domingo, 12 de junho de 2016

“Tua fé te salvou. Vai em paz!” (12/06/2016)

   Neste domingo Jesus nos chama a vencer todas as seduções do pecado, ele nos mostra que é possível recuperar aquilo o mundo julga como perdido, mas para isso é preciso uma profunda transformação, experimentando Jesus não podemos mais trilhar os caminhos que nos leva ao erro, e muitas vezes erramos ao fazer da lei de Deus um fardo pesado que colocamos nos ombros dos outros, com seu amor Cristo nos ensina a olhar para o irmão com misericórdia devolvendo-lhe a dignidade de um verdadeiro filho de Deus.
   Na primeira leitura (2Sm 12,7-10.13.) vemos como o pecado seduz o ungido do Senhor: “Naqueles dias, Natã disse a Davi: ‘Esse homem és tu! Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Eu te ungi como rei de Israel, e salvei-te das mãos de Saul. Dei-te a casa do teu senhor e pus nos teus braços as mulheres do teu senhor, entregando-te também a casa de Israel e de Judá; e, se isto te parece pouco, vou acrescentar outros favores. Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que lhe desagrada? Feriste à espada o hitita Urias, para fazer da sua mulher a tua esposa, fazendo-o morrer pela espada dos amonitas. Por isso, a espada jamais se afastará de tua casa, porque me desprezaste e tomaste a mulher do hitita Urias para fazer dela a tua esposa’. Davi disse a Natã: ‘Pequei contra o Senhor’. Natã respondeu-lhe: ‘De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado, de modo que não morrerás! Entretanto, por teres ultrajado o Senhor com teu procedimento, o filho que te nasceu morrerá’”.
   Como a sedução do pecado nos torna pequenos e mesquinhos? Nem mesmo um ungido do Senhor está livre de cair no erro, Davi se deixou levar pelo desejo de possuir a mulher de outro e usando o poder que tinha atentou contra a vida de um inocente para satisfazer os seus desejos, assim também nós por diversas vezes podemos ser tentados a deixar alguém em risco prol dos nossos anseios, todo mal que praticarmos contra os outros nos trará sérias consequências, nada ficará impune, devemos sempre pedir a Deus que nos livre do mal, mas devemos também nos manter vigilantes para que o pecado não venha nos seduzir e tirar-nos da presença de Deus.
   Em sua carta aos Gálatas (Gl 2,16.19-21.) o apóstolo Paulo nos diz: “Irmãos: Sabendo que ninguém é justificado por observar a Lei de Moisés, mas por crer em Jesus Cristo, nós também abraçamos a fé em Jesus Cristo. Assim, fomos justificados pela fé em Cristo e não pela prática da Lei, porque pela prática da Lei ninguém será justificado. Aliás, foi em virtude da Lei que eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Com Cristo, eu fui pregado na cruz. Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim. Esta minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e por mim se entregou. Eu não desprezo a graça de Deus. Ora, se a justiça vem pela Lei, então Cristo morreu inutilmente”.
   Paulo nos alerta que vivendo somente pela lei nos tornaremos menos humano e mais legalista, Cristo não veio abolir a lei, mas com a sua misericórdia e o seu amor veio resgatar aqueles que foram colocados a margem da sociedade pelo cumprimento duro da lei, era preciso dar nova chance aqueles se encontravam perdidos fora do convívio social e muitos aproveitaram esta chance fazendo da sua vida um verdadeiro testemunho do amor de Deus, foi por amor a nós que Jesus se entregou na cruz e nós devemos nos entregar por inteiro, corpo e alma, a esse imenso amor, já não somos nós que vivemos, mas é Cristo que vivem em nós, e as nossas palavras e atitudes devem transparecer isso para o mundo.
   No evangelho (Lc 7,36-39.) Lucas nos revela um Jesus misericordioso: “Naquele tempo, um fariseu convidou Jesus para uma refeição em sua casa. Jesus entrou na casa do fariseu e pôs-se à mesa. Certa mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que Jesus estava à mesa, na casa do fariseu. Ela trouxe um frasco de alabastro com perfume, e, ficando por detrás, chorava aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, enxugava-os com os cabelos, cobria-os de beijos e os ungia com perfume. Vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: ‘Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora’”.
   Ao se lançar aos pés de Jesus, esta mulher manchada pelo pecado encontra nele o consolo para as aflições da sua vida, não temendo o que poderia acontecer ela se lançou por inteiro aos pés daquele que poderia devolver-lhe a vida, com suas lágrimas de angustia lavou os pés de Jesus, com humildade secou com seus cabelos e reconhecendo a sua realeza ungiu os seus pés com um fino perfume. A postura do fariseu retrata fielmente a sociedade daquela época, um julgamento duro e muito distante da misericórdia, podemos dizer que não é muito diferente do que vemos hoje em nossa sociedade, onde todos aqueles que julgamos não prestar são colocados para fora do nosso convívio.
   (Lc 7,40-8,3.) “Jesus disse então ao fariseu: ‘Simão, tenho uma coisa para te dizer’. Simão respondeu: ‘Fala, Mestre!’ ‘Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentas moedas de prata, o outro, cinquenta. Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou os dois. Qual deles o amará mais?’ Simão respondeu: ‘Acho que é aquele ao qual perdoou mais”. Jesus lhe disse: ‘Tu julgaste corretamente’. Então Jesus virou-se para a mulher e disse a Simão: ‘Estás vendo esta mulher? Quando entrei em tua casa, tu não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas e enxugou-os com os cabelos. Tu não me deste o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. Tu não derramaste óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco, mostra pouco amor’. E Jesus disse à mulher: ‘Teus pecados estão perdoados’. Então, os convidados começaram a pensar: ‘Quem é este que até perdoa pecados?’ Mas Jesus disse à mulher: ‘Tua fé te salvou. Vai em paz!’ Depois disso, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa-nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam”.
   Jesus mostra ao fariseu que há salvação para todos os que decidem abandonar o caminho do pecado, com a história do credor que perdoa a divida de homens que deviam valores diferentes, faz ele pensar quantitativamente a dimensão do amor, aquele que teve o maior valor perdoado também deverá ser aquele que mais amor deve demonstrar, aquela mulher confiou na misericórdia de Jesus e recebeu dele a resposta que tanto esperava, “Tua fé te salvou. Vai em paz!”
   Que neste domingo possamos aprender a confiar neste amor misericordioso que vem de Jesus, que ao nos lançar aos seus pés possamos abandonar o caminho do pecado e do pré-julgamento para trilhar a estrada que leva a santidade, mas para isso é necessário vencer a cada dia as seduções do pecado e nos despir de todo legalismo que nos impede de ver os outros como Jesus vê, e o seu olhar é cheio de compaixão e misericórdia, e nós como seus seguidores devemos ser a voz de Cristo para o mundo dizendo: “Tua fé te salvou. Vai em paz!”
Rubens Corrêa


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Palavras e gestos que ressuscitam (05/06/2016)

Admonição
Neste domingo, em que lemos no Evangelho a história da ressurreição do filho da viúva de Naim, Lucas quer mostrar com este relato a chegada dos tempos messiânicos da salvação.
Jesus revela o caminho alternativo para uma sociedade justa (Evangelho). O profeta é o portador da Palavra de Deus, capaz de transformar radicalmente a realidade pessoal e social (I leitura). Jesus escolhe e envia discípulos missionários, como Paulo, para anunciar a todos os povos as maravilhas do Senhor (II leitura).

Comentário bíblico
I leitura (1 Rs 17,17-24): A profecia vence a morte
Esta leitura do primeiro livro dos Reis narra o episódio de uma viúva de Sarepta, pequeno povoado na Fenícia. Elias, o homem de Deus, intercede pela causa da viúva em risco de perder seu filho. O Deus misericordioso e compassivo atende a súplica do profeta e devolve a vida ao seu filho enfermo.

O Salmo 29 (30) é uma oração de louvor e ação de graças a Deus pela libertação de uma doença grave. O salmista exalta aquele que o levantou do abismo (ou xeol), restaurando-o na vida plena. Agradecemos ao Senhor, que nos liberta das situações difíceis, fazendo-nos experimentar sua força de vida e salvação.

II leitura (Gl 1,11-19): A graça da conversão
A segunda leitura da carta aos Gálatas destaca o ministério de Paulo fundamentado no Evangelho de Cristo. A vocação missionária do grande apóstolo de Cristo é descrita como um chamado profético e tal como Jeremias (Jr 1,4-10) Paulo sente-se chamado por Deus desde o ventre materno (Gl 1,15).

Evangelho do dia (Lc 7,11-17): Jesus liberta das garras da morte
O Evangelho de Lucas é o único que nos apresenta o episódio da ressurreição do filho da viúva de Naim. As viúvas e os órfãos juntamente com os estrangeiros têm um lugar de destaque por necessitarem de proteção. (cf Dt 10,18). Elas dependiam dos filhos e por isso esta viúva ficaria em estado crítico ao perder seu filho único. Ela se encontra indefesa, sem recursos financeiros e sem o apoio de ninguém nem mesmo dos seus familiares.

Jesus chega, acompanhado por seus discípulos e uma grande multidão, e encontra a procissão levando o morto a sepultar. Aparecem duas realidades opostas: um cortejo conduzido por Jesus Cristo, o doador da vida e o outro cortejo, pleno de sinais de morte. Como Filho de Deus, portador da vida, Jesus toma a iniciativa e ressuscita o filho da viúva. O Deus da vida ouve o lamento dos que choram e os socorre com seu amor misericordioso.

Atualizando a Palavra
As duas viúvas representam toda a humanidade necessitada do amparo de Deus na luta em favor da vida. Seguindo o caminho trilhado por Cristo, somos chamados a viver a compaixão, a bondade, a misericórdia, acolhendo e ajudando as pessoas que vivem situações de morte por cause de desemprego, drogas, violência, fome, doenças, e morte prematura dos filhos.
O trabalho persistente e solidário, comprometido com a defesa da vida, liberta da morte gerada pelo egoísmo, exploração e opressão.
Somos chamados a anunciar a Boa nova do Reino enfrentando os desafios de cada dia.
Pe. Luis Filipe Dias

domingo, 29 de maio de 2016

“Senhor eu não sou digno que entre em minha casa, mas diga uma palavra que meu servo será salvo” (29/05/2016)

   Neste domingo Jesus nos convida a refletir a importância de se ter uma fé sólida, sabemos que somos pequenos e pecadores, mas que grande é a misericórdia de Deus que nos ama e que abre as portas de sua casa até para os filhos que andam distantes, ao experimentarmos este amor infinito de Deus, somos chamados a anunciar o evangelho de Jesus pelo mundo mantendo a sua essência sem deturbar a sua mensagem, ao abrir nossa boca é Cristo que deve falar e não as nossas vontades e desejos, um verdadeiro discípulo segue os passos do seu mestre.
   Na primeira leitura (1Rs 8,41-43.) ouvimos as sábias palavras de Salomão dirigida a Deus: “Naqueles dias, Salomão rezou no Templo, dizendo: ‘Senhor, pode acontecer que até um estrangeiro que não pertence a teu povo, Israel, escute falar de teu grande nome, de tua mão poderosa e do poder de teu braço. Se, por esse motivo, ele vier de uma terra distante, para rezar neste templo, Senhor, escuta então do céu onde moras e atende a todos os pedidos desse estrangeiro, para que todos os povos da terra conheçam o teu nome e o respeitem, como faz o teu povo Israel, e para que saibam que o teu nome é invocado neste templo que eu construí’”.
   Ao construir o grande templo de Jerusalém, Salomão não restringe o seu uso ao povo judeu, ele reconhece que não fronteiras para a palavra de Deus e o seu nome já tornava conhecido pelos estrangeiros, por isso era necessário abrir a casa de Deus também a seus filhos fora de Israel. Hoje o numero de templos cresceu muito, desde os grandes centros com grandes, luxuosos e imponentes templos, até os bairros mais periféricos com pequenas igrejas, em todos estes lugares Deus está presente esperando pela visita dos seus filhos, cada casa de Deus deve estar bem cuidada e sempre se mostrar acolhedora para que seus de perto ou de longe possam se sentir em casa.
   Em sua carta aos Gálatas (Gl 1,1-2.6-10.) Paulo nos diz: “Eu, Paulo, apóstolo — não por iniciativa humana, nem por intermédio de nenhum homem, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai que o ressuscitou dos mortos — e todos os irmãos que estão comigo, às Igrejas da Galácia. Admiro-me de terdes abandonado tão depressa aquele que vos chamou, na graça de Cristo, e de terdes passado para um outro evangelho. Não que haja outro evangelho, mas algumas pessoas vos estão perturbando e querendo mudar o Evangelho de Cristo. Pois bem, mesmo que nós ou um anjo vindo do céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos pregamos, seja excomungado. Como já dissemos e agora repito: Se alguém vos pregar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja excomungado. Será que eu estou buscando a aprovação dos homens ou a aprovação de Deus? Ou estou procurando agradar aos homens? Se eu ainda estivesse preocupado em agradar aos homens, não seria servo de Cristo”.
   Paulo se mostra admirado como as Igrejas da Galácia precocemente abandonou o evangelho de Cristo para seguir a outros ensinamentos, ele condenou a excomunhão aqueles que pretendiam mudar as palavras de Jesus, perturbando a estes cristãos. Hoje vemos como muitos estão usando da palavra de Deus e dos ensinamentos de Jesus para obter vantagens pessoais e para impor aquilo que lhes são convenientes, é preciso que em nossas igrejas, são elas católicas ou protestantes, a mensagem de Jesus clara e que o caminho para vive-la seja reto e plano, não há atalhos e não é possível queimar etapas, a mensagem que anunciamos deve ser a mesma que Jesus transmitiu aos apóstolos, o tempo mudou, mas a tua palavra não.
   Evangelho (Lc 7,1-10.) “Naquele tempo, Quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum. Havia lá um oficial romano, que tinha um empregado a quem estimava muito e que estava doente, à beira da morte. O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado. Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: ‘oficial merece que lhe faças esse favor, porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga’. Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: ‘Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado. Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: Vai!, ele vai; e a outro: Vem!, ele vem; e ao meu empregado: Faze isto!, ele o faz’. Ouvindo isto, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia, e disse: ‘Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé’. Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde”.
   Jesus reconhece neste oficial romano uma fé que até então não havia presenciado em ninguém de Israel, ele sabe que não era digno de receber, mas sabia que bastava uma palavra de Jesus para salvar a quem ele estimava muito. Em todas as celebrações eucarísticas quando ouvimos “felizes os convidados para a ceia do Senhor, eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, respondemos: “Senhor eu não sou digo que entres em minha morada, mas diga uma palavra que serei salvo”, com a boca repetimos as palavras daquele oficial romano, mas o coração parece dizer outra coisa, as vezes vivemos repetindo e repetindo muitas coisas não procurando meditar no real significado destas palavras para nós.
   Que neste domingo possamos aprender a viver verdadeiramente como filhos de Deus, sabemos o quanto somos falhos e que muitas vezes nos afastamos do caminho, mas mesmo que não sejamos dignos Jesus quer fazer de nós sua morada e nos convida para a vida na comunidade, em contato com outras pessoas que errantes como nós encontra abrigo e segurança na casa do Senhor, porém a nossa missão é no mundo, em comunidade encontramos a força e o impulso necessário para levar a essência da mensagem de Jesus ressuscitado para o mundo todo, há muitos irmãos que ainda necessitam de se encontrar com Deus e somos nós que devemos promover este encontro. Cristo conta conosco.
Rubens Corrêa

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Solenidade de Corpus Christi: Jesus Eucarístico que alimenta a nossa missão (26/05/2016)

Primeira Leitura (Gn 14,18-20.) – Leitura do Livro do Gênesis:
18Naqueles dias, Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho e, como sacerdote do Deus Altíssimo, 19abençoou Abrão, dizendo: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, criador do céu e da terra!
20Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou teus inimigos em tuas mãos!” E Abrão entregou-lhe o dízimo de tudo. - Palavra do Senhor.

   Na leitura do livro de Gênesis nos tras o relato de um acordo entre Abraão e o rei Melquisedec (este nome significa meu rei é justo), este acordo não visa oprimir ninguém nem juntar riquezas, mas aceita parte que cabe a cada um estabelecendo assim a justiça.  

Com. São Diogo - Serra - ES - 2016
Segunda Leitura (1Cor 11,23-26.) – Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:
Irmãos: 23O que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão 24e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”.
25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”.
26Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha. - Palavra do Senhor.

   Nesta leitura Paulo relembra o momento em que Jesus instituiu a Eucaristia, o pão e vinho que se tornam o corpo e sangue e que nos traz a esperança de uma nova humanidade. Ao partir o pão e o vinho Jesus nos ensina a partilhar o que temos de melhor, a seguir o seu exemplo desprendendo-se de si mesmo em favor de todos.

Anúncio do Evangelho (Lc 9, 11b-17)
Com. São Diogo - Serra - ES - 2016
— O Senhor esteja convosco. — Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas. — Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 
11bJesus acolheu as multidões, falava-lhes sobre o Reino de Deus e curava todos os que precisavam.
12A tarde vinha chegando. Os doze apóstolos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Despede a multidão, para que possa ir aos povoados e campos vizinhos procurar hospedagem e comida, pois estamos num lugar deserto”.
13Mas Jesus disse: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Eles responderam: “Só temos cinco pães e dois peixes. A não ser que fôssemos comprar comida para toda essa gente”.
14Estavam ali mais ou menos cinco mil homens. Mas Jesus disse aos discípulos: “Mandai o povo sentar-se em grupos de cinquenta”.
15Os discípulos assim fizeram, e todos se sentaram. 16Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos para o céu, abençoou-os, partiu-os e os deu aos discípulos para distribuí-los à multidão. 17Todos comeram e ficaram satisfeitos. E ainda foram recolhidos doze cestos dos pedaços que sobraram. — Palavra da Salvação.

   O Evangelho de hoje é o ponto alto da missão que Jesus nos deixou, quem poderia imaginar algo tão grandioso, tão generoso só mesmo o nosso Senhor, saciar a fome de tantas pessoas em meio ao deserto. Com este fato Jesus ensinou a seus discípulos e ensina a cada um de nós que uma comunidade deve ser organizada de tal modo que todos possam sentir saciados e que se colocarmos em comum não faltará para ninguém.
Com. São Diogo - Serra - ES - 2016
   A solenidade que celebramos hoje Corpus Christi (o corpo e sangue de Cristo) nos lembra de que o próprio Deus esta presente na eucaristia e que é para todo cristão uma imensa alegria poder encontra-se com ele sempre ao redor do altar, “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá para sempre” (Jo 6,51).
   O evangelho de Lucas em contra partida nos lembra de que se quisermos realmente estar em comunhão com Deus é preciso estar em comunhão com nossos irmãos, principalmente com aqueles que mais necessitam. Por isso devemos nos encontrar com Jesus eucarístico sempre em nossas missas e/ou celebrações dominicais, para fortalecermos e nos deixar inspirar por este Deus maravilhoso que ensina-nos a amar sem medidas.
   Estamos vivendo nosso país e no mundo situações que ferem a dignidade de milhares de cristão, o desemprego, a fome, as guerras, tudo por que as pessoas estão se deixando levar pela sedução que o poder traz, mas devemos lembrar sempre que o poder é nos dado por Deus para que possamos assim ajudar quem mais precisa, para governar com justiça, por isso, caros irmãos, não nos deixemos levar por sentimentos de egoísmo ou comodismo, vamos colocar em comum os dons que temos e assim lutar por uma sociedade mais justa e mais humana, pois celebrar a eucaristia é celebrar a nova aliança de uma comunidade que nasce a partir comunhão com o próprio Cristo.  
Rosiani Corrêa Meirelles

domingo, 22 de maio de 2016

Santíssima Trindade: Deus de amor, que é Pai, Filho e Espírito Santo (22/05/2016)

   Neste domingo celebramos a solenidade da Santíssima Trindade meditando o mistério de um Deus uno e trino, que não cessa de nos abençoar com o seu amor de Pai criador, de Filho redentor e de Espirito Santo santificador e inspirador, são três em um único Deus, esta é a fé que professamos em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo, amém.
   Na primeira leitura (Pr 8,22-31.) vemos que: “Assim fala a Sabedoria de Deus: ‘O Senhor me possuiu como primícia de seus caminhos, antes de suas obras mais antigas; desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes das origens da terra. Fui gerada quando não existiam os abismos, quando não havia os mananciais das águas, antes que fossem estabelecidas as montanhas, antes das colinas fui gerada. Ele ainda não havia feito as terras e os campos, nem os primeiros vestígios de terra do mundo. Quando preparava os céus, ali estava eu, quando traçava a abóbada sobre o abismo, quando firmava as nuvens lá no alto e reprimia as fontes do abismo, quando fixava ao mar os seus limites — de modo que as águas não ultrapassassem suas bordas — e lançava os fundamentos da terra, eu estava ao seu lado como mestre-de-obras; eu era seu encanto, dia após dia, brincando, todo o tempo, em sua presença, brincando na superfície da terra, e alegrando-me em estar com os filhos dos homens’”.
   Esta leitura nos diz que desde o princípio a sabedoria de Deus já existia, ela que esteve em todos os momentos da criação, hoje nos é entregue como dom do Espírito Santo, em cada passo da nossa vida devemos usar esta sabedoria que o Pai nos concede. Salomão podendo pedir tudo a Deus, pediu o que mais era essencial para sua vida, ao receber e utilizar a sabedoria concedida por Deus conquistou muito mais do que pediu. Que a sabedoria de Deus oriente os nossos passos rumo ao mundo de paz que devemos construir.
   Em sua carta aos Romanos (Rm 5,1-5.) o apóstolo Paulo nos diz: “Irmãos: Justificados pela fé, estamos em paz com Deus, pela mediação do Senhor nosso, Jesus Cristo. Por ele tivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. E não só isso, pois nos gloriamos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança; e a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.
   Paulo afirma que é por Jesus que nos mantemos firmes na fé, ele que nos acompanha em todos os momentos da nossa vida, também está conosco nos momentos de tribulações transformando-as em constância, virtude e esperança, é o Espírito Santo que nos foi enviado que nos proporciona experimentar este imenso amor de Deus por nós, mas este amor não pode ficar recluso dentre de nós, devemos espalhar este amor pelo mundo todo, somos os mensageiros deste amor sem limites.
   No evangelho segundo João (Jo 16,12-15.) Jesus nos revela: “Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: ‘Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu’”.
   Jesus revela que ao receber o Espírito Santo os apóstolos seriam capazes de compreender muitas coisas que naquele momento não compreendiam, e de fato aconteceu, o Espírito Santo enviado por Jesus sobre os apóstolos deu-lhes o entendimento e os impulsionou para espalhar a boa nova ao mundo todo. Hoje somos nós que no batismo recebemos a missão de sermos continuadores desta construção do reino de Deus, e Jesus conta conosco para esta nobre tarefa.
   Que neste domingo a fé na Santíssima Trindade fortaleça a nossa caminhada, sabemos que somos pequenos e muito erramos, mas a sabedoria de Deus orienta o nosso caminho para que nossos pés não vacilem e não se cansem neste percurso rumo à construção do reino de Deus, e para isso somos chamados a ser mensageiros do grande amor de Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo.
Rubens Corrêa

sábado, 14 de maio de 2016

Pentecostes: “Recebei o Espírito Santo” (15/05/2016)

   Celebramos neste domingo a grande Solenidade de Pentecostes relembrando o dia em que os apóstolos receberam os dons do Espirito Santo, este Espirito que é fortaleza, sabedoria, ciência, conselho, entendimento, piedade e temor de Deus, neste dia peçamos também a Deus que venha infundir em nós o seu Espirito Santo, renovando a nossa vida e sendo força impulsionadora para a missão.
   A primeira leitura (At 2,1-11.) nos revela um grande acontecimento, “Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. Cheios de espanto e admiração, diziam: ‘Esses homens que estão falando não são todos galileus? Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? Nós, que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus em nossa própria língua!’”
   Estando reunidos no mesmo lugar os discípulos receberam o Espirito Santo de Deus que posou sobre eles como línguas de fogo, este Santo Espirito transformou-os profundamente impulsionando-os para o mundo, eles que estavam trancados abriram-se para o mundo, partiram em missão levando o amor do Cristo ressuscitado a todos os pontos da terra. Abrindo a boca, de seus lábios saíram palavras que eram entendidos por todos, independentemente da nacionalidade de cada um, a mensagem do amor de Jesus era universal e não precisava de tradução. Hoje nos vemos perdidos em meios a tantas bocas que dizem muitas coisas, mas parecem que elas nada anunciam, muitos usam de um suposto dom do Espirito Santo para se promover ganhando destaque no meio religioso, a palavra de Deus nos mostra claramente que a mensagem de Jesus é perfeitamente entendida por todos, tudo que se necessita de muita interpretação e explicação deve ser analisado com muita cautela.
   Segunda Leitura (1Cor 12,3b-7.12-13.) “Irmãos: Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.”
   Somos muitos e diferentes, mas em Cristo formamos um só corpo, a cada um Deus concede um dom especial conforme a necessidade do reino de Deus, devemos coloca-lo a disposição sendo força transformadora da sociedade, para isso fomos batizados em um só Espirito. É fácil falar da boca para fora que Jesus é o Senhor, mas devemos com as nossas ações a cada dia mostrar que ele é o Senhor da nossa vida, nele fazemos o bem sem olhar a quem, seguindo os exemplos de Jesus e dos apóstolos, Cristo é a cabeça e nós somos os pés que tem a função de leva-lo para bem perto do irmão necessitado, somos também a mão de Jesus estendida para levantar o irmão caído a margem do caminho, neste corpo chamado igreja de Jesus não podemos abrir mão de nenhum membro, todos somos fundamentais para o projeto de Deus.
   Evangelho (Jo 20,19-23.) “Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: ‘A paz esteja convosco’. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: ‘A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio’. E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos’.”
     Com medo e trancados, os apóstolos recebem a visita de Jesus ressuscitado, e ele vem trazer uma mensagem de paz e de esperança enviando sobre eles o Espirito Santo, concedendo a eles a autoridade de em nome de Deus perdoar os pecados. Ao ressuscitar dos mortos Cristo não reivindica que os apóstolos vinguem a sua morte, ele ensina novamente que devemos ser misericordiosos dizendo: ‘A paz esteja convosco’. Hoje vemos que muitos oprimem, perseguem e matam em nome de Deus, isso é como ir na contramão de todo ensinamento de Jesus, Deus é amor e não opressão, devemos incansavelmente testemunhar isso, recebendo o Espirito Santo do Senhor nos tornamos mensageiros da sua paz e do seu amor, a missão dos apóstolos deve continuar em nós.
   Em um mundo onde as divergências religiosas fazem crescer assustadoramente os números de novas e diferentes denominações religiosas, somos neste dia convocados por Jesus a falar uma só língua, não é falando o que ninguém entende que anunciaremos Jesus ao próximo, Cristo nos chama para aprender com ele a linguagem do amor e da paz, esta não precisa tradução, é de fácil entendimento para homens e mulheres, crianças, jovens, adultos e idosos, negros, brancos e índios, de todas as nacionalidades, esta é uma linguagem universal, não precisamos inventar nada Cristo nos mostra o caminho.
   Que neste domingo possamos nos abrir para o Espirito Santo de Deus que renova toda a nossa vida, com ele entendemos perfeitamente o que Jesus espera de nós e sabemos que a longa caminhada da nossa missão começa no momento que damos o primeiro passo, a partir daí não é mais possível voltar para trás, pois o Espirito Santo sempre nos impulsionará para frente, caminhando ao encontro do irmão necessitado, assim fez Jesus e os apóstolos, também assim seremos nós.
Rubens Corrêa

domingo, 8 de maio de 2016

“Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?” (08/05/2016)

   Neste domingo celebramos a solenidade da Ascensão do Senhor ao céu, durante este tempo pascal caminhamos com Jesus ressuscitado relembrando momentos fortes da sua missão e com ele aprendemos que é preciso continuar, por isso somos chamados neste dia para deixar de ficarmos somente contemplando o Cristo ascendido ao céu e para passarmos a também contempla-lo no irmão necessitado, pois ele confia em nós para sermos os continuadores de sua obra.
   Na primeira leitura (At 1,1-11.) vemos que: “No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, até o dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções pelo Espírito Santo aos apóstolos que tinha escolhido. Foi a eles que Jesus se mostrou vivo depois de sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias, apareceu-lhes falando do Reino de Deus. Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: ‘Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias’. Então, os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: ‘Senhor, é agora que vais restaurar o Reino em Israel?’ Jesus respondeu: ‘Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade. Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra’. Depois de dizer isto, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: ‘Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus, que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu’”.
   Neste relato do livro dos Atos dos Apóstolos vemos como os discípulos durante quarenta dias tiveram a presença do Cristo ressuscitado entre eles, puderam ver, ouvir e tocar aquele que antes foi perseguido e morto, com ele aprenderam que o discípulo deve seguir os passos do mestre, receberam a promessa de Cristo, que subindo ao Pai enviaria o Espirito Santo sobre eles, força impulsionadora para a missão. Depois que Jesus subiu ao céu, os discípulos continuaram olhando para cima e eis que dois homens vestidos de branco os alertaram que se quisessem contemplar novamente o mestre era necessário voltar os olhos para o mundo pois havia muito a fazer. Nós também não podemos ficar parados contemplando as histórias de quem se comprometeram com o reino de Deus, todos somos chamados a voltar o nosso olhar para a triste realidade de milhões de filhos de Deus que sofrem, e a exemplo dos apóstolos, também construir a nossa própria historia de compromisso com o reino de Deus.
   Em sua carta as Efésios (Ef 1,17-23.) Paulo nos mostra Cristo como a cabeça da Igreja, “Irmãos: O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar, não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. Sim, ele pôs tudo sob seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal”.
   Paulo anuncia aos Efésios uma mensagem de esperança, a morte não pôde calar o ungido do Senhor, Deus o libertou das garras da morte e o fez sentar a sua direita resplandecendo a sua glória, hoje testemunhas este imenso amor de Deus que fez ressurgir Jesus, que é a cabeça da igreja, para reafirmar a sua aliança com o povo mais sofrido, devemos anunciar incansavelmente a sua mensagem de amor e esperança ao mundo todo.
   No evangelho (Lc 24,46-53.) Lucas nos relata o momento da Ascensão do Senhor, “Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: ‘Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sereis testemunhas de tudo isso. Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto’. Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus”.
   Ao subir ao céu Jesus deixa de ter presença física entre os discípulos para ter exclusivamente presença espiritual, ele subiu ao Pai deixando a promessa de enviar o seu Espirito Santo, esta é a força impulsionadora que fez a igreja de Jesus crescer no mundo todo, ainda hoje o Espirito Santo age usando a voz e a escrita para fazer de nós mensageiros da palavra de Jesus pelo mundo todo, não é fronteiras para o anuncio da boa nova do Cristo ressuscitado.
   Hoje comemoramos o dia mundial das comunicações, nos últimos anos vemos o quanto às formas de comunicação tem se transformado e ampliado, atualmente são muitos meios de comunicação que o cristão pode utilizar para demonstrar e divulgar a sua fé, wathsapp, twitter, instagram e faceboock, estas são algumas novidades que a igreja utiliza para alcançar um público maior, ela não deve se fechar, a igreja de Jesus deve ser nova e atual, fazendo a mensagem de amor esperança de Cristo ressuscitado chegue a cada desktop, notebook, netbook, tablete e smartphone deste mundo, hoje escrevo aqui no Brasil e tem alguém do outro lado do mundo lendo e compartilhando.
   Preparando-nos para a festa de Pentecostes, somos convidados durante esta semana a orar pela unidade dos Cristãos, devemos deixar de lado todas as diferenças e encontrar o ponto que nos une, Cristo é este ponto de união entre cada igreja cristã e ele está acima de qualquer doutrina, oremos juntos porque juntos somos mais fortes e transformaremos este mundo por meio do infinito amor de Deus.
Homenagem à minha mãe "Edith" 
   Também no dia de hoje comemoramos o dia das mães, estas incansáveis guerreiras que lutam dia-a-dia para ver seus filhos em segurança, educando-os para serem verdadeiros cidadãos e verdadeiros cristãos, todos precisamos de uma mãe, é ela que nos consola quando estamos angustiados e nos levanta quando estamos caídos, Jesus também precisou de uma mãe, com ela ele aprendeu a essência do amor, Maria ensinou que é possível amor sem esperar nada em troca, e Jesus nos entregou a sua mãe, para que também seja nossa mãe e exemplo de virtude para tantas mães que também sofrem com o sofrimento de seus filhos.
   Que neste domingo possamos deixar o Espirito Santo agir em nós e não ficar somente contemplando o Cristo que subiu ao céu, a nossa missão é encontrar Jesus em cada rosto do irmão que sofre e com união, usando todos os meios disponíveis, comunicar para o mundo todo o amor de Deus que nos ama com o amor de mãe.
Rubens Corrêa