqueles que caminham nas trevas, e que decidem mudar de vida, o sacrifício de Jesus na cruz nos trouxe uma oportunidade de encontrarmos vida nova e plena, hoje somos frutos deste amor incondicional que se entrega até o fim.

   Em sua carta aos Coríntios (2 Cor 5,6-10.) o apóstolo Paulo nos diz que morando em nossos corpos somos peregrinos longe de Deus, pois caminhamos com fé e não com a clara visão, mas, enquanto habitamos neste corpo, devemos empenhar-nos em tornar nossa vida agradável a Deus, pois um dia todos nós estaremos na presença de Jesus para apresentar com foi a nossa vida. E iremos apresentar o quê para Jesus?
   Em nosso meio muitos vivem como se fossem eternos e únicos, oprimem, vivem trapaceando os outros, caluniam e ofendem os irmãos, e usam os outros como degraus na escada de sua acessão a qualquer custo, um dia a nossa vida acaba e nada disso irá depor a nosso favor. Jesus fez diferente, ele não usou os outros para se promover, ele fez das necessidades do próximo a sua missão de vida, ele se entregou para que fossemos libertos das amarras do pecado, e nós que somos seus discípulos devemos fazer o mesmo, promover a igualdade, para que todos tenham vida em abundância.

   No evangelho (Mc 4,26-34.) Jesus usa de parábolas para ensinar o povo, compara o Reino de Deus as sementes lançadas na terra, que enquanto a agricultor dorme, germina, cresce, floresce e produz frutos, quando chega o tempo ele colhe os frutos. Também diz que o Reino de Deus é como a semente de mostarda que é a menor das sementes, e quando cresce se torna a maior das hortaliças. Como entender estas palavras de Jesus?
   O Reino de Deus começa em nossas vidas sem que percebamos enquanto dormimos na fé, Deus age como aquela terra que vai geminando e nutrindo a semente, ela cresce, aparecem as folhas, floresce e surgi os primeiros frutos, e nós não sabemos como Deus vai agindo em nossas vidas, percebemos que o Reino de Deus começa em nossas vidas, pequeno como a semente de mostarda, e que toma dimensões incríveis e mal sabemos como começou, mas, esta semente que germinou em nós e se tornou grande, deve servir de sombra, descanso e abrigo para aqueles que mais necessitam, não podemos desperdiçar estes dons, de nada adianta termos encontrado Jesus sem leva-lo a quem mais precisa dele, esta é nossa missão.
   Que neste domingo possamos dar o passo inicial para uma nova caminhada de fé, sabemos que somos pequenos frente à imensidão deste mundo, mas, sabemos que Deus está ao nosso lado e que Jesus anima nossa jornada, mesmo tendo vivido durante muito tempo no erro, Deus nos transforma em novas criaturas, e nos pede que façamos esta viagem ao seu encontro despojados de toda a vaidade e orgulho, de coração renovado pelo sacrifício de Jesus na cruz, para que os frutos de nossas vidas sirvam de inspiração para os nossos irmãos que encontram dificuldade de iniciar o caminho, somos responsáveis em levar o nome de Jesus a todos os cantos da terra, e isso devemos fazer sem oprimir, criticar e forçar os nossos irmãos, cada um tem o momento certo de se abrir para a infinita graça e o imenso amor de Deus.
Rubens Corrêa

terça-feira, 2 de junho de 2015

“Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.(07/06/2015)

   Introdução geral
   Continuamos o nosso itinerário espiritual, seguindo os passos de Jesus. Este ano temos como nosso guia espiritual o evangelista Marcos (ciclo B), que nos coloca frente a frente com Jesus Cristo, o Messias, que vem instaurar o Reino de Deus e não vem de forma triunfante, mas como o servo sofredor, perseguido e executado na cruz. Somos todos parte integrante da família de Deus. Esta é uma realidade nova apresentada pelo evangelho. A liturgia nos ajuda a entrar neste mistério de intimidade com Deus como membros ativos. Convoca-nos a sermos parte da família de Deus, a qual não tem fronteiras de nenhum tipo nem critérios que consideram uns superiores aos outros. É um grupo aberto a todos e todas que queiram fazer a vontade de Deus, estar ao seu redor, serem seus amigos.
   Recordando a Palavra
   Evangelho (Mc 3,20-35): Tudo vos será perdoado
   O trecho do evangelho de Marcos está colocado após a escolha dos Doze (Mc 3,13-19) e antes das parábolas sobre o Reino de Deus (Mc 4, 1-34). Ele revela que a escuta da Palavra é condição essencial para ser discípulo de Jesus e participar de sua comunidade. A multidão sofrida acorre a Jesus, vinda de várias regiões, com a esperança de libertação (Mc 3,7-12). O caminho do discipulado leva a compreender “o mistério do reino de Deus” (Mc 4,11), que se revela, aos poucos, em Jesus, o Cristo e Filho de Deus.
   Os que acolhem os ensinamentos de Jesus realizam a vontade de Deus. Jesus o afirma de forma clara: ”Eis minha mãe e meus irmãos” (3,34-35). A comunidade de irmãos e irmãs é formada pelas pessoas que aderem a Jesus e manifestam a presença do Reino de Deus através de palavras e ações.
   I leitura (Gn 3, 9-15): E, chamando-os, disse o Senhor: “Onde estás?”
   A leitura do livro do Genesis pertence a um bloco maior em que fala de toda a realidade humana. Adão, “tirado da terra”, e Eva, “mãe dos viventes”, representam o ser humano. A ambição em querer ser igual a Deus afasta do caminho de felicidade desejado por Deus. Os caminhos contrários aos ensinamentos do Senhor rompem a harmonia do paraíso, a comunhão fraterna. A promessa da vitória sobre a serpente pela descendência de Eva, a mãe dos viventes (3,15), realiza-se plenamente em Jesus, cuja entrega proporciona a vida eterna ao ser vivente.
   O Salmo 129 (130), de romaria, expressa o clamor cheio de confiança a Deus, o único que pode salvar. O salmista espera no Senhor e em sua Palavra libertadora, mais que a sentinela pela aurora, após uma noite de vigilância. O motivo da confiança absoluta é que no Senhor encontra-se misericórdia e copiosa redenção.
   II leitura ( 2 Cor 4,13-5,1):O Senhor nos dará o perdão e a sustentação
   Este trecho de Paulo salienta a audácia apostólica e a confiança na graça do Senhor. Paulo, em meio ás tribulações testemunha: “Eu tive fé e, por isso, falei” (2 Cor 4,13). A fé ativa imbuída da força do espírito suscita o testemunho e o anúncio da Boa-Nova de Jesus. A razão da fé este em Deus, que ressuscitou Jesus e que ressuscitará o ser humano com Ele, conduzindo-o à comunhão eterna em sua presença. A adesão a Jesus, no caminho do discipulado, faz a comunidade transbordar de ação de graças para a glória de Deus.  A imagem da tenda dos nômades no deserto ensina a “renovar dia a dia nosso interior”.
   O mistério da graça de Deus, que atua em nossa fragilidade, e o testemunho vivo de Jesus nos guiam no caminho dos valores do Reino, que permanecem para sempre. Paulo lembra que o essencial é confiar no Senhor: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força realiza-se plenamente” (2 Cor 12,9).
   Atualizando a Palavra
   A verdadeira família de Jesus é formada por aqueles que escutam seu ensinamento e praticam a vontade de Deus, no caminho do discipulado. Com seguidores e seguidoras de Cristo, somos chamados a formar comunidades fraternas de irmãos e irmãs, trabalhando para vencer as forças contrárias ao reino, que tentam enfraquecer a nossa missão ao serviço do Evangelho.
   Paulo, enquanto sofre a cada dia por causa do Evangelho no seu ministério, renova a fé e a esperança na ressurreição de Cristo. Os desafios da evangelização, as tribulações e os receios tornam-se pequenos comparados à alegria da glória plena no Senhor da vida porque “trazemos este tesouro em vasos de barro” (2 Cor 4,7) e em nós se manifesta a graça.
Luis Filipe Dias

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – Festa de Corpus Christi (04/06/2015)

   Corpo e Sangue da nova aliança: Deus fez aliança com Israel ao libertá-lo do Egito. Esse pacto foi instituído por meio de um rito. Primeiramente, o sangue do cordeiro foi derramado em substituição da vida dos primogênitos hebreus. Depois o rito continuou na celebração de uma refeição, a ceia pascal, memorial de libertação, celebrada a cada ano pelos filhos de Israel para atualizar aquele evento fundador e paradigmático da religião bíblico-judaica.
   Comentário dos textos bíblicos
   Evangelho (Mc 14,12-16.22-26): Tomai e comei, isto é o meu Corpo.
   No Oriente antigo, o sangue simbolizava a totalidade da vida de um ser, animal ou humano. Por isso, quando o sangue de um animal era oferecido a Deus, na verdade o que se ofertava era a vida da pessoa que fazia a oferenda.
   O termo sacrifício significa “tornar sagrado”; portanto, quando o sacerdote colocava o sangue do animal sobre o altar, a vida da pessoa ofertante é que se tornava sagrada, ou seja, consagrada a Deus. A ideia de “Sacrifício” não tinha a atual conotação de “realização de algo difícil ou penoso”, mas de santificação ou sacralização da vida.
   Antes de derramar o sangue na cruz, Jesus fez de sua vida uma oferta a Deus e à humanidade. Por isso ele antecipa, no gesto profético da última ceia, o que se dará no momento culminante do dom de si mesmo, a morte na cruz. É por causa de uma vida inteira ofertada, a Deus e ao outro, que a morte de Jesus, cume dessa oferta, pode ser chamada de sacrifício. A vida inteira de Jesus é sacrifício, é uma vida consagrada, santificada. Jesus oferta a própria vida como nosso representante.
   Sua obediência e fé integral nos substituem, já que não conseguimos ser obedientes e fiéis da mesma forma. Sua vida humana sem pecados nos liberta do pecado, sua ressurreição nos liberta da morte. Em tudo isso Jesus nos representa e nos substitui. Cessam daqui por diante os antigos sacrifícios de animais. O sangue, a vida ofertada da nova aliança é o que vigora doravante.
   As palavras do Senhor: “Isto é o meu corpo... isto é o meu sangue”, “tomai e comei... tomai e bebei”, deveriam nos recordar de que nos compete assimilar em nossa vida as características da vida de Jesus.
   Dessa forma, no Corpo e Sangue de Cristo vive e cresce a Igreja, com os fiéis continuamente se alimentando de amor, de fidelidade, de doação ao outro, de perdão e de todos os aspectos de vida de Jesus.
   O Corpo e sangue de Cristo são centro e sustentáculo da vida cristã. Por isso, quem deles se alimenta há que aceitar participar da doação de vida realizada por Cristo, em adesão à vontade do Pai e em doação ao próximo. Assim, por meio da Eucaristia, os fiéis vivem o mistério da vida, morte e ressurreição de Cristo, celebrando agora a comunhão sem fim na glória eterna. 
   I leitura (Ex 24,3-8): Este é o sangue da aliança que o Senhor fez convosco
   A expressão “sangue da aliança” remete a Êxodo 24,8, à aliança no Sinai selada com o sangue de animais. O profeta Jeremias anunciou a nova aliança (Cf. Jr 31,31-34), que foi selada definitivamente em Cristo “pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, perfeita e realizada de uma vez por todas” (Cf. Hb 10,10). O “sangue derramado em favor de muitos” alude, de modo especial, a Isaías 53,12 e indica que Jesus é o Servo sofredor por excelência, que entrega a vida pela salvação da humanidade. A Eucaristia torna-se o memorial da nova aliança, plenificada na morte redentora de Cristo.
   A leitura do livro do Êxodo descreve a conclusão da aliança no Sinai entre Deus e o povo. Moisés, depois de fazer a experiência do encontro com o Senhor (19,3;24,1-2), reúne o povo e comunica “todas as palavras e todos os decretos do Senhor” (24,3). Trata-se especialmente dos dez mandamentos (20,1-21) e do código da aliança (20,22-23.33). O povo compromete-se a seguir o caminho da aliança, que proporciona a comunhão com Deus e entre si: “Faremos tudo o que o Senhor nos disse” (24,3).
   O salmo 115 (116) é uma oração de louvor e ação de graças ao Senhor, pois foram quebradas as cadeias da opressão. O salmista ergue o cálice da salvação e invoca o nome do Senhor, como sinal de compromisso.
   II leitura (Hb 9,11-15): Cristo ofereceu a si mesmo como oferta sem mácula
   A leitura da carta aos Hebreus acentua que Cristo ressuscitado é o novo sacerdote, que entrou no santuário através da tenda maior e mais perfeita. Com a única oferenda de si mesmo, levou à perfeição para sempre os que Ele santifica (Cf. 10,14), superando os sacrifícios antigos.
   Como a conclusão da aliança se realizava mediante a efusão de sangue (Ex 24.6-8), a nova aliança revela-se plenamente na morte redentora de Cristo em favor de toda a humanidade. Assim, Cristo é ressaltado com “mediador da nova aliança” (9,15).
   Ligando a Palavra com a ação eucarística
   A Eucaristia é o memorial do mistério pascal de Cristo, sela paixão, morte e ressurreição. Deus sela a aliança eterna e definitiva com a humanidade através da oferenda única e perfeita de Jesus (Hb 10,10-18), que é atualizada na liturgia por meio da ação do espírito Santo. Ao comungarmos do corpo e sangue, em cada celebração, “estaremos proclamando a morte do Senhor, até que Ele venha” (1 Cor 11,26), comprometidos  a formar o autêntico corpo eclesial.
   Esta Solenidade faz eco da celebração de Quinta-feira Santa e nos faz reviver os mesmos acontecimentos de forma mística e concreta: celebramos o mistério da entrega do Senhor Jesus.
   A Eucaristia é o memorial perene de Sua Paixão, o cumprimento perfeito das figuras da Antiga Aliança e o maior de todos os milagres de Cristo.
Luis Filipe Dias