sábado, 3 de dezembro de 2016

"Convertei-vos" (04/12/2016)

   O nosso preparar-nos para a vinda do Senhor não está sujeito às leis do mercado e do consumo que nos levam ao Natal sem celebrar o Advento. Neste segundo domingo, aparece a figura de João Batista, o anticonsumo. Esta figura nos leva ao desapego e estilo de vida simples. Exige mudar de mentalidade.
   A palavra grega "metanoia", que no evangelho resume a pregação de Jesus, nos indica uma mudança não apenas estética, mas radical na vida.
Assim a nossa preparação para a vinda do Senhor, vai remar contra a corrente do capitalismo que tenta governar a vida de nossas famílias.
   O mais forte tende a dominar o mais fraco, mas a Palavra de Deus nos indica um caminho bem diferente: as pessoas deixam de ser bichos!

   I leitura: Isaías 11,1-10 - reino novo baseado na esperança messiânica
   A dinastia de Davi, o filho de Jessé, estava enfraquecida, quase liquidada diante do poderio da Assíria. Era como um toco cortado rente ao chão, sem vida e sem esperança.
   A imagem do lobo e do cordeiro nos ajudam a entender esta realidade nova. O lobo será hóspede do cordeiro, o leopardo vai se deitar ao lado do cabrito.
   Aquilo que o profeta sonhou firmou a esperança de um povo numa realidade diferente e num futuro cheio de esperança. Será apenas utopia?

    II leitura: Romanos 15,4-9 - cristãos expulsos da sua cidade
   Os cristãos judeus tinham sido expulsos de Roma. Paulo diz que é tempo de esperança fundamentada na Palavra de Deus: Ele fala de paciência e consolação em tempos de desintegração e instabilidade. Só assim se podem superar as dificuldades de relacionamento entre os cristãos judeus que voltam e os cristãos gentios que ficaram na cidade. Só assim poderão participar unidos numa mesma celebração para louvar a Deus.

   Evangelho: Mateus 3,1-12 - metanoia contra a corrente
   Aqui nos apontam os caminhos que conduzem ao Natal. João Batista vai falar de mudança de cabeça (coração). Mudança de mentalidade, a coragem de remar contra a corrente do pensamento dominante, a coragem e ousadia de pensar de modo diferente e fazer a diferença nos dias atuais.
   O motivo para tudo isto é que o reinado de Deus está chegando. O Evangelho de Mateus fala de "céus" para substituir a palavra Deus, por respeito ao Nome. Quando se diz reino dos céus, queremos dizer reinado de Deus, mundo onde manda Deus, e não o dinheiro ou seus súbditos.

Pistas de reflexão:
   Advento não é tempo de preparar as comemorações do Natal, os presentes, a comida e a bebida com os amigos. É tempo de caminhar ao encontro pessoal e comunitário (família) com o Cristo, o Messias.

   "Metanoia" nos leva a nadar contra a corrente, embora esta seja mais volumosa que o rio Amazonas. Na minha prática de cada dia, o que posso eu fazer de diferente para fazer a diferença neste Natal?
Luis Filipe Dias


domingo, 27 de novembro de 2016

Primeiro domingo do Advento: “Vem Senhor Jesus” (27/11/2016)

   Iniciamos neste domingo o tempo do Advento, um momento oportuno para meditarmos sobre as ações da nossa vida e buscar o caminho que nos leva ao encontro com o Senhor, mas para isso devemos abandonar tudo o que nos impede de subir ao monte do Senhor e contempla-lo face a face, não sabemos o momento em que Jesus retornará, então devemos a cada dia nos preparamos para o encontro definitivo com Deus.
   O profeta Isaías (Is 2,1-5.) nos diz: “Visão de Isaías, filho de Amós, sobre Judá e Jerusalém. Acontecerá, nos últimos tempos, que o monte da casa do Senhor estará firmemente estabelecido no ponto mais alto das montanhas e dominará as colinas. A ele acorrerão todas as nações, para lá irão numerosos povos e dirão: ‘Vamos subir ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que ele nos mostre seus caminhos e nos ensine a cumprir seus preceitos’; porque de Sião provém a lei e de Jerusalém, a palavra do Senhor. Ele há de julgar as nações e arguir numerosos povos; estes transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices; não pegarão em armas uns contra os outros e não mais travarão combate. Vinde, todos da casa de Jacó, e deixemo-nos guiar pela luz do Senhor”.
   Isaías nos fala do dia em que o monte do Senhor será estabelecido no ponto mais alto deste mundo, e somos convidados a subir a este monte para nos apresentar diante do Senhor, eis que ele virá para jugar e transformar nossas vidas, longe das armas e dos combates viveremos guiados pela Luz do Senhor. Subir o monte significa para nós percorrer um difícil caminho para nos encontrar com Deus, a rotina de nossa vida muitas vezes nos impede de experimentar a vida que vem de Deus, subir o monte é um convite para deixarmos as coisas que nos prende a este mundo para alcançar o que realmente importa para nós.
   Escrevendo as Romanos (Rm 13,11-14a) o apóstolo Paulo também quer nos dizer: “Irmãos: Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar. Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite já vai adiantada, o dia vem chegando; despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz. Procedamos honestamente, como em pleno dia; nada de glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”.
   Paulo nos mostra que a salvação está próxima de nós, mas para alcança-la precisamos de abandonar os vícios adquiridos nas trevas e nos revestir do homem novo, filho da luz. Olhando para o mundo hoje vemos o quanto os homens e mulheres são estimulados a viver longe da honestidade, mesmo se dizendo cristãos muitos se perderam em meio a corrupção do corpo e da alma, é hora de mudar esta triste realidade, o advento vem nos preparar para dizer “Vem Senhor Jesus, já estamos preparados para recebe-lo em nossas vidas e em nossos corações”.
   No evangelho (Mt 24,37-44.) recebemos um belo ensinamento de Jesus: “Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos: ‘A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé. Pois nos dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. E eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem. Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado. Duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada e a outra será deixada. Portanto, ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor. Compreendei bem isto: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. Por isso, também vós ficai preparados! Porque, na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá’”.
   O evangelista Mateus nos apresenta Jesus falando da sua segunda vinda que ocorrerá de forma inesperada, citou a sociedade da época de Noé que viviam sua rotina normal ignorando totalmente a catástrofe que estava anunciada, quando Noé encontrou na arca tudo em sua volta foi destruído pelas águas do dilúvio. E nós como estamos nos preparando para a volta de Jesus? Não sabemos quando ele virá e devemos estar em constante vigilância, vigiar não os outros, mas sim as nossas próprias ações, pois quando ele vier duas pessoas poderá estar cantando na igreja, uma será levada e outra deixada, fazer as coisas para alcançar a glória neste mundo diante dos homens poderá nos deixar longe do encontro definitivo com Jesus.
   Celebrar o advento para nós cristãos deve ser um motivo de muita alegria, Deus nos dá uma nova oportunidade de conversão, as leituras bíblicas deste tempo nos fazem refletir sobre a nossa vida em família, em comunidade e em sociedade, como discípulos de Cristo ressuscitado temos que ser guiados pelos seus ensinamentos, não podemos ter uma vida dentro da igreja e outra fora dela, ser cristão nos remete a uma missão dentro e principalmente fora do ambiente religioso.
   Que neste domingo possamos iniciar a subida do monte do Senhor e neste percurso vamos deixando de lado todas atitudes inapropriadas que temos em nossa vida, Jesus  nos convida a ser vigilantes vivendo com a dignidade de filhos de Deus em todos os dias de nossa vida, ele é a luz que guia os nossos passos rumo a casa celeste, que também possamos segui-lo em sua missão sendo luz no caminho de nossos irmãos, foi assim com aqueles simples homens e mulheres  que receberam o seu chamado de ser seus discípulos e que mesmo em grandes dificuldades acreditaram e transmitiram a nós os seus ensinamentos, também somos chamados a transmitir com fidelidade a sua mensagem ao mundo todo. 
Rubens Corrêa

sábado, 19 de novembro de 2016

Realeza e Misericórdia de Cristo Rei do Universo (20/11/2016)

   Neste domingo encerramos o ano litúrgico. Durante todo o ano celebramos os mistérios da vida de Jesus Cristo, seu nascimento, sua morte e ressurreição, sua ascensão, Pentecostes, Virgem Maria e os Santos e junto celebramos nossa caminhada para Deus.
   Encerramos também o Ano Santo da Misericórdia, um jubileu extraordinário convocado pelo Papa Francisco, que teve seu centro na misericórdia divina.
Celebramos ainda, o dia do Leigo, aqueles que ocupam diversos serviços na vida da igreja e ainda assumem suas famílias e são testemunhas no meio da sociedade.
   No Segundo Livro de Samuel (2Sm 5,1-3.) vimos que “Naqueles dias, todas as tribos de Israel vieram encontrar-se com Davi em Hebron e disseram-lhe: ‘Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne. Tempos atrás, quando Saul era nosso rei, eras tu que dirigias os negócios de Israel. E o Senhor te disse: ‘Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o seu chefe’’ Vieram, pois, todos os anciãos de Israel até ao rei em Hebron. O rei Davi fez com eles uma aliança em Hebron, na presença do Senhor, e eles o ungiram rei de Israel.”
   Que tipo de autoridade política e religiosa temos? O que queremos? A leitura deixa bem claro que o povo é de Deus e a autoridade é quem vai chefiar esse povo. A função das autoridades (qualquer pessoa que assuma função de líder) é guiar, cuidar, zelar, a autoridade é antes de tudo um servo do Senhor com a missão de conduzir seu povo.
   O salmo (Sl 121) canta a felicidade do povo em se reunir em Jerusalém para partilhar a liberdade e a vida, reunido em torno do projeto de Deus que assegura a justiça para todos.
“— Quanta alegria e felicidade: vamos à casa do Senhor!
— Que alegria, quando ouvi que me disseram: 'Vamos à casa do Senhor!'. E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas.
— Para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor. Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. A sede da justiça lá está e o trono de Davi.”
   Paulo escreve aos Colossenses (Cl 1,12-20.) para dizer que somente Cristo é o mediador entre Deus e os humanos. “Irmãos: Com alegria dai graças ao Pai, que vos tornou capazes de participar da luz, que é a herança dos santos. Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, por quem temos a redenção, o perdão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência. Ele é a Cabeça do Corpo, isto é, da Igreja. Ele é o princípio, o Primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz”.
   Nos reconciliamos com Deus através da cruz de Cristo. Só por Jesus temos acesso ao conhecimento do Deus invisível.
   Lucas (Lc 23,35-43.), em seu evangelho nos fez descobrir os valores e atitudes do Reino de Deus, durante todo o ano litúrgico e hoje nos traz uma figura do auge da marginalização: o preso crucificado. “Naquele tempo, os chefes zombavam de Jesus dizendo: ‘A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!’ Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre, e diziam: ‘Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!’ Acima dele havia um letreiro: ‘Este é o Rei dos Judeus’. Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: ‘Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!’ Mas o outro o repreendeu, dizendo: ‘Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal’. E acrescentou: ‘Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado’. Jesus lhe respondeu: ‘Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso’”.
   O evangelista Lucas nos apresentou os valores e atitudes de Jesus em contato com marginalizados, rotulados, menosprezados: pastores, mulheres, viúvas, publicanos, prostitutas, samaritanos, leprosos, não os julgou ou condenou e sim mostrou o amor divino, a misericórdia de Deus.
   Celebremos esse dia com a certeza de que Cristo é o Rei que deu sua própria vida para nos introduzir em seu reino, um Reino de amor, justiça e igualdade.
   Ser cristão é construir o Reino de Cristo no mundo através do serviço gratuito e fraterno, humilde, deixando-se fazer a vontade do Pai. Como você está trabalhando para fazer acontecer o Reino? Como seriam nossas comunidades se conseguíssemos trazer para dentro delas a realeza de Jesus?
Carla Matos

domingo, 13 de novembro de 2016

“É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (13/11/2016)

   Aproximando do fim do ano litúrgico somos convidados a refletir sobre a vinda gloriosa de Jesus, não sabemos quando o Senhor virá de forma definitiva, mas devemos estar preparados para a sua chegada, vivendo o seu evangelho e trabalhando com dignidade é assim que ele deseja nos encontrar.
   A primeira leitura (Ml 3,19-20a.) nos diz: “Eis que virá o dia, abrasador como fornalha, em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los, diz o Senhor dos exércitos, tal que não lhes deixará raiz nem ramo. Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas”.
   Em sua profecia Malaquias nos apresenta uma visão da vinda do Senhor, ele virá como sol da justiça trazendo a salvação a toda terra, confiando nesta volta devemos seguir sua palavra trilhando o caminha da sua justiça, somente assim poderemos nos apresentar dignamente diante dele e encontrar a salvação que há nele.
   Em sua carta aos Tessalonicenses (2Ts 3,7-12.) o apóstolo Paulo nos fala: “Irmãos: Bem sabeis como deveis seguir o nosso exemplo, pois não temos vivido entre vós na ociosidade. De ninguém recebemos de graça o pão que comemos. Pelo contrário, trabalhamos com esforço e cansaço, de dia e de noite, para não sermos pesados a ninguém. Não que não tivéssemos o direito de fazê-lo, mas queríamos apresentar-nos como exemplo a ser imitado. Com efeito, quando estávamos entre vós, demos esta regra: ‘Quem não quer trabalhar, também não deve comer’. Ora, ouvimos dizer que entre vós há alguns que vivem à toa, muito ocupados em não fazer nada. Em nome do Senhor Jesus Cristo, ordenamos e exortamos a estas pessoas que, trabalhando, comam na tranquilidade o seu próprio pão”.
   Servir de exemplo foi que fez Paulo, trabalhava com esforço e cansaço para ser merecedor do pão que comia, ele não quis ser fardo para ninguém, abiu mão dos privilégios que a sua missão poderia lhe proporcionar e se fez trabalhador para ensinar com as palavras e ações. Olhando para a nossa sociedade de hoje vemos como muitas pessoas andam na contramão do que Paulo ensinou, políticos, magistrados e “religiosos” das mais diversas religiões, abusam da sua posição para usar como querem os recursos que deveriam atender a coletividade, nós como cristãos devemos ter uma atitude diferente, viver a luz do evangelho e ser exemplos para os outros, assim como foi a vida de Paulo.
   No evangelho (Lc 21, 5-19.) Jesus nos diz: “Naquele tempo, algumas pessoas comentavam a respeito do Templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: ‘Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído’. Mas eles perguntaram: ‘Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?’ Jesus respondeu: ‘Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente! Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim’. E Jesus continuou: ‘Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu. Antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!’”
   Jesus prepara os seus discípulos e também a nós, para nos mantermos fieis a seu projeto mesmo em meio a tantas coisas ruins que mundo nos apresenta, devemos ter muito cuidado para não se perder neste caminho e sabemos que muito se apresentarão dizendo que é ele ou que fala em nome dele, tentando nos desviar do foco da missão de nossa vida, neste momento devemos confiar em Deus e saber que ele estará sempre a nossa frente guiando os nossos passos, sabemos que podemos ser perseguidos e odiados, mas a palavra de Deus nos iluminará para que tenhamos sabedoria para superar as adversidades da vida, é nos mantendo firmes que encontraremos a verdadeira vida que há em Jesus.
   Que neste domingo possamos compreender que um dia o Senhor virá para fazer justiça aos que se mantiveram firmes no seu projeto, mas devemos estar atentos e trabalhando arduamente construindo esta nova vinda, sem explorar e sem deixar-se explorar pelos outros, temos uma missão de levar Jesus em tudo que fizermos e nada neste mundo poderá nos tirar deste caminho, somos responsáveis em construir uma igreja fundada em Jesus Cristo e para isso devemos seguir os passos dos apóstolos que confiaram no mestre e se entregaram de corpo e alma para que o Reino de Deus aconteça.
Rubens Corrêa

sábado, 5 de novembro de 2016

Solenidade de Todos os Santos: A salvação pertence ao nosso Deus! (06/11/2016)

   A Liturgia celebra neste domingo (só no Brasil) aquela “multidão numerosa que ninguém podia contar” que nos aparece na primeira leitura. Os santos que hoje a Igreja celebra não são apenas aqueles que estão oficialmente canonizados, mas também aqueles outros, muito mais numerosos e desconhecidos, que souberam “com o auxílio divino conservar e aperfeiçoar, vivendo-a, esta santidade que receberam” (LG 40).
   Somos todos chamados à santidade
   “Apareceu na visão uma multidão enorme, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé diante do trono e diante do Cordeiro”. (Ap 7,9)
   “É assim a geração dos que procuram o Senhor”. (Salmo 23)
   “Somos filhos de Deus.” (1Jo3,2)
   No Evangelho (Mt 5, 1-12a) o próprio Jesus ilumina o tema da santidade e da bem-aventurança eterna ensinando o caminho que a ela conduz; ponto de partida, são as condições concretas da vida humana, onde o sofrimento não é um acontecimento fortuito, mas uma realidade inerente à sua estrutura. Jesus não veio para suprimir, mas para o redimir, fazendo dele um meio de salvação e de bem-aventurança eterna. A pobreza, as aflições, as injustiças, as perseguições aceites com humildade de coração e submissão à vontade de Deus, com serenidade nascida da fé n' Ele e com o desejo de participar na Paixão de Cristo não aviltam o homem; antes o enobrecem, purificam, fazem semelhante ao Salvador que sofre e, por isso, digno de tomar parte na Sua glória.
   O itinerário das bem-aventuranças foi percorrido pelos Santos; mas, muito particularmente, foi percorrido por Jesus que quis tomar sobre si as misérias e os sofrimentos humanos para ensinar os homens a santificá-los.
   N' Ele, pobre, sofredor, manso, misericordioso, pacífico, perseguido e, por este caminho, chegado à glória, encontram os cristãos a mais perfeita realização das bem-aventuranças evangélicas.
   Há pessoas à nossa volta que pela simplicidade de vida, pela alegria que irradiam, pelo bem que fazem, pela paz que comunicam, pela disponibilidade com que ajudam os outros, pela prontidão com que se dão, transparecem o sorriso e a misericórdia de Deus.
   Os santos não nasceram totalmente santos.
   O caminho de Jesus é exigente. Não é uma exigência exterior, forçada, imposta. É uma exigência que decorre do seguimento. Se somos de Cristo, então ajamos como Ele. Viver em lógica de serviço e cuidado aos demais, como o último de todos, colocando os outros à frente, não é um processo fácil. Exige vigilância, consistência, insistindo uma e outra vez. É o caminho das bem-aventuranças em que nos colocamos em dinâmica de compaixão, de ternura, de caridade.
   Oração
   Senhor Jesus, ensina-nos o caminho da santidade, vivendo como Tu o caminho das bem-aventuranças. Amem.
Luis Filipe Dias

domingo, 30 de outubro de 2016

“Hoje a salvação entrou nesta casa.” (30/10/2016)

   Neste domingo somos convidados a meditar o quanto somos pequenos diante da grandeza de Deus e da sua misericórdia, sim, ele quer nos perdoar e deseja infundir em nós a sua vocação, mas para isso devemos incessantemente rezar para sermos dignos dela, em Jesus Cristo já fomos resgatados do pecado e precisamos abrir a porta de nossas casas e de nossos corações para que hoje a salvação entre e nos transforme profundamente.
   O livro da Sabedoria (Sb 11,22-12,2.) nos diz: “Senhor, o mundo inteiro, diante de ti, é como um grão de areia na balança, uma gota de orvalho da manhã que cai sobre a terra. Entretanto, de todos tens compaixão, porque tudo podes. Fechas os olhos aos pecados dos homens, para que se arrependam. Sim, amas tudo o que existe, e não desprezas nada do que fizeste; porque, se odiasses alguma coisa não a terias criado. Da mesma forma, como poderia alguma coisa existir, se não a tivesses querido? Ou como poderia ser mantida, se por ti não fosse chamada? A todos, porém, tu tratas com bondade, porque tudo é teu, Senhor, amigo da vida. O teu espírito incorruptível está em todas as coisas! É por isso que corriges com carinho os que caem e os repreendes, lembrando-lhes seus pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor”.
   Em sua imensidão, Deus se mostra compassivo e pronto a perdoar as nossas iniquidades, ele nos ama e nos acolhe em sua misericórdia sem fim, nos mostra o seu caminho para que nos afastemos do pecado, mas muitos se afastam desta bondade infinita de Deus e trilham outros caminhos que nos leva a pecar manchando a nossa vida. Deus não se cansa de nós, ele nos corrige e nos repreende em tudo o que há de errado, devolvendo-nos a dignidade de filhos de Deus e que possamos viver como verdadeiros herdeiros deste reino.
   Na segunda leitura (2Ts 1,11-2,2.) o apostolo Paulo nos exorta: “Irmãos: Não cessamos de rezar por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação. Que ele, por seu poder, realize todo o bem que desejais e torne ativa a vossa fé. Assim o nome de nosso Senhor Jesus Cristo será glorificado em vós, e vós nele, em virtude da graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo. No que se refere à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa união com ele, nós vos pedimos, irmãos: não deixeis tão facilmente transtornar a vossa cabeça, nem vos alarmeis por causa de alguma revelação, ou carta atribuída a nós, afirmando que o Dia do Senhor está próximo”.
   Rezar sem cessar é o que nos diz Paulo, só assim alcançaremos a dignidade da vocação que Deus nos confiou, ele irá glorificar o nome de Jesus Cristo em nossa vida e que possamos nos deixar transformar por ele, com uma fé firme e as virtudes de filhos de Deus, partiremos para também transformar o mundo exortando a todos que se preparem para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.
   Em seu evangelho (Lc 19,1-10.) Lucas nos mostra: “Naquele tempo, Jesus tinha entrado em Jericó e estava atravessando a cidade. Havia ali um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos e muito rico. Zaqueu procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia, por causa da multidão, pois era muito baixo. Então ele correu à frente e subiu numa figueira para ver Jesus, que devia passar por ali. Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: ‘Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa’. Ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria. Ao ver isso, todos começaram a murmurar, dizendo: ‘Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!’ Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: ‘Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais’. Jesus lhe disse: ‘Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido’”.
   Zaqueu, um homem de baixa estatura subiu em uma figueira, pois queria saber quem era Jesus, ele que era muito rico e era odiado pelo povo devido a função que exercia, era o chefe dos cobradores de impostos, eis que Jesus para diante dele e olhando nos olhos disse para se apresar e descer, pois naquele dia visitaria a sua casa. É assim que Jesus faz conosco, nos olha nos olhos e pede que nos preparemos para recebe-lo em nosso lar e em nosso oração, o problema que muitas vez preferimos permanecer em cima da arvore e de longe ficar olhando a graça de Deus passar não nos abrindo para recebe-la, Zaqueu desceu imediatamente e recebeu em seu lar aquele que poderia devolver-lhe a dignidade de filho de Deus.
   O evangelho também nos mostra que alguns que se julgavam justo murmuravam ‘Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!’, sim, ele veio para resgatar aqueles que todos Julgavam perdidos, resgatou Zaqueu do pecado e quer resgatar também a nós, para isso devemos fazer a mesma ação reparadora que Zaqueu fez, devolver o que não nos pertence, pedir perdão se ofendeu alguém, é preciso nos afastar de todo o lugar, situação e/ou pessoas que nos leva a pecar, ouvindo o arrependimento de Zaqueu Jesus disse:  ‘Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido’, e que ele também possa nos dizer a mesma coisa.
   Neste fim do mês missionário possamos compreender que a nossa missão somente está se iniciando, há muito por fazer nesta imensidão que é o mundo, que tão pequenos somos, mas que a grandeza do nosso Deus nos fortalece para cumprir os desafios da nossa e precisamos estar em constante oração, levando Jesus Cristo aos confins da terra, com corações arrependidos como Zaqueu possamos abrir as portas para que a salvação entre em nossa casa e a partir daí levaremos esta salvação para o mundo inteiro. Somos os missionários do Cristo ressuscitado, o Senhor da vida. 
Rubens Corrêa

sábado, 22 de outubro de 2016

“O cobrador de impostos voltou para casa justificado, o outro não. A prece dos humildes atravessa as nuvens” (23/10/2016)

   Na liturgia deste domingo, continuamos a ouvir o evangelista Lucas que nos fala da oração, hoje ele nos fala como devemos orar: com humildade.  A oração é que move a nossa vida espiritual e a nossa ação missionária. Se quisermos levar avante a missão de evangelizar temos que ser alimentados pela oração. A parábola do fariseu e do publicano, a última das parábolas próprias de Lucas, desmascara a falsa religião de alguns que convencidos serem justos, desprezam os outros. Hoje é o dia mundial das missões, lembremos do tema da Campanha Missionária: “Cuidar da Casa Comum é nossa missão”. Lembremos também dos nossos irmãos missionários e missionárias, que não medem esforços, deixam tudo,  para levar a Boa Nova do Reino.
   Primeira Leitura  (Eclo 35,15-17.20-22.) 15O Senhor é um juiz que não faz discriminação de pessoas. 16Ele não é parcial em prejuízo do pobre, mas escuta, sim, as súplicas dos oprimidos; 17jamais despreza a súplica do órfão, nem da viúva, quando desabafa suas mágoas. 20Quem serve a Deus como ele o quer, será bem acolhido e suas súplicas subirão até as nuvens. 21A prece do humilde atravessa as nuvens: enquanto não chegar não terá repouso; e não descansará até que o Altíssimo intervenha, 22afaça justiça aos justos e execute o julgamento. Palavra do Senhor. Graças a Deus.
   Nesta leitura, o autor do Livro do Eclesiástico se refere ao pobre, ao órfão e à viúva, como símbolo da figura da pessoa que não tem ninguém por ela, nos mostra a compaixão de Deus em face do pecado e da necessidade humana. “Deus é um juiz justo” que não faz diferenças entre as pessoas, mas ouve a oração sincera de seus filhos. Que bom seria se todos os juízes da Terra fossem iguais a Deus! 
   O salmista bendize ao Senhor com um cântico de ação de graças ao Senhor que escuta o clamor do pobre e liberta a vida de seus servos que nele creem. Deus está sempre perto daqueles que o invocam com o coração cheios de angústias e tribulações, confortando os que estão abatidos em suas dificuldades e dores. Deus ai está com cada um de nós com sua mão protetora.

   Segunda Leitura (2Tm 4,6-8.16-18.) Caríssimo: 6Quanto a mim, eu já estou para ser oferecido em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. 8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. 16Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu; todos me abandonaram. Oxalá que não lhes seja levado em conta. 17Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém. Palavra do Senhor – Graças a Deus.

   Paulo reconhece que chegou a sua hora, e testemunha para nós sua confiança na justiça de Deus e o fim de sua missão apostólica, ele se compara a uma corrida e um combate, quando ele diz: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2Tm.4,7), nos incentiva ainda a fidelidade e como prêmio, a vitória está reservada, a coroa da justiça, cabe a cada um de nós cultivarmos no coração o desejo de conquista-la a cada dia, na medida da nossa vivencia, com passos firmes. Ele nos dará forças nos libertando de todos os males. Sejamos vigilantes, e busquemos a nossa conversão diariamente.

   Evangelho  ( Lc 18, 9-14.)  Naquele tempo: 9Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: 10'Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos.11O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: 'Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda'. 13O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: “Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!' 14Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado.' Palavra da Salvação – Glória a vós Senhor.

   O Evangelho nos apresenta uma parábola que é uma sequência que ouvimos no último domingo, uma classe de pessoas: os autossuficientes. Hoje a parábola do Fariseu e o Publicano. O fariseu seguidor rigoroso da lei começa agradecendo sua própria bondade e espera a salvação como recompensa pelas obras realizadas, revela também uma atitude de juiz diante do publicano, direito reservado a Deus. O publicano desta parábola, desprezado, cobrador de impostos do Império Romano, reconhece seu mau comportamento, reconhece a misericórdia de Deus e bate no peito em sinal de arrependimento e conversão, implora cheio de confiança, tem misericórdia de mim que sou pecador. Muitos de nós, acreditamos que a prática da fé, já basta para alcançarmos a salvação.  E assim como o fariseu, muitos de nós se julgam puros, e “separados” dos impuros. Jesus aprova a atitude do publicano porque ele, com muita humildade, não estava julgando ninguém, mas reconhecia-se pecador, confiava e pedia misericórdia para Deus. Deus acolhe e ouve as aflições de quem reza com coração sincero e humilde. Que a Palavra do Senhor nos ajude e nos ilumine a percebermos nossas atitudes e como o publicano reconhecermos nossas fraquezas e a presença de Deus em nossas vidas. Buscando os Sacramentos da Reconciliação e Unção dos Enfermos que são sacramentos de cura, a Eucaristia, alimento que nos sustenta, nos dá coragem para enfrentarmos os embates do dia a dia.

Marlene Resstel