quinta-feira, 24 de março de 2016

“Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz.” (24/03/2016)

Primeira Leitura (Êx 12,1-8.11-14.)
   Leitura do Livro do Êxodo: Naqueles dias: 1O Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito: 2”Este mês será para vós o começo dos meses; será o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade dos filhos de Israel, dizendo: No décimo dia deste mês, cada um tome um cordeiro por família, um cordeiro para cada casa.
4Se a família não for bastante numerosa para comer um cordeiro, convidará também o vizinho mais próximo, de acordo com o número de pessoas. Deveis calcular o número de comensais, conforme o tamanho do cordeiro.
5O cordeiro será sem defeito, macho, de um ano. Podereis escolher tanto um cordeiro, como um cabrito: 6e devereis guardá-lo preso até ao dia catorze deste mês. Então toda a comunidade de Israel reunida o imolará ao cair da tarde.
7Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerem. 8Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas.
11Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a Páscoa, isto é, a ‘Passagem’ do Senhor!
12E naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e infligirei castigos contra todos os deuses do Egito, eu, o Senhor.
13O sangue servirá de sinal nas casas onde estiverdes. Ao ver o sangue, passarei adiante, e não vos atingirá a praga exterminadora, quando eu ferir a terra do Egito. 14Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar por todas as gerações, como instituição perpétua. - Palavra do Senhor.

   No livro do Êxodo encontramos a narrativa onde o próprio Deus institui o dia páscoa. Páscoa é a passagem do senhor na terra que garante a libertação dos seus filhos, neste primeiro momento o Senhor instrui a Moisés como proceder neste dia, em que eles deveriam escolher um cordeiro macho sem mancha ou defeito, e imolar ao cair da tarde, marcar as travessas das casas onde iriam comer o cordeiro assado com pães ázimos e ervas amargas, todo o cordeiro deveria ser comido no mesmo dia então caso a família não fosse grande o suficiente deveria chamar os vizinhos para comeres.
   As casas onde não tivessem a marca de sangue o senhor iria ferir todos os primogênitos afim de que os opressores fossem punidos e não adorassem a outros deuses, pois ele é o único Senhor que faz a aliança com seu povo e garante a salvação aos que obedecem e guardam suas leis em seu coração.

Segunda Leitura (1Cor 11,23-26)
   Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: Irmãos: 23O que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão 24e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”.
25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”. 26Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha. - Palavra do Senhor.

   Na carta de Paulo a comunidade de Coríntios, encontramos a passagem em que Jesus antes antecipa sua paixão na partilha do pão e do vinho. Instituindo assim o memorial eucarístico que vivenciamos em todas as missas. Mas o que Jesus queria, não era que somente repetíssemos um ato seu e sim nos deixar a mensagem de que através de sua morte todos tivessem o direito a vida e que através dele mesmo feito pão e vinho nos fortalecêssemos para a vida de comunidade comungando assim com o sofrimento de nossos irmãos, vivendo a partilha e a justiça.

Anúncio do Evangelho (Jo 13,1-15)
   PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João: 1Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.
2Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido.
6Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?” 7Respondeu Jesus: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”.
8Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!” Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. 9Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”.
10Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos”.
11Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: “Nem todos estais limpos”.
12Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? 13Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz. — Palavra da Salvação.

   No evangelho de João temos Jesus que sabendo que sua hora se aproximava deixa mais um sinal de que perante Deus somos todos iguais. Mesmo sendo Mestre e Senhor deixou-nos o exemplo da humildade e do serviço, lavando os pés de seus discípulos. Vemos neste texto que Pedro não queria deixar Jesus lavar-te os pés porque ainda vivia preso a desigualdade social, não tinha entendido ainda que Deus não faz distinção entre seus filhos, mas que presa a igualdade e a fraternidade, Jesus porém lhe diz que para fazer parte da comunidade cristã é preciso deixar de lado certas formalidades, se fazer igual e purificar o coração.
   Somos convidados na liturgia de hoje nos colocar a serviço de nossos irmãos, buscando o bem comum, a justiça e vivenciar todos os dias a fraternidade e a caridade.
   Não podemos deixar de mencionar nesta liturgia a campanha da fraternidade deste ano “Casa comum, nossa responsabilidade”.  É preciso entender que como cristão somos chamados a cuidar de toda a criação de Deus, que é simplesmente perfeita, mas que sofre com as ações dos homens e que atingi direta ou indiretamente a vida de homens, animais e plantas. Nosso planeta sofre e com ele toda a criação, então irmãos juntos vamos buscar soluções que nos garanta de verdade o bem comum e a vida em plenitude para todos.
Rosiani Corrêa Meirelles

domingo, 20 de março de 2016

Jesus, o rei servidor que doa a sua vida para redimir o seu povo (20/03/2016)

   Com a celebração dos Ramos iniciamos a semana santa, somos convidados a juntos com Jesus a percorrer o caminho para Jerusalém, passando pela sua paixão e morte, e ressuscitando com ele na pascoa. Esta caminhada nos lembra de que Jesus se esvaziou da sua condição divina para que na sua condição humana fosse como nós, experimentou a angustia e o medo, mas, em tudo foi obediente ao Pai, entregou a própria vida para nos dar o exemplo, com seu amor redimiu o mundo inteiro.
   Em seu evangelho (Lc 19,28-40), Lucas nos mostra Jesus entrando em Jerusalém, sentado em um jumentinho que nunca tinha sido montado, o povo estendia as suas roupas pelo caminho para que Jesus passasse, todos gritavam louvando a Deus pelos inúmeros milagres que haviam presenciado, “Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!” Alguns fariseus pediram a Jesus que repreendesse os discípulos, mas ele os respondeu: “Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão.”
   Jesus entra triunfante em Jerusalém, mas, sabia de tudo o que lhe aconteceria nos próximos dias, ele se mostra como um rei humilde e servidor, aquele que entrega sua vida para que os outros tenham vida, é ele o verdadeiro cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo.
   Na primeira leitura (Is 50,4-7.) o profeta Isaías nos diz: “O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.”
   Quando estamos repletos de Deus em nossa vida jamais somos humilhados, a nossa língua deve servir de consolo a quem necessita, nós como discípulos seguimos os passos de Jesus, fazendo a bem a quem mais precisa sem se importar com as perseguições, que assim como ele, iremos sofrer, em Deus encontramos a nossa fortaleza para vencer as intemperes desta vida.
   Em sua carta aos Filipenses (Fl 2,6-11.) o apóstolo Paulo nos revela: “Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: 'Jesus Cristo é o Senhor', para a glória de Deus Pai.”
   Mesmo sendo divino, Jesus se fez humano para que como nós provasse as dores deste mundo, ele foi obediente ao Pai até o fim, se entregando em holocausto para nos redimir dos nossos pecados, e Deus o elevou com todas as honras acima de todos, para ele todos os joelhos se dobrarão em todo lugar, Deus o fez o Senhor soberano de todo o universo.
   Lucas também nos mostra em seu evangelho (Lucas 23,1-49.), o mesmo Jesus que entrou aclamado pelo povo sendo jugado dias depois por Pilatos. Sendo acusado de ser traidor do império romano e de ser um grande agitador do povo, os sumos sacerdotes excitava a multidão a pedir a Pilatos que condenasse Jesus e que soltasse um bandido chamado Barrabás, Pilatos o interroga, e Jesus mesmo em risco eminente de morte não nega sua divindade e realeza, Jesus é açoitado e obrigado a carregar a sua cruz até o calvário, “ele toma sobre si as nossas dores” e segue para o seu destino, é crucificado entre dois malfeitores e suplica a Deus, “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!” Ele tem suas vestes repartidas e na cruz é insultado pelos que acompanhavam a execução. De meio-dia até as três horas da tarde a escuridão tomou conta da terra e Jesus gritou: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Dizendo isso expirou e morreu, muitos que estavam por ali exclamaram: “De fato! Este homem era justo!”
   Como alguém que somente fez o bem poderia ser condenado de forma tão cruel? Ao devolver a dignidade aos menos favorecidos, Jesus mexeu na posição de muita gente, como hoje, muitos exploravam a fé do povo, usando da religião para obter vantagens pessoais, Cristo olhava para cada um com olhos cheios de amor e dizia que o Pai é misericordioso para com todos, e que não há limites para o amor de Deus para com seus sofridos filhos, para os lideres religiosos daquela época a cultura do medo da condenação era uma valiosa arma para escravizar e oprimir o povo, Jesus deu um basta em tudo isso.
   Que nesta semana santa possamos com Jesus aprender o caminho para santidade, somos pecadores e muitas vezes vacilamos no caminho, mas, ele conta conosco para tornar santa esta igreja libertadora fundada sobre os apóstolos, que também eram pecadores e também vacilavam no caminho, e mesmo assim acreditaram na misericórdia de Deus e espelharam o seu amor pelo mundo.
   O Papa Francisco desde o inicio do seu pontificado vem abrindo a igreja para o mundo, dialogando com todas as religiões e resgatando as ovelhas desgarradas do rebanho, e ele faz isso não pela imposição e pela opressão, Francisco usa o caminho da misericórdia de Deus para que possamos colocar de lado as diferenças e encontrarmos aquilo que nos uni. Em Jesus, todos podemos abandonar o pecado e a igreja deve ser este elo que nos uni a Cristo. 
Rubens Corrêa

domingo, 13 de março de 2016

“Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais.” (13/03/2016)

   Neste quinto domingo da quaresma, somos chamados a um encontro com o amor misericordioso de Deus, ele que faz brotar para nós a água da vida eterna, para que lavado de todos os pecados possamos encontrar o verdadeiro sentido para a nossa vida, em Cristo todos somos redimidos dos pecados, mas, é preciso uma mudança de vida, ao conhecermos verdadeiramente Jesus tudo ganha um sentido novo para nós, ao passar pelo seu amor incondicional somos profundamente transformados por ele, nos tornamos criaturas novas.
   Na primeira Leitura (Is 43,16-21.) o profeta Isaías nos diz: “Isto diz o Senhor, que abriu uma passagem no mar e um caminho entre águas impetuosas; que pôs a perder carros e cavalos, tropas e homens corajosos; pois estão todos mortos e não ressuscitarão, foram abafados como mecha de pano e apagaram-se: 'Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca. Hão de glorificar-me os animais selvagens, os dragões e os avestruzes, porque fiz brotar água no deserto e rios na terra seca para dar de beber a meu povo, a meus escolhidos. Este povo, eu o criei para mim e ele cantará meus louvores.”
   Isaías nos mostra que devemos deixar os antigos fardos para trás, porque o Senhor está provendo tão generosamente por nós, ele que fez brotar água no deserto para saciar a sede do povo, hoje vem nos saciar com a sua palavra de vida plena, somos os seus escolhidos, não por nossos méritos, mas por vossa misericórdia. Porque ficar se lamentando por coisas passadas? Deus torna tudo novo em nossa vida, basta que acreditemos e com o coração convertido nos lancemos ao encontro deste amor misericordioso.
   Escrevendo aos Filipenses (Fl 3,8-14.) o apóstolo Paulo nos revela: “Irmãos: Na verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele, não com minha justiça provindo da Lei, mas com a justiça por meio da fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, na base da fé. Esta consiste em conhecer a Cristo, experimentar a força da sua ressurreição, ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos. Não que já tenha recebido tudo isso, ou que já seja perfeito. Mas corro para alcançá-lo, visto que já fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, eu não julgo já tê-lo alcançado. Uma coisa, porém, eu faço: esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus.”
   Paulo nos mostra que em Cristo ele descobriu o que realmente tem valor, muitas coisas que antes ele considerava como importante se tornou como lixo ao encontrar aquele que dá o verdadeiro sentido a todas as coisas, ao experimentar o amor que vem de Jesus, Paulo muda radicalmente a sua vida, colocando-se como um humilde servo, ele se tornou um grande mensageiro deste amor de Jesus. E nós? Que sentidos encontramos para as coisas em nossa vida? Em sua ressurreição Cristo nos abre o caminho da vida eterna, a decisão de seguir é de cada um, Paulo já percorreu este caminho e com Jesus nos espera na glória de Deus.
   No evangelho (Jo 8,1-11.) João nos mostra dimensão do amor misericordioso de Jesus: “Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando a no meio deles, disseram a Jesus: 'Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?' Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: 'Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.' E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio do povo. Então Jesus se levantou e disse: 'Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou ?' Ela respondeu: 'Ninguém, Senhor.' Então Jesus lhe disse: 'Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais.'”
   Nesta linda passagem bíblica, Jesus vem nos propor um exame de consciência, é muito fácil apontar para o erro dos outros enquanto os nossos estão ocultos, para o povo daquela época era mais fácil se livrar de uma pecadora do que propor a ela uma mudança de vida, em nossa sociedade “civilizada” de hoje vemos que muitas vezes agimos assim, sumariamente condenamos as pessoas que tem atitudes diferentes das nossas e não nos preocupamos em ajudar o irmão a encontrar o caminho da salvação.
   Jesus com poucas palavras devolveu a vida àquela mulher, ele age com misericórdia com o pecador, mas, não apoia o pecado, ele mostra o caminho a seguir para encontrar a vida plena, “de agora em diante não peques mais”, não existe conversão sem uma proposta de mudança de vida, é isso que Jesus vem falar para nós hoje que é preciso abandonar o pecado e se encontrar com o amor misericordioso de Deus, estamos livres para escolhermos o caminho a seguir.
   Que neste domingo possamos nos abrir verdadeiramente para a graça de Deus, este tempo de quaresma é o momento oportuno para examinarmos tudo o que estamos fazendo em nossa vida, muitas vezes somos mesquinhos e condenamos sumariamente o nosso irmão, não lhe apresentando nenhuma alternativa de reencontro com Deus. Se Jesus não condenou porque insistimos em condenar? Quantas vezes ouvimos falar que: “Errar é humano, perdoar é Divino”, Cristo nos deu o exemplo, e cabe a cada um de nós, assim como Paulo, ser mensageiros deste amor misericordioso de Deus, somos a voz de Jesus dizendo para o mundo de hoje: “Podes ir, e de agora em diante não peques mais.”
Rubens Corrêa

terça-feira, 1 de março de 2016

“Sede misericordiosos como o vosso Pai” (06/03/2016)

      Introdução
   Nas leituras deste domingo há um convite explícito para a celebração e para a reconciliação. Neste convite, está implícita a necessidade de mudarmos a nossa visão conceitos sobre Deus e, consequentemente, nossa relação com Ele. Somente à luz deste novo olhar para Deus é que se poderá compreender o modo pelo qual Ele atua na história.

I Leitura (Josué 5, 9.10-12): Reconciliados com Deus
   A celebração da Páscoa na terra prometida é a renovação da aliança e reinaugura o processo histórico salvífico para o povo de Deus que saiu da terra do Egito pela força de Deus.
   O texto enfatiza uma nova etapa na vida e na história de Israel que implica uma ruptura com a desobediência no deserto – experiência de pecado. A celebração da Páscoa atualiza, ritualmente, a libertação da escravidão (páscoa-passagem), mas também serve para fazer memória da história, aprender com os erros e solidificar a fidelidade a Deus na aliança.
   Já de posse da terra, o povo deixa de comer o maná (dom de Deus) e começa a comer os frutos da terra que também são sinal da bondade de Deus para com o seu povo.
   Os hebreus estavam na terra da qual Deus havia dito que manava leite e mel, e a palavra de Deus se cumpriu, pois agora os frutos da terra saciam o povo e já podem viver com dignidade.

II Leitura (2Cor 5,17-21): somos embaixadores de Cristo
   Paulo declara enfaticamente que a perspectiva da qual o cristão vê todas as coisas deve ser a mesma de Jesus.
   Os vv. 17-19 salientam que em Cristo todas as coisas são velhas e agora tudo é novo, e isso ocorre por causa da graça de Deus, que reconciliou o mundo consigo.
   Estar “em Cristo” (v.17a) representa uma relação íntima e Paulo a quer expressar com o termo “nova criatura” (v.17b). Por Cristo, Deus criou uma nova humanidade; tudo vem de Deus, Ele é o autor da salvação. O impacto da obra redentora de Deus é a reconciliação (v.18). A reconciliação não é obra nossa, mas é obra de Deus (v.20). O evangelho é boa notícia, a reconciliação realizada por Deus merece ser proclamada a toda a humanidade.
   Paulo nos leva ao ápice do ministério cristão com a declaração de que “somos embaixadores de Cristo” (v.20). O papel do embaixador é singular porque está credenciado pela autoridade que o enviou. Deus nos delega como embaixadores para a obra da reconciliação.

Evangelho (Lc 15,1-3.11-32): Celebrar o retorno à casa do Pai
   Aqui se encontra o coração do evangelho da misericórdia; Deus (pai) sai em busca do perdido e se alegra com o seu regresso ainda antes dele voltar.
   Os vv. 1-3 são apenas uma introdução justificativa das parábolas da misericórdia.
   O texto se divide em duas partes: o filho mais jovem (15,11-24) e o filho mais velho (15,25-32). Estas duas cenas são unidas pela ação do pai, o verdadeiro protagonista do relato. O ponto central é o encontro com o pai, comentado pelo refrão que sela toda a cena: “Este meu filho estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado” (15,24).
   Os vv. 11-16 narram a situação do filho mais novo que decide partir em busca daquilo que parece ser a sua liberdade interior.
   Os vv. 17-21 narram o processo do desejo de regressar a casa para fazer a experiência do perdão porque caiu bem no fundo do poço e porque se lembra da bondade do pai.
   Nos vv. 25-32 entra em cena o filho mais velho que se ressente da relação do pai com o filho mais jovem. O papel do pai é reconciliar estes dois irmãos para se sentarem à mesa da fraternidade sem reclamações. A fraternidade está ao alcance de todos.
   A narrativa termina com um convite para celebrar o retorno do pecador arrependido. Jesus mostra que o Pai sai em busca dos perdidos e festeja porque o seu coração está cheio de vida.

   Neste Ano da Misericórdia em que somos convidados a fazer a experiência do perdão e da reconciliação, aproveitamos as oportunidades que Deus coloca no nosso caminho.
   “É necessário, filho, que te alegres: teu irmão estava morto, e reviveu, perdido, e foi achado” (15,32)
Notas soltas
   Neste IV Domingo da Quaresma, se podem usar ornamentos de cor rosa.  A cor rosa nos ornamentos litúrgicos, é próprio dos domingos de "Gaudete" (o terceiro domingo de advento) e "Laetare" (o quarto domingo da Quaresma), que servem para lembrar aos penitentes sobre a proximidade do Natal e da Páscoa, e por conseguinte a cessação da penitência e do jejum.
    O nome "Laetare" vem da antífona de entrada e significa " Alegra-te " e expressa que já falta pouco para chegar ao feliz tempo da ressurreição. Daí o emprego da cor rosa, que é símbolo de alegria, embora seja de uma alegria efémera, própria só de certas ocasiões.
   Acolhendo os apelos de conversão da Quaresma e da Palavra de Deus, a nossa celebração será sempre um verdadeiro banquete para celebrar na alegria à volta ao Pai e à comunidade dos filhos pródigos que estavam perdidos, mas que voltaram à vida pela Bondade de Deus e pela Acolhida dos irmãos.
   A Quaresma é tempo de nos reconciliar com Deus. O Povo de Israel caminhou pelo deserto, buscou a liberdade e, no final, chegou à terra prometida. Nela celebrou a Páscoa. E nós, novo povo de Deus, que páscoa, que terra, que libertação procuramos?
Luis Filipe Dias

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Em Cristo frutificamos esperança para o mundo (28/02/2016)

   Neste terceiro domingo da quaresma somos convidados para ter um encontro especial com Deus, dele recebemos a missão de sermos transformadores deste mundo, mas, esta transformação começa dentro de cada um de nós, precisamos ser merecedores da graça que Deus tem para nós e para isso devemos ser uma figueira fecunda, trazendo bom frutos e colocando-os a disposição do reino de Deus, em Jesus a nossa missão frutifica abundantemente.
   Na primeira leitura (Êx 3,1-8a.13-15.) o encontro de Moisés com Deus: “Naqueles dias, Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Levou, um dia, o rebanho deserto adentro e chegou ao monte de Deus, o Horeb. Apareceu-lhe o anjo do Senhor numa chama de fogo, do meio de uma sarça. Moisés notou que a sarça estava em chamas, mas não se consumia, e disse consigo: ‘Vou aproximar-me desta visão extraordinária, para ver por que a sarça não se consome’. O Senhor viu que Moisés se aproximava para observar e chamou-o do meio da sarça, dizendo: ‘Moisés! Moisés!’ Ele respondeu: ‘Aqui estou’. E Deus disse: ‘Não te aproximes! Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é uma terra santa’. E acrescentou: ‘Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’. Moisés cobriu o rosto, pois temia olhar para Deus. E o Senhor lhe disse: ‘Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor por causa da dureza de seus opressores. Sim, conheço os seus sofrimentos. Desci para libertá-los das mãos dos egípcios, e fazê-los sair daquele país para uma terra boa e espaçosa, uma terra onde corre leite e mel’. Moisés disse a Deus: ‘Sim, eu irei aos filhos de Israel e lhes direi: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas, se eles perguntarem: ‘Qual é o seu nome?’, o que lhes devo responder?’ Deus disse a Moisés: ‘Eu Sou aquele que sou’. E acrescentou: ‘Assim responderás aos filhos de Israel: ‘Eu Sou’ enviou-me a vós’. E Deus disse ainda a Moisés: ‘Assim dirás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, o Deus de vossos Pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó enviou-me a vós’. Este é o meu nome para sempre, e assim serei lembrado de geração em geração’.”
   Deus se compadece da dor do povo e do meio da sarça em chamas, convoca o seu predestinado Moisés para libertar o povo, o manda tirar as sandálias em sinal de humildade e reafirma que é o Deus que fez a aliança com Abraão, Isaac e Jacó, e que chegou o momento de libertar o povo da dura realidade de escravidão no Egito, conduzi-lo para uma terra fecunda onde corre leite e mel. Hoje somos nós que com humildade, devemos ouvir o chamado de Deus e nos colocar a serviço, pois o povo sofre com tantas situações que oprime e nós não podemos ficar calados diante do clamor de quem passa fome, que sofre com a injustiça e com as guerras, milhões de pessoas que sofre com a negligencia de governos que desviam recursos de áreas sociais para os bolsos de uma minoria que explora a miséria e a dor do povo. Hoje Deus nos chama e nos envia para ser esperança e libertação para este mundo.  
   Em sua carta aos Coríntios (1Cor 10,1-6.10-12.) o apostolo Paulo nos diz: “Irmãos, não quero que ignoreis o seguinte: Os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem e todos passaram pelo mar; todos foram batizados em Moisés, sob a nuvem e pelo mar; e todos comeram do mesmo alimento espiritual, e todos beberam da mesma bebida espiritual; de fato, bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava — e esse rochedo era Cristo —. No entanto, a maior parte deles desagradou a Deus, pois morreram e ficaram no deserto. Esses fatos aconteceram para serem exemplos para nós, a fim de que não desejemos coisas más, como fizeram aqueles no deserto. Não murmureis, como alguns deles murmuraram, e, por isso, foram mortos pelo anjo exterminador. Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair.”
   Em Cristo encontramos a salvação, muitas vezes encontramos o caminho, participamos da vida da comunidade, mas, não abandonamos as praticas que desagrada a Deus, e mesmo assim achamos que somos merecedores de alguma coisa, o apostolo Paulo vem nos alertar com o exemplo de povo que presenciou a graça de Deus na saída da escravidão do Egito e que se perverteu durante a caminhada no deserto rumo a terra prometida, não podemos nos perder do caminho, olhando os exemplos de Jesus encontramos o caminho seguro rumo ao reino de Deus.
   No evangelho (Lc 13,1-9.) vemos Jesus ensinando por meio de parábola: “Naquele tempo, vieram algumas pessoas trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam. Jesus lhes respondeu: ‘Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo’. E Jesus contou esta parábola: ‘Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. Então disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’ Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’.”
   Jesus nos convida a uma verdadeira conversão, e nos ensina com a parábola da figueira que de nada adianta estarmos neste mundo ocupando espaço se não produzimos frutos, ele como aquele vinhateiro intercede por nós, solicitando a Deus mais um tempo para que possamos apresentar os frutos que até então não apresentamos a Deus, ele com sua palavra cava em volta de nós e com os seus exemplos nos aduba para nos tornar fecundos, mas, somos nós que devemos usar esta palavra e os exemplos para transformar em frutos apresentando diante de Deus no dia da colheita.
   Vemos que Deus criou este mundo e nos deu como casa para habitarmos, em nada somos merecedores desta terra, tudo é dom gratuito de Deus, mas, não estamos cuidando deste presente que recebemos, vivemos em um mundo de muitas desigualdades, nas mãos de poucos estão a maioria das riquezas deste mundo enquanto a muitos não tem nem o básico para viver, em nome do progresso e do dinheiro destruímos os rios, as florestas, o ar e toda a vida do planeta, e o povo sofre com a falta de planejamento e estrutura de uma sociedade que visa somente o lucro rápido e fácil a qualquer custo, este ano somos convocado para na luz da palavra de Deus mudar esta triste realidade, ainda há tempo de apresentarmos bons frutos diante do Senhor.
   Que neste domingo possamos aprender com o exemplo de Moisés que tirou as sandálias em gesto de humildade e que abaixou os olhos por não se considerar digno de contemplar o Senhor face a face, mas, que atendeu o chamado de Deus libertando o povo da escravidão no Egito, com Paulo aprendemos que Cristo é o rochedo que nos salva e não podemos mais continuar com as velhas práticas, depois que experimentamos a salvação que vem do Senhor, tudo que era velho se torna novo, em Jesus somos as figueiras devidamente adubadas com sua palavra e seus exemplos para produzir frutos de esperança para este mundo.
Rubens Corrêa

sábado, 20 de fevereiro de 2016

O Cristo transfigurado nos dá a esperança da aliança definitiva (21/02/2016)

   A liturgia deste segundo domingo da quaresma nos remete a refletir sobre a aliança que Deus faz com o seu povo nos diferentes momentos da historia a fim de dar a libertação dos oprimidos e fazer florescer a justiça entre os homens. Ele nos chama a ser fiel e crer em sua promessa de vida eterna.
Primeira leitura: Gn 15,5-12.17-18 
Leitura do Livro do Gênesis: Naqueles dias, 5o Senhor conduziu Abrão para fora e disse-lhe: “Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz!” E acrescentou: “Assim será a tua descendência”.
6Abrão teve fé no Senhor, que considerou isso como justiça. 7E lhe disse: “Eu sou o Senhor que te fez sair de Ur dos Caldeus, para te dar em possessão esta terra”.
8Abrão lhe perguntou: “Senhor Deus, como poderei saber que vou possuí-la?” 9E o Senhor lhe disse: “Traze-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um carneiro de três anos, além de uma rola e de uma pombinha”.
10Abrão trouxe tudo e dividiu os animais pelo meio, mas não as aves, colocando as respectivas partes uma frente à outra.
11Aves de rapina se precipitaram sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotou. 12Quando o sol já ia se pondo, caiu um sono profundo sobre Abrão e ele foi tomado de grande e misterioso terror.
17Quando o sol se pôs e escureceu, apareceu um braseiro fumegante e uma tocha de fogo, que passaram por entre os animais divididos.
18Naquele dia, o Senhor fez aliança com Abrão, dizendo: “Aos teus descendentes darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o Eufrates”. – Palavra do Senhor – Graças a Deus –
   Na primeira leitura Deus faz uma promessa a Abrão homem já em idade avançada, que te dará uma descendência numerosa por seu amor e confiança. Abrão pede instruções ao Senhor e ele te dá à resposta de como deve agir para receber tal justiça. Para Deus devemos dar sempre o que temos de melhor e mais puro por isso ele pede animais de três anos para mostrar pureza e a rola e a pombinha não são sacrificadas para que possamos entender que se confiarmos no senhor podemos voar alto alcançar um novo horizonte de bênçãos, assim como Abrão.  
Segunda Leitura (Fl 3, 17-21. 4,1)
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses: 17Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que vivem de acordo com o exemplo que nós damos.
18Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. 19O fim deles é a perdição, o deus deles é o estômago, a glória deles está no que é vergonhoso e só pensam nas coisas terrenas.
20Nós, porém, somos cidadãos do céu. De lá aguardamos o nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo. 21Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso, com o poder que tem de sujeitar a si todas as coisas.
4,1Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor. – Palavra do Senhor – Graças a Deus –
   Na carta de Paulo ele nos chama a sermos seus imitadores, observando sempre os ensinamentos do próprio Jesus e sendo anunciadores da boa noticia assim como ele mesmo o fez através de seus exemplos e suas cartas, cartas estas que levavam a mensagem de Cristo a comunidades mais distantes e que ainda hoje nos transmitem a mensagem do Amor de Deus por nós e nos orienta a não se deixar contaminar pelo pecado que destrói o ser humano como um todo (fisicamente, moralmente e espiritualmente) e toda a sua criação.
Anúncio do Evangelho (Lc 9, 28b-35)
Naquele tempo, 28bJesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. 29Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante.
30Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. 31Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém.
32Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.
33E, quando estes dois homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava dizendo.
34Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem.
35Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!”
36Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto. – Palavra da Salvação – Glória a vós Senhor –
   Antes desse acontecimento Jesus tinha dito a seus discípulos tudo o que haveria de acontecer e eles tiveram muitas duvidas porque todos achavam que o messias deveria ser alguém forte com poder e autoridade. Como poderia Jesus sofrer e morrer então? Como poderia salvar a todos se ele mesmo cairia nas mãos dos opressores? Estando a se preparar para tal acontecimento, Jesus parte com seus discípulos para monte para orar, e lá diante dos discípulos e em oração Jesus é revestido de glória e conversa com Moises e Elias, Moises que tinha vivido êxodo para a libertação do seu povo e Elias um dos maiores profetas da historia. Quando vê a cena Pedro quer ficar ali junto com eles, mas Deus os cobre com uma nuvem o que os causa medo, mas do meio da nuvem vem a voz Deus dizendo que Jesus era sim o prometido e que assim como os profetas precisava passar pelo êxodo para que pudesse assim dar a libertação e salvação dos oprimidos. Desta forma os discípulos tiveram a confirmação da aliança de Deus com o seu povo.
   Em meios às dificuldades da vida temos muitos medos que nos atrapalham a viver de forma messiânica a nossa fé, a nos entregarmos ao projeto do pai e assim ajudar a todos usufruir dos benefícios nos dado pelo próprio Deus na sua perfeita criação. Hoje vivemos cercados pelo egoísmo que busca somente o poder que oprime e tira a dignidade do ser humano e que destrói a criação de Deus.
   A campanha da Fraternidade vem nos alertar para os riscos que enfrentamos, onde pessoas vivem sem nenhuma condição humana, enquanto vemos o progresso crescendo e as tecnologias se expandindo e achamos tudo normal. Onde questionamos as atitudes dos políticos  que visam  seus próprios interesses e buscam cada vez mais riquezas, mas também nos acomodamos porque temos água encanada e não vemos o nosso esgoto a céu aberto. Mas sabemos pra onde vai? Sabemos se o lixo que sai da nossa casa incomoda os nossos irmãos?
   Temos o mau costume de dizer o que os olhos não veem o coração não sente! Mas o coração do cristão deve sentir sim, sentir que todos somos filho do mesmo Pai e que não podemos encontrar a paz a felicidades se não sentimos a necessidade do outro e ainda se não lutamos para ver a justiça brotar em nosso meio.
   Inspirados pela liturgia de hoje acreditemos nas promessas do Pai e nos deixemos nos inspirar pelas palavras do profeta Amós “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.
Rosiani Corrêa Meirelles