quarta-feira, 29 de julho de 2015

Deu-lhes a comer o pão do céu (02/08/2015)

   Introdução geral
   No domingo passado, acompanhamos o sinal de Jesus na multiplicação dos pães. A multidão não havia compreendido o sentido verdadeiro da ação de Jesus, por isso Ele explica o sentido do sinal.
   A melhor obra que podemos realizar é crer em Jesus, o Filho de Deus enviado para dar a vida ao mundo. Jesus é o dom de amor gratuito oferecido pelo pai à humanidade. Em Jesus nos tornamos pessoas novas, criadas à imagem e semelhança de Deus.

   Recordando a palavra
   Evangelho (Jo 6,24-35): Eu sou o pão da vida
   O ensinamento de Jesus faz alusão ao relato do maná, o alimento dos israelitas no deserto (Ex 16,1s). Jesus é o verdadeiro Mestre que conduz o diálogo, assim como fez com a mulher samaritana (Jo 4,7s). Sua Palavra oferece o alimento e a água que saciam plenamente a nossa fome e a nossa sede.
   Ele oferece o alimento que permanece para sempre até à vida eterna (6,27) e Ele mesmo dá a vida ao mundo (6,32). Também nós podemos pedir cheios de confiança: “Senhor, dá-nos sempre desse pão” (6,34).  A Palavra de Deus, revelada em Jesus Cristo, alimenta aqueles que acreditam que Ele pode saciar a fome e matar a sede dando razões de existir.
   Alimentados pelo pão do céu, seremos transformados em pessoas novas, podemos enxergar além das aparências e ver com os olhos de Deus, tendo também as atitudes do coração misericordioso do mesmo Deus que tem compaixão do seu povo peregrino. Que Deus nos renove e nos consagre totalmente na escolha do seu serviço.

   I leitura (Ex 16,2-4.12-15): Farei chover pão do céu
   O relato fala do pão e das codornizes como resposta ás murmurações do povo por falta de comida e de bebida. O texto enfatiza o dom milagroso do maná, que se torna sinal da presença de Deus e alimenta o povo, sobretudo por meio da palavra (cf. Dt 8,2-3). 
   O povo no deserto, em busca da terra prometida, faz a experiência do Deus da aliança, que acompanha a caminhada com amor e solicitude.
   O salmo 77(78) é uma oração sapiencial que sublinha as maravilhas de Deus em favor do seu povo ao longo da história.

   II leitura (Ef 4,17.20-24): Aquele que desceu do céu
   Esta leitura convida a trilhar o caminho da vida nova, inaugurado com a morte e ressurreição de Jesus. A experiência da fé em Cristo transforma a antiga criatura em pessoa renovada.
   A identificação com Cristo compromete a seguir o caminho da “verdadeira justiça e santidade” (4,24), testemunhada pela “caridade, o vínculo da perfeição” (cf. Cl3,14).
   Acreditar em Jesus e seguir o seu projeto salvífico é o trabalho que nos deve comprometer por toda a vida. A identificação com Jesus impulsiona a colaborar na construção de um mundo mais humano e fraterno.
Luis Filipe Dias

sábado, 25 de julho de 2015

Jesus multiplica os nossos dons em favor de quem mais necessita (26/07/2015)

   Neste domingo partilhamos com Jesus e os irmãos aquilo que temos e aquilo que somos, sabemos que os nossos recursos são poucos e muitas vezes nos achamos infinitamente pequenos frente ao mundo com tantas diversidades, mas, o Reino de Deus se faz de cada pequeno gesto que fazemos e presenciamos, sabemos que ninguém é tão pobre que não tenha nada para partilhar e ninguém é tão rico que não tenha nada o que receber, com Jesus aprendemos a partilhar não só o pão material, mas, principalmente o pão espiritual, ele é nossa inspiração para esta missão.
   A primeira leitura (2Rs 4,42-44.) nos mostra que um homem leva para Eliseu, homem de Deus, vinte pães de cevada e trigo novo, os primeiros frutos da terra, e Eliseu diz para entregar estes pães ao povo para que coma, “Mas o seu servo respondeu: Como vou distribuir tão pouco para cem pessoas? Eliseu disse outra vez: Dá ao povo para que coma; pois assim diz o Senhor: Comerão e ainda sobrará.” E de fato todos comerão e ainda sobrou.
   Vemos nesta linda passagem bíblica que aquele homem não levou para Deus aquilo que estava sobrando e sim os primeiros frutos da terra, este gesto mostra o reconhecimento de tudo o que Deus estava provendo em sua vida, e o gesto de Eliseu mostrou que aquilo que partilhamos deverá ser colocado em comum com aqueles que mais necessitam, Deus não precisa dos nossos recursos, mas, neste mundo existem milhões de filhos de Deus abaixo da linha da pobreza e um pouco que, de coração, ofertamos servirá para aliviar a dor de quem mais sofre.
   O apostolo Paulo em sua carta aos Efésios (Ef 4,1-6.) nos diz que ele sendo prisioneiro no Senhor, nos orienta a manter a unidade na diversidade, nos exortando a caminhar de acordo com a vocação que recebemos, sendo mansos e humildes, suportando uns aos outros com paciência e amor. Em Cristo somos um só Corpo e um só Espírito, esta unidade nos uni em paz, pois é na mesma esperança que somos chamados. Há somente um Senhor, uma só fé, um só batismo, e temos um único Deus que é nosso Pai, está em todos e age por meio de todos.
   A palavra de Deus se espalhou por todos os cantos do mundo, sendo incorporada nas mais diversas culturas, e hoje temos diversas manifestações religiosas no mundo inteiro. Como querer que todos tenham as mesmas maneiras de demonstrar a sua fé? O apóstolo Paulo nos mostra a importância de nos mantermos unidos na mesma fé, no mesmo batismo e no mesmo Senhor, estes são os elos que nos uni, e devemos respeitar as diversidades de culturas dentro do cristianismo, devemos nos alegrar com cada pessoa que em sua vida leva a mensagem de Deus no seu jeito de ser, e não impor o pesado fardo das tradições, seguir a Jesus deve ser motivo de grande alegria e não de opressão.
   Hoje temos a felicidade de partilharmos um pouco do evangelho segundo São João (Jo 6,1-15.), vemos este grande momento da missão de Jesus, uma grande multidão o seguia porque via os sinais que ele realizava em favor dos que mais precisavam, ele ao ver aquela multidão perguntou a Felipe, “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” Mas, Jesus sabia de tudo o que iria fazer, Felipe com o pensamento nas coisas do mundo disse que não havia recursos para alimentar tantas pessoas. André mostrou um menino que colocou em comum os cinco pães e dois peixes que possuía, mas, também reconheceu que era pouco para tanta gente.
   Jesus mandou que todos se sentassem e tomou em suas mãos a oferta daquele menino, olhou para o céu, proferiu a benção e entregou para que os discípulos distribuíssem as mais de cinco mil pessoas que ali estavam, todos comeram e ficaram satisfeitos, Jesus mandou que eles recolhessem o que sobrou, e juntaram doze cestos com as sobras. O povo vendo estes sinais exclamou: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. Jesus percebendo que eles queriam o proclamar rei, se retirou para um lugar deserto.
    Novamente vemos Jesus que olhando a multidão se compadece e realiza um grande sinal, mas, ele não realiza este sinal sozinho, quis precisar de alguém que colocou em comum tudo o que tinha, sem se preocupar em acumular. Vendo o gesto daquele menino entendemos a essência do que é ser cristão, sabemos que somos pequenos e que temos tão pouco a oferecer, colocamos em Jesus a esperança de ver os dons multiplicados e servindo a quem mais precisa, o menino não teve medo de ficar sem o seu alimento, ele confiou que Jesus iria saciar a sua fome de amor e de paz.
   Somos um país de dimensões continentais, e também é grande o número de pessoas que passam fome em um país que todos os anos batem recordes de produção de alimentos. O que está errado nesta matemática? Alguém está somente enchendo o seu celeiro e acumulando muito mais do que precisa. No maior país cristão do mundo, e quando digo cristão me refiro a católicos e protestantes, é impensável admitir que alguém possa morrer de fome, a essência do seguimento de Jesus é partilhar com quem não tem. Será que estamos sempre nos omitindo e deixando somente para Jesus resolver tudo? Somos cristão verdadeiros ignorando as necessidades do próximo?
   Precisamos nos espelhar no gesto daquele menino, fazer o bem as pessoas que necessitam sem questionar qual fé que ele professa, de qual igreja participa ou em quem votou nas últimas eleições, quando deixamos de lado estas coisa, permitimos que a verdadeira graça de Deus se manifeste em nosso meio, somos uma gota neste imenso oceano, mas, ele se torna grande quando consegue unir milhares e milhares de milhões de gotas, e é assim que Jesus realiza hoje os seus grandes sinais, reunindo nele, milhares e milhares de milhões de pequenos sinais que nós todos os dias realizamos em prol de quem precisa.
Rubens Corrêa

sábado, 18 de julho de 2015

Em Jesus revigoramos as nossas forças para novamente partir em missão (19/07/2015)

   Neste domingo retornaremos junto com os apóstolos ao encontro de Jesus trazendo as experiências da missão, sabemos que toda a caminhada de fé tem seus obstáculos e que jamais podemos desistir de concluir a nossa jornada, só assim poderemos partilhar com Jesus e com os irmãos as conquistas da nossa missão, em Jesus encontramos o descanso necessário para revigorar as nossas forças para novamente nos colocar a caminho da construção do Reino de Deus.
   Na primeira leitura (Jr 23,1-6.) o profeta Jeremias nos diz que o Senhor faz duras críticas aos maus pastores que permite que o rebanho se perca e disperse, estes que afugentam e negligenciam os cuidados que deveriam ter com as ovelhas, em função das más práticas serão duramente castigados pelo Senhor. Ele irá novamente reunir as ovelhas em um só rebanho conduzindo aos campos onde se reproduzirão e multiplicarão, tendo o Senhor suscitado novos pastores que cuidarão para que elas não mais se percam e não havendo mais sofrimentos, medos e angustias. “Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei nascer um descendente de Davi; reinará como rei e será sábio, fará valer a justiça e a retidão na terra. Naqueles dias, Judá será salvo e Israel viverá tranquilo; este é o nome com que o chamarão: Senhor, nossa Justiça.”
   Hoje vemos que muitos usam da religião para explorar economicamente o povo, em várias igrejas das mais diversas denominações vemos que a arrecadação está acima do anuncio do evangelho, aquele que não paga não obtém a graça de Deus, é deprimente ver a que ponto chegou os que se dizem “servos de Deus”. Mas, a que deus eles estão servindo? Sabemos que devemos colaborar com a manutenção dos templos e ajudar com os recursos necessários para que a igreja realize as obras sociais, mas, o líder religioso que se aproveita da fé alheia para aumentar o seu patrimônio está indo na contramão da missão que Deus o confiou, e nós cristãos não podemos permitir que esta prática seja comum em nosso meio, Deus conta conosco para libertar a religião destes falsos pastores que provocam o sofrimento do rebanho.
    Na carta aos Efésios (Ef 2,13-18.) o apóstolo Paulo nos diz que em Cristo deixamos de estar divididos para estar em unidade, ele veio para os que estavam longe e para os que estavam perto, com a sua carne, ele acabou com a inimizade, abolindo a lei que oprimia o povo, trazendo os seus mandamentos e decretos. Unindo judeus e pagãos ele formou o homem novo, em sua entrega na cruz, reconciliou a humanidade com Deus, destruindo o pecado e anunciando a paz para todos, de longe ou de perto, judeus ou pagãos, por ele todos nós temos acesso a Deus Pai.
   Em toda a sua missão na terra, Jesus lutou para reunir todos em um só rebanho, e hoje vemos como, usando o nome de Jesus, provocamos ruptura e divisões entre os cristãos, a todo instante nos deparamos com situações opostas as de Cristo, por divergências, igrejas e mais igrejas são criadas a cada dia, fazendo das palavras do evangelho uma forma de aprisionar e impor o modo de pensar de algum líder, que divergiu de outro líder em outra igreja e criou a sua própria igreja. Devemos encontrar os pontos que nos unem e saber respeitar aquilo que temos de diferente, Jesus é o mesmo em todas as denominações religiosas, e deve ser ele o nosso ponto de união, agora a forma de orar e de louvar de cada um deverá ter o nosso respeito e que outros também possam respeitar a forma que demonstramos a nossa fé em Cristo unificador.
   No evangelho (Mc 6,30-34.) vemos os apóstolos retornando da missão, eles partilharam com Jesus e com os outros tudo o que haviam realizado e ensinado, e são convidados por Jesus a se retirarem para descansar e comer, pois necessitavam de revigorar as forças para a próxima jornada. Saindo de barco para um lugar deserto, a multidão ao saberem da partida de Jesus e dos apóstolos, se apressou e chegou primeiro que eles. “Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.”
   Em nossa missão o ponto de partida e o ponto de chegada são sempre o mesmo, é de Jesus que partimos e para ele que voltamos, como os apóstolos que estavam longe do mestre, assim somos também nós no caminho da nossa missão, mesmo longe estamos sempre ligados a Jesus, pois, recebemos dele este ofício e devemos retornar de nossa jornada trazendo os frutos do nosso trabalho.
   Jesus misericordioso se compadece ao ver aquela multidão, vendo como são numerosas as ovelhas que peregrinam sem pastor, novamente ele nos envia para a missão de pastorear o seu rebanho, foi assim com os apóstolos e é assim ainda hoje, recebemos a incumbência de reunir as ovelhas desgarradas do rebanho conduzindo-as para campos onde se encontram verdes pastagens, fontes de águas puras, tranquilidade e segurança, conduzindo o rebanho para junto de Jesus.
    Meditamos hoje a razão da nossa missão, devemos nos esvaziar de tudo aquilo que nos atrapalha de cumprirmos o que Jesus nos confia, e realmente entender qual a necessidade que o outro tem, nós como enviados de Cristo para anunciar o evangelho não podemos querer ser servidos pelo que representamos, mas, somos nós que devemos nos colocar a serviço do próximo, usar dos recursos de quem tem e coloca em comum, para aqueles que nada tem, isso não é comunismo ou socialismo, é cristianismo vivido no dia-a-dia. Não devemos ficar presos nos templos somente orando e louvando a Deus, nas igrejas somos enviados por Jesus para orar e louvar a Deus com as nossas ações no meio do povo sofrido.
Rubens Corrêa

sábado, 11 de julho de 2015

De dois em dois Jesus nos envia para a missão (12/07/2015)

   Neste domingo somos enviados para a missão de evangelizar o mundo todo, assim como os discípulos, Jesus nos envia de dois em dois para anunciar que chegou o tempo da graça de Deus, mas, nos caminhos desta missão encontramos muitos obstáculos e ter ao nosso lado alguém que compartilha da nossa missão, torna a jornada menos difícil e mais possível de ser percorrida, caminhar sozinho é sempre a pior escolha porque precisamos uns dos outros, nesta vida temos muito o que aprender e ensinar, e a convivência com os irmãos nos faz transformados e transformadores, juntos somos mais.
   Na primeira leitura (Am 7,12-15.) Amasias, sacerdote de Betel, orienta o profeta Amós a desistir da sua missão de anunciar o Senhor naquele lugar, dizendo para buscar refúgio em outras terras, mas, Amós resiste dizendo, “Não sou profeta nem sou filho de profeta; sou pastor de gado e cultivo sicômoros. O Senhor chamou-me, quando eu tangia o rebanho, e o Senhor me disse: Vai profetizar para Israel, meu povo.”
   Em nossa missão várias vezes nos deparamos com inúmeras razões para abandonar o nosso ministério, perseguições, mentiras, fofocas e exclusões, enfim são muitas coisas que podem tornar difícil o anuncio do evangelho, mas, Deus nos fortalece colocando pessoas em nossos caminhos, que não permitirão que desanimemos e que abandonemos a missão. Muitos profetas, apóstolos e mártires sofreram coisas terríveis e nunca se esqueceram de que Jesus sempre caminhava ao lado deles, e nós precisamos acreditar nisso e seguir o caminho mesmo em meio a tantas turbulências, ele nunca nos abandonará.
   Em sua carta aos Efésios (Ef 1,3-10.), Paulo nos diz que somos escolhidos para santidade desde antes da criação do mundo, em Cristo nos tornamos filhos do amor de Deus, com sua entrega na cruz, Jesus nos resgatou do pecado, Deus derrama abundantemente a sua graça sobre nós, abrindo-nos toda a sabedoria e prudência. “Ele nos fez conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio benevolente que de antemão determinou em si mesmo, para levar à plenitude o tempo estabelecido e recapitular, em Cristo, o universo inteiro: tudo o que está nos céus e tudo o que está sobre a terra.”
   Como reconhecer tudo o que Deus tem realizado em nossas vidas? Devemos em todo o momento de nossas vidas, louvar e bendizer o seu nome. Mas como podemos fazer isso? A melhor louvação a Deus é colocar-se a serviço daquele que necessita, de nada adiante dobrarmos os nossos joelhos, orarmos e cantarmos lindos hinos de louvores, se em nosso dia-a-dia ofendemos, enganamos e oprimimos os nossos irmãos. Paulo entendeu perfeitamente este chamado e entregou a sua vida a serviço do Reino de Deus, e nós somos chamadas a também servir a Deus por meio dos irmãos oprimidos e massacrados pelo sistema que visa exclusivamente o ganho de capital, não podemos nos omitir.
   No evangelho segundo Marcos (Mc 6,7-13.) Jesus envia os seus discípulos, de dois em dois, para a missão de evangelizar o mundo todo, eles recebem a instrução de não se apegarem a nada nesta jornada, levando exclusivamente aquilo que verdadeiramente necessitam, o acumulo de coisas torna-se um peso para esta caminhada. Jesus alerta-os que alguns não iriam acolher ao anuncio da boa nova, e que deveriam na saída sacudir a poeira dos pés como testemunho contra eles. Os doze discípulos partiram e em nome de Jesus realizaram muitos sinais.
   Enviando os seus discípulos, Jesus concede a eles o poder sobre os espíritos impuros, mas, em nenhum momento pede a eles que imponha os seus ensinamentos, todos somos livres para abraçarmos ou não a fé em Jesus, partindo em dois para a missão os discípulos tem na pessoa do outro uma força motivadora e a ligação com Jesus, e isso faz com que não desviem do caminho e dos ensinamentos do mestre.
   Hoje vemos que muitos falam em nome de Jesus, mas, usa da religião como forma de oprimir os outros e obter lucro à custa da fé alheia, vemos tantas brigas entre as mais diversas denominações do cristianismo, se seguimos doutrinas diferentes devemos achar aquilo que nos une e respeitar as diversidades, pois cremos no mesmo Deus que é pai de todos. Cristãos de todas as denominações, é hora de parar de brigar entre si e unir forças para lutar contra as injustiças que oprimem o povo.
Rubens Corrêa

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Enviados por Deus e rejeitados pelos seus: “Um profeta só não é estimado em sua pátria” (05/07/2015)

   Introdução geral
   Como comunidade de fé, vamos seguindo o caminho espiritual e pedagógico, proposto pelo ano litúrgico, acompanhando Jesus em seu itinerário pascal e, pouco a pouco, descobrindo seu jeito de ser.
   Neste domingo, Marcos nos fala da rejeição dos contemporâneos de Jesus, que o enxergam somente com os olhos humanos. Somos convidados a renovar nossa fé e adesão a Ele, o Filho de Deus, encarnado na história humana.
   Celebramos a páscoa do Senhor que nos envia como profetas a anunciar a Boa Notícia em todos os cantos da terra.

   Comentário dos textos bíblicos
   Evangelho (Mc 6,1-6): O profeta é desprezado na própria terra
   O Evangelho de Marcos apresenta o episódio da visita de Jesus a Nazaré, sua pátria, onde a incredulidade contrasta com a fé expressa nos milagres anteriores, com o reconhecimento de seu poder de ressuscitar até os mortos (Mc 4, 35-5,43). Nazaré era uma aldeia da Galileia (1,9), pequena e insignificante (Jo 1,46). O ensino de Jesus ao serviço da vida plena é acolhido por muitas pessoas, mas também rejeitado por outras.
   Ao chegar o “sábado”, Jesus começou a ensinar na sinagoga. Suas palavras suscitam admiração nos ouvintes: “De onde lhe vem isso? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E esses milagres realizados por suas mãos?” (6,2)
   O ensino de Jesus revela que Ele é o Messias Servo, enviado pelo Pai para oferecer a vida em plenitude. Muitas pessoas não reconhecem a presença de Deus no “carpinteiro, o filho de Maria” (6,3), pois esperavam um Messias poderoso e triunfalista. Por causa do ambiente geral de rejeição e incredulidade, Jesus realizou apenas alguns milagres de cura.
   I leitura (Ez 2,2-5): O profeta anuncia, quer escutem quer não.
   A leitura do profeta Ezequiel é parte da missão que Deus confia ao profeta em 2,1-3,15. Ezequiel está “caído no chão” (1,8), prostrado como o povo no exilio em Babilônia. Porém, Ele se deixa mover pelo Espírito do Senhor, que o coloca em pé, em atitude de prontidão. Assim, ele ouve a voz de Deus que toma a iniciativa do chamado e o envia a anunciar sua Palavra aos Israelitas. Ezequiel recebe a missão de falar em nome de Deus a um povo rebelde. O êxito é garantido pela força da Palavra do Senhor que, mesmo, rejeitada, realiza o objetivo: “Quer te escutem, quer não, saibam que houve um profeta ente eles” (2,5). Deus não abandona o povo, não obstante suas infidelidades. Ao longo da história, Ele envia profetas para conduzi-lo no caminho da aliança.
   O Salmo 112 (123) é uma súplica confiante que convida a “levantar os olhos” para o Senhor em meio às aflições da vida.
   II leitura (2 Cor 12,7-10) Prefiro gloriar-me de minhas fraquezas
   A leitura da segunda carta aos Coríntios integra a última parte da carta (10,1-13,10), que ressalta a força de Deus manifestada na fraqueza, como na cruz de Cristo.
  “Por causa de Cristo”, Paulo sofreu humilhações, necessidades, perseguições, e angústias. O caminho de identificação com Jesus leva a reconhecer que “quando somos fracos, então é que somos fortes”. A presença do Senhor fortalece o ministério apostólico de Paulo, como outrora o de Jeremias (Cf. Jr 15,20-21).

   Pistas de reflexão
   A sabedoria das palavras de Jesus de Nazaré e as ações compassivas de suas mãos deixavam as pessoas maravilhadas ‘bebendo’ seus ensinamentos (Mc 6,2).
   Paulo ensina a deixar-se conduzir pela graça do Senhor, em meio aos desafios decorrentes da missão apostólica.
   O profeta Ezequiel denunciou as infidelidades à Palavra, que causaram a catástrofe do exílio na Babilônia. Enviado por Deus, ele anunciou a Palavra que não pode silenciar diante das injustiças e das opressões.
   Os verdadeiros profetas encontram rejeição na sociedade e na Igreja: Gandhi, Luther King, Oscar Romero, Irmão Dorothy, Ezequiel Ramin (24/07/1985) e tantas outras pessoas que deram a vida em prol de um mundo novo de justiça e da fraternidade, a ser construído através do compromisso de todos. 

Luis Filipe Dias


sábado, 27 de junho de 2015

São Pedro e São Paulo, alicerces fortes de uma igreja missionária (28/06/2015)

   Celebramos neste domingo a Solenidade de São Pedro e São Paulo, vemos nestes dois apóstolos os pilares da igreja de Jesus, Pedro foi a pedra que serviu para alicerce para a igreja construída por Jesus, e Paulo em suas inúmeras cartas espalhou o evangelho pelo mundo todo, abrindo o caminho da salvação também aos pagãos, temos muito a aprender com a vidas destes apóstolos, eles como nós, humanos e pecadores, também cometeram muitos erros, mas, abriram seus corações à infinita misericórdia de Deus.
   No livro dos Atos dos Apóstolos (At 12,1-11.), vemos como era dura a perseguição de Herodes e do povo judeu contra os cristãos, Tiago irmão de João foi morto à espada, e Pedro foi encarcerado com forte vigilância, e a comunidade manteve-se em oração a Deus pedindo pela libertação de Pedro. Eis que o anjo do Senhor apareceu a Pedro, “Levanta-te depressa!” e no mesmo instante as correntes caíram por terra, e disse a ele, “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!”, ele obedeceu e o anjo continuou, “Põe tua capa e vem comigo!”. Somente depois de passar por todos os guardas e atravessar os portões é que Pedro caiu em si vendo que tudo aquilo era verdade, “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!”
   Em nossa caminhada de fé nos deparamos com muitos desafios que por diversas vezes nos impede de continuarmos a nossa jornada, aquela comunidade acreditou sendo fiel nas orações a Deus, e eis que a graça foi alcançada, precisamos confiar mais no poder da oração, pois ela é capaz de nos livrar dos cárceres dos nossos medos e comodismo, ela é que pode libertar as nossas mãos das correntes da inveja, da opressão e da omissão, Pedro foi liberto para se colocar a serviço do evangelho, e nós também devemos nos libertar daquilo que nos atrapalha a servir a Deus e aos irmãos de forma plena e desinteressada.
   Na carta a Timóteo (2Tm 4,6-8.17-18.), o apóstolo Paulo faz um balanço da sua missão, “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé.” Ele reconhece que foi o Senhor que lhe deu forças que anunciar o evangelho pelo mundo, e que Deus o livrou de muitos perigos zelando por sua vida, e que era chegada a hora da sua partida para receber a coroa da justiça, que o Senhor reserva para todos os que esperam no amor a gloriosa manifestação do Senhor.
   Encarcerado e próximo da morte, seria muito fácil de qualquer um questionar, “Onde está Deus?” Mas, Paulo fez diferente, olhando para sua jornada de vida, ele viu que Deus o fez forte para anunciar o evangelho, e que era o momento de entregar a sua vida para que muitas outras fossem resgatadas, meditar sobre a missão de Paulo é encontrar em Jesus sempre uma oportunidade de mudar radicalmente de vida, passar de perseguidor para perseguido por causa do Reino de Deus. E nós que tantas vezes pensamos que os nossos problemas são insuportáveis, será que conseguiríamos passar pelo o ele passou? Precisamos orar e confiar mais no Senhor para assim como Paulo, podermos completar a nossa missão.
   No evangelho segundo Mateus (Mt 16,13-19.), Jesus busca saber o que o povo diz a seu respeito, “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” e os discípulos respondem, “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”, mas, Jesus vai mais além, e quer saber daqueles que caminham, comem e convivem com ele, o que pensam a seu respeito, e Simão responde, “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo isso Jesus afirma que Simão não foi influenciado por ninguém na terra, e que ele foi inspirado por Deus em sua resposta, e lhe dá o nome de Pedro, pedra fundamental para a construção da sua igreja, e que o poder do inferno jamais poderá vencê-la.
   Em nosso dia-a-dia queremos moldar Jesus pela nossa conveniência, hoje vemos que muitas igrejas usam o nome de Jesus para extorquir os seus fieis, fazendo do anuncio do evangelho uma forma de obter um lucro certo, fácil e livre de impostos, Pedro reconheceu a divindade de Jesus e em sua missão levou a quem mais precisava, o Jesus misericordioso que deu a vida para que os outros tivessem vida abundante, jamais usufruiu dos privilégios de ser o apóstolo escolhido por Jesus para continuar a sua missão, e Jesus entregou a ele as chaves do Reino dos Céus, “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.
   Que nesta Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, possamos nos inspirar nestes exemplos de vida comprometida com Deus e com o próximo, com eles aprendemos que o Reino de Deus é para todos, e que ninguém tem autoridade de excluir o próximo da graça de Deus, eles que dedicaram até os últimos instantes das suas vidas ao anuncio do evangelho, serviam a Jesus em uma época onde se morria por isso, e nós que somos livres para escolher a nossa fé, não podemos simplesmente nos limitar aos momentos de louvores em nossos templos, Jesus nos chama a testemunhar o evangelho com nossas vidas justamente aonde os louvores das igrejas não chegam, nas igrejas buscamos a força que nos impulsiona a missão pelo mundo todo e Jesus está conosco assim como acompanhou Pedro e Paulo até o momento da sua partida.
Rubens Corrêa



sábado, 20 de junho de 2015

Com Jesus em nosso barco, vencemos as tempestades da nossa vida (21/06/2015)

   Neste domingo somos chamados para juntos com Jesus meditarmos sobre as tempestades das nossas vidas, por diversas vezes nos vemos em momentos difíceis onde o medo toma conta de todo o nosso ser, em várias ocasiões questionamos Deus sobre aquilo que nos aflige, a verdade é que somos infinitamente pequenos frente à grandeza do amor de Deus por nós, o que precisamos é confiar neste amor e na companhia de Jesus seguir a travessia de nossas vidas, mesmo em meio às tempestades, sabemos que com ele o nosso barco jamais afundará.
   Na leitura do livro de Jó (Jó 38,1.8-11.) vemos que Deus é o Senhor de toda a criação, ele tem poder sobre o mar, a terra e o céu, ele controla as nuvens, as névoas, os ventos, as tempestades e as ondas do mar.
   Deus criou tudo perfeito, mas o ser humano também quis demonstrar o seu poder, desmatou, poluiu, aterrou, nós seres humanos conseguimos deixar o nosso rastro de destruição em toda a criação de Deus, estamos destruindo a terra, a mar e o céu, mas, a pior destruição está no que o homem faz com o seu semelhante, precisamos dar um basta nesta triste realidade, Deus nos quer como colaboradores na sua criação, e nos diz, “Até aqui chegarás, e não além; aqui cessa a arrogância de tuas ondas?”
   O apóstolo Paulo fala aos Coríntios (2Cor 5,14-17) que estando em Cristo somos criaturas novas, o velho mundo desapareceu, Jesus faz nova todas as coisas, ele morreu para nos dar vida, não podemos viver por nós mesmos, devemos viver por aquele que se entregou, morrendo e ressuscitando por nós.
   Viver por Jesus é fazer a sua vontade, é usar de misericórdia para com aqueles que dela precisam, é promover a vida digna para todos independente das escolhas de cada um para sua vida, é lutar por justiça e igualdade mesmo quando tudo for desfavorável, é também respeitar aqueles que têm a crença diferente de nós e ajudá-los a também respeitarem as diferenças, viver para Jesus vai muito além de dobrar os joelhos em adoração nas igrejas, é fazer das suas lutas uma eterna adoração ao Deus da vida, sendo sinais de esperança para o mundo.
   O evangelista Marcos (Mc 4,35-41.) nos mostra Jesus acalmando a tempestade, durante a travessia do mar, Jesus dormia na parte de trás do barco, os discípulos estavam amedrontados pelo vento impetuoso e pelas fortes ondas que eram lançadas contra o barco, e foram até ele questionar, “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”, ele se levantou e ordenou, “Silêncio! Cala-te!”, no mesmo instante o que se viu foi uma grande calmaria, e disse as eles porque eram tão medrosos, questionando se ainda não tinham fé.
   Em nossas vidas, várias vezes sentimos o medo tomar conta de nós, e pensamos que o nosso barco vai afundar, sabemos que existe muitos problemas familiares, sociais, religiosos e até problemas com nós mesmos, sempre imaginamos que as nossas tempestades são mais terríveis que as dos outros, achamos que sofremos mais que as outras pessoas, e nos vemos longe de vencer os nossos medos, a verdade é que sempre esquecemos que Jesus navega no nosso barco, não para acalmar as tempestades, mas, para nos ajudar a vencer o medo da travessia, ele nos enche de esperança e confiança para enfrentar as diversidades da vida.
   Os discípulos com medo questionavam entre si, “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”(Mc 4,41b.), nós não somos diferentes deles, e não reconhecemos o poder que Jesus tem, achamos que estamos sozinhos em toda a jornada da nossa vida, mas, ele é o Senhor de toda a história, está presente em cada etapa da nossa vida, quando os ventos e as ondas tornam a travessia mais difícil, é ele que nos dá a força e a perseverança para seguirmos rumo a outra margem da nossa vida, com ele nos sentimos amados e seguros.
   Que neste domingo aprendamos com Jesus a vencer o medo da travessia, que saibamos confiar nele sem se abater pelos ventos e pelas ondas, e mais do que isso que sejamos sinais de fé e esperança que animam a travessia dos nossos irmãos, demonstrando o grande amor de Deus por nós, para que juntos possamos chegar à outra margem desta travessia rumo ao reino de Deus.
Rubens Corrêa