sexta-feira, 29 de junho de 2018

Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos – Missão a todos na unidade da fé (01/07/2018)


Nota explicativa
Não podemos esquecer que, ao lado de Pedro, é celebrado também Paulo, o apóstolo, o missionário por excelência. A figura de Pedro é destacada principalmente na primeira leitura e no evangelho; a de Paulo, na segunda leitura. Mas a primeira leitura cria um espaço para falar dos dois: mostra que Deus está com seus enviados. Baseando-se na compreensão popular dos dois santos, pode-se combinar, nesta celebração, a ideia da pessoa de referência para a unidade da Igreja, como foi Pedro, e a do incansável missionário, que foi Paulo.

I leitura: At 12,1-11
A primeira leitura, tomada dos Atos dos Apóstolos, narra o episódio da prisão e libertação de Pedro. Por volta de 43 d.C., o rei judeu Herodes Agripa I, vassalo dos romanos, mandou executar o apóstolo Tiago, filho de Zebedeu. Depois mandou aprisionar Pedro. Mas o “anjo do Senhor” o libertou, como libertou os israelitas do Egito. A comunidade recorreu à arma da oração: é Deus quem age, ele é o libertador. Assim, Pedro é libertado da prisão pelo anjo do Senhor. Esse feito confirma sua missão especial na Igreja, ressaltada no evangelho. O significado desse episódio pode ser estendido à vida de Paulo, que, conforme At 16,16-40, viveu uma experiência semelhante, além de muitas outras situações de perigo e aperto (cf. 2Cor 11,16-33).

Evangelho: Mt 16,13-19
O evangelho apresenta Pedro como a pedra ou rocha da Igreja. A situação é a seguinte: Jesus havia enviado os Doze em missão, e eles tomaram conhecimento das reações do povo diante de Jesus. Quando os discípulos voltam da missão, Jesus lhes pergunta quem o povo e quem eles mesmos dizem que ele é. Pedro responde pelos Doze e chama Jesus de Messias (Cristo: cf. Mc 8,29) e Filho de Deus (como diz Mt 16,16; cf. 14,33). Enquanto o relato de Marcos (Mc 8,27-30) é mais simples, o de Mateus mostra que Jesus reage à profissão de fé feita por Pedro em nome dos Doze com três observações. Primeiro, reconhece nela uma inspiração divina: “não foi um ser humano (literalmente, ‘carne e sangue’) que te revelou isso” (Mt 16,17). Além disso, muda o nome de Simão, chamando-o de Pedro, porque “sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e o poder (literalmente, ‘as portas’) do inferno nunca poderá vencê-la” (Mt 16,18). Enfim, Jesus confia a Pedro o serviço de governar a comunidade (as “chaves” e o poder de ligar e desligar, ou seja, obrigar e deixar livre, poder de decisão), com ratificação divina (“será ligado/desligado no céu” (Mt 16,19).

Jesus dá a Simão o nome de Pedro, “Pedra”, que sugere solidez: Simão deve ser a “pedra” (rocha) que dará solidez à comunidade de Jesus (cf. Lc 22,32). Isso não é um reconhecimento de suas qualidades naturais, embora possamos supor que Simão deva ter sido um bom empresário de pesca! Pelo contrário, não se refere ao que Pedro foi, mas ao que será. Trata-se de vocação que o transforma. Muitas vezes, na Bíblia, a imposição de um novo nome significa que a pessoa recebe nova vocação e deverá transformar-se para corresponder. Na Bíblia, ser “rocha” é, antes de tudo, um atributo de Deus mesmo, o “Rochedo de Israel” (cf. Dt 32,4 etc.). Jesus, com certeza, não quer colocar Pedro no lugar do “Rochedo de Israel”, mas o incumbe, por assim dizer, de uma missão que tenha qualidade análoga. A firmeza e a proteção evocadas pela imagem da rocha não são algo que Simão Pedro tem em si mesmo (ele negará conhecer Jesus na hora em que deveria testemunhar), mas são a firmeza e a proteção de Deus das quais ele é constituído “ministro”, e essa “nomeação” vai acompanhada de uma promessa: as “portas” (cidade fortificada, reino) do inferno não poderão nada contra a Igreja. Esse ministério está a serviço do Reino dos céus (maneira de Mateus dizer o Reino de Deus). Assim como as chaves das portas da cidade são entregues a seu prefeito (cf. Is 22,22), assim Pedro recebe o governo da comunidade que instaura o Reino de Deus no mundo. Em Mt 18,18, autoridade semelhante é exercida pela comunidade, mas Pedro tem uma responsabilidade específica, unificadora, que dá solidez à Igreja.

II leitura: 2Tm 4,6-8.17-18
A segunda leitura evoca Paulo. Ele, que sempre trabalhou com as próprias mãos, está agrilhoado; na defesa, ninguém o assistiu. Contudo, fala cheio de gratidão e esperança. “Guardou a fidelidade”: a sua e a dos fiéis. Aguarda com confiança o encontro com o Senhor. Ofereceu sua vida no amor, e o amor não tem fim (cf. 1Cor 13,8). Seu último ato religioso é a oblação da própria vida (cf. Rm 1,9; 12,1). Sua vida está nas mãos de Deus, que o arrebata da boca das feras.

Sua vocação se deu por ocasião da aparição de Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, Paulo se transformou em apóstolo e realizou, mais do que os outros apóstolos, a missão de ser testemunha de Cristo até os confins da terra (cf. At 1,8). Apóstolo dos pagãos, tornou realidade a universalidade da Igreja, da qual Pedro é o guardião. A segunda leitura que hoje ouvimos é o resumo de sua vida de plena dedicação à evangelização entre os pagãos, nas circunstâncias mais difíceis: a Palavra tinha de ser ouvida por todas as nações (cf. 2Tm 4,17). A ninguém podia ficar escondida a luz de Cristo! O mundo em que Paulo se movimentava estava dividido entre a religiosidade rígida dos judeus farisaicos e o mundo pagão, entre a dissolução moral e o fanatismo religioso. Nesse contexto, o apóstolo anunciou o Cristo crucificado como a salvação: loucura para os gregos, escândalo para os judeus, mas alegria verdadeira para quem nele crê. Missão difícil. No fim de sua vida, Paulo pode dizer que “combateu o bom combate e conservou a fé”. Essa afirmação deve ser entendida como fidelidade na prática, tanto de Paulo como dos fiéis que ele ganhou. Como Cristo, o bom pastor, não deixa as ovelhas se perderem, assim também o apóstolo, enviado de Cristo, as conserva nesse laço de adesão fiel, marca de sua própria vida.

Pistas para reflexão
Conforme o evangelho, Simão responde pela fé dos seus irmãos. Por isso, Jesus lhe dá o nome de Pedro, que significa sua vocação de ser “pedra”, rocha, para que seja edificada sobre ele a comunidade dos que aderem a Jesus na fé. Pedro deverá dar firmeza aos seus irmãos (cf. Lc 22,32). Essa “nomeação” vai acompanhada de uma promessa: o reino do inferno não poderá nada contra a Igreja, que é uma realização do Reino do céu. A libertação da prisão, lembrada na primeira leitura, ilustra essa promessa. Jesus confia a Pedro “o poder das chaves”, o serviço de administrador de sua “cidade”, de sua comunidade. Na medida em que a Igreja é realização (provisória, parcial) do Reino de Deus, Pedro e seus sucessores, os papas, são “administradores” dessa parcela do Reino. Eles têm a última responsabilidade do serviço pastoral. Pedro, sendo aquele que “responde” pelos Doze, administra ou governa as responsabilidades da evangelização (não a administração material). Quem exerce esse serviço hoje é o papa, sucessor de Pedro e bispo de Roma, cidade que, pelas circunstâncias históricas, se tornou o centro a partir do qual melhor se exercia essa missão. Pedro recebe também o poder de “ligar e desligar” – o poder da decisão, de obrigar ou deixar livre –, exatamente como último responsável da comunidade (a qual também participa nesse poder, como mostra Mt 18,18). Não se trata de um poder ilimitado, mas de responsabilidade pastoral, que concerne à orientação dos fiéis para a vida em Deus, no caminho de Cristo.

Se Pedro aparece como fundamento institucional da Igreja, Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático. Transformado por Cristo em mensageiro seu (“apóstolo”), ele realiza, por excelência, a missão dos apóstolos de serem testemunhas de Cristo “até os extremos da terra” (cf. At 1,8). As cartas a Timóteo, escritas na prisão em Roma, são a prova disso, pois Roma é a capital do mundo, o trampolim para o evangelho se espalhar por todo o mundo civilizado daquele tempo. Paulo é o “apóstolo das nações”. No fim da sua vida, pode entregá-la como “oferenda adequada” a Deus, assim como ensinou (Rm 12,1). Como Pedro, ele experimenta Deus como o Deus que liberta da tribulação.

Pedro e Paulo representam duas vocações na Igreja, duas dimensões do apostolado – diferentes, mas complementares. As duas foram necessárias para que pudéssemos comemorar, hoje, os cofundadores da Igreja universal. A complementaridade dos dois “carismas” continua atual: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária. Essa complementaridade pode provocar tensões (cf. Gl 2); por exemplo, as preocupações de uma “teologia romana” podem não ser as mesmas que as de uma “teologia latino-americana”. Mas tal tensão pode ser extremamente fecunda e vital para a Igreja toda. Hoje, sabemos que o pastoreio dos fiéis – a pastoral – não é exercido somente pelos “pastores constituídos” como tais, pela hierarquia. Todos os fiéis são um pouco pastores uns dos outros. Devemos conservar a fidelidade a Cristo na solidariedade do “bom combate”.

E qual será, hoje, o bom combate? Como no tempo de Pedro e Paulo, a luta pela justiça e pela verdade em meio a abusos, contradições e deformações. Por um lado, a exploração desavergonhada, que até se serve dos símbolos da nossa religião para fins lucrativos; por outro, a tentação de largar tudo e dizer que a religião é um obstáculo à emancipação humana. Nossa luta é, precisamente, assumir a libertação em nome de Jesus, sendo-lhe fiéis, pois, na sua morte, ele realizou a solidariedade mais radical que podemos imaginar.
Pe. Luis Filipe Dias



sábado, 23 de junho de 2018

“Deus revelou sua Misericórdia” (24/06/2018)


SOLENIDADE DA NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA - ANO B
Celebramos hoje, com alegria, a obra de Deus realizada na vida de João Batista, como profeta do Altíssimo anunciou ao mundo, Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus. Peçamos ao Senhor que nos dê o vigor de São João Batista para denunciar toda injustiça e anunciar a Boa Nova de Jesus e sua misericórdia. Assim também nós, sejamos discípulos missionários anunciadores de seu Reino. Hoje, Dia do Migrante, nos unimos a todas as pessoas que são obrigadas a deixar sua terra, seu povo, sua cultura.

Leitura do Livro do Profeta Isaías (Is.49,1-6)
1Nações marinhas, ouvi-me; povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; 2fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, 3e disse-me: “Tu és o meu servo, Israel, em quem serei glorificado”. 4E eu disse: “Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa”. 5E, agora, diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor, esta é a minha glória. 6Disse ele: “Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até os confins da terra”. Palavra do Senhor. – Graças à Deus

Na comemoração da natividade de São João Batista a leitura nos leva a tomar posse desse chamado e meditar sobre como podemos cumprir com a nossa missão a fim de, como Isaias, poder também afirmar: “o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome” (v.1b).  Ele disse-me: “Tu és o meu servo”.  Todos nós podemos nos colocar no mesmo contexto que o profeta Isaías, a fim de refletir sobre o chamado que Deus nos fez antes de nascermos, quando ainda estávamos no ventre da nossa mãe. O nosso chamado aconteceu no nosso Batismo, assim sendo, cada um de nós que somos batizados(as) em nome de Jesus fomos também escolhidos(as) para sermos luz das nações e manifestar na terra a glória de Deus. Somos, portanto, esses servos, escolhidos, preparados e designados pelo Pai a fazer muito mais do que simplesmente existir, mas anunciadores porque é Ele quem nos garante: “Eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até os confins da terra!” (v.6b)

Salmo - Sl 138(139)
Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes!
1Senhor, vós me sondais e conheceis, 2sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos; 3percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos.
13Fostes vós que me formastes as entranhas, e no seio de minha mãe vós me tecestes. 14aEu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, 14bporque de modo admirável me formastes!
14cAté o mais íntimo, Senhor me conheceis; 15nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis,
quando eu era modelado ocultamente, era formado nas entranhas subterrâneas.

Este salmo canta a maravilha que é o homem, tecido por Deus no seio de sua mãe, de quem Ele não se afasta e que percebe todos os seus passos. É o reconhecimento da criatura à ação do Criador que o fez de modo maravilhoso. Assim, temos a certeza de que mesmo que passemos por situações de morte, de sofrimento, há Alguém que nos acompanha para nos conservar ativos nesta caminhada.

Leitura dos Atos dos Apóstolos (At.13,22-26)
Naqueles dias, Paulo disse: 22“Deus fez surgir Davi como rei e assim testemunhou a seu respeito: ‘Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que vai fazer em tudo a minha vontade’. 23Conforme prometera, da descendência de Davi Deus fez surgir para Israel um salvador, que é Jesus. 24Antes que ele chegasse, João pregou um batismo de conversão para todo o povo de Israel. 25Estando para terminar sua missão, João declarou: ‘Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Mas vede, depois de mim vem aquele do qual nem mereço desamarrar as sandálias’. 26Irmãos, descendentes de Abraão, e todos vós que temeis a Deus, a nós foi enviada essa mensagem de salvação”.Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

Nesta leitura vemos que Paulo pregava aos judeus uma mensagem de salvação que tinha como fundamento o testemunho de João Batista vindo ao mundo a fim de preparar o caminho para Jesus. João pregava um Batismo de conversão para que as pessoas tivessem consciência de que a Salvação estava próxima e consistia em que eles aceitassem a Jesus, que era da descendência de Davi e fora enviado pelo Pai. Paulo, então se refere às palavras de João Batista que tinha plena consciência do seu papel: “depois de mim vem aquele do qual nem mereço desamarrar as sandálias” (v.25).  Assim como João Batista, nós também devemos reconhecer a nossa limitação e admitir que tudo o que possuímos e o que realizamos é uma consequência do poder de Deus agindo em nós. 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc.1,57-66)
57Completou-se o tempo da gravidez de Isabel, e ela deu à luz um filho. 58Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel e alegraram-se com ela. 59No oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. 60A mãe, porém, disse: “Não! Ele vai chamar-se João”. 61Os outros disseram: “Não existe nenhum parente teu com esse nome!” 62Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. 63Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: “João é o seu nome”. E todos ficaram admirados. 64No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou e ele começou a louvar a Deus. 65Todos os vizinhos ficaram com medo, e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judeia. 66E todos os que ouviam a notícia ficavam pensando: “O que virá a ser este menino?” De fato, a mão do Senhor estava com ele. 80E o menino crescia e se fortalecia em espírito. Ele vivia nos lugares desertos, até o dia em que se apresentou publicamente a Israel.Palavra da Salvação. – Glória a vós, Senhor.

A Igreja hoje enche-se de alegria para festejar, fazer memória do nascimento de João Batista enviado por Deus para testemunhar a luz e preparar os caminhos do senhor. O evangelho que a liturgia desta solenidade nos convida a refletir, narra um acontecimento que marcou a passagem do tempo da espera, para o tempo da realização das promessas de Deus, pois com o nascimento de João Batista, iniciou-se uma nova etapa da realização do projeto de Deus, iniciado em Maria quando foi concebida. A vida de João Batista, o maior de todos os profetas que precederam Jesus, foi marcada por grandes contrastes, ao mesmo tempo em que ele vivia o silêncio do deserto, ele movia multidões. São João Batista, experimentou, durante sua vida terrena, a força dos dois lados do coração humano: a força do amor, que gera vida e a força do ódio que gera morte. Os contrários ao projeto de Deus, tiraram sua vida, mas não calaram a sua voz, voz que continua ressoando no coração da humanidade de geração a geração: “Convertei-vos e crede no evangelho”. “Eis o cordeiro de Deus”.

A mão do senhor, com sua força, age através de João Batista para restaurar seu povo, de modo que se converta a Deus. Seu caráter profético anuncia o futuro messiânico e, sendo portador da palavra de Deus, testemunha também a presença desta palavra criadora no mundo novo. Uma das grandes virtudes que marcou a vida de João Batista, foi a sua humildade, ele sempre se colocou no lugar de mensageiro, não aproveitando do seu prestígio junto ao povo, para se autopromover.  Nós também como anunciadores da Boa Nova do Reino, peçamos a Deus, a graça da humildade e da coragem de João Batista, humildade para reconhecer que somos apenas setas que indicam Jesus, e coragem para anunciar o Reino de Deus, mesmo entre os que o rejeita. João Batista grande profeta, homem corajoso e destemido, que veio preparar a vinda do Messias, é aquele que deve ser imitado por todos nós, nas aspirações, sua missão, seus compromissos, enfim um sentido próprio da vida. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Marlene Coelho Resstel



sábado, 16 de junho de 2018

“O reino de Deus é como um grão de mostarda.” Mc 4, 31a (17/06/2018)

Neste domingo refletimos como a presença de Deus se manifesta em nossas vidas, ele faz pequenas inserções no nosso dia a dia, coisas pequenas e que muitas vezes deixamos passar sem notar, mas, que geram grandes e profundas transformações em nosso ser e em nossas famílias. Quantas coisas que não entendemos e que temos a certeza que Deus está à frente delas? Nós somos somente parte da criação perfeita de Deus, e devemos a todo instante bendizer e louvar a Deus por tantos dons que todos os dias ele faz brotar no meio do povo, sendo a força transformadora desta sociedade, onde temos direitos e deveres iguais, mais do que criaturas, somos filhos do amor de Deus.

Na leitura da profecia de Ezequiel 17,22-24 vemos que todo o poder vem de Deus.
Leitura da profecia de Ezequiel: 22Assim diz o Senhor Deus: “Eu mesmo tirarei um galho da copa do cedro, do mais alto de seus ramos arrancarei um broto e o plantarei sobre um monte alto e elevado. 23Vou plantá-lo sobre o alto monte de Israel. Ele produzirá folhagem, dará frutos e se tornará um cedro majestoso. Debaixo dele pousarão todos os pássaros, à sombra de sua ramagem as aves farão ninhos. 24E todas as árvores do campo saberão que eu sou o Senhor, que abaixo a árvore alta e elevo a árvore baixa; faço secar a árvore verde e brotar a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço”. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

O profeta Ezequiel nos mostra que está em Deus a força que nos impulsiona a transformação da nossa vida, com ele ninguém está perdido, ele pode tornar bom aqueles que caminham nas trevas, e que decidem mudar de vida, o sacrifício de Jesus na cruz nos trouxe uma oportunidade de encontrarmos vida nova e plena, hoje somos frutos deste amor incondicional que se entrega até o fim.

O Salmo 91(92) nos mostra como é bom agradecer ao Senhor, nEle tudo floresce e produz frutos, nEle encontramos o rochedo que nos sustenta.
Como é bom agradecermos ao Senhor.
Como é bom agradecermos ao Senhor e cantar salmos de louvor ao Deus altíssimo! Anunciar pela manhã vossa bondade, e o vosso amor fiel a noite inteira.
O justo crescerá como a palmeira, florirá igual ao cedro que há no Líbano; na casa do Senhor estão plantados, nos átrios de meu Deus florescerão.
Mesmo no tempo da velhice darão frutos, cheios de seiva e de folhas verdejantes; e dirão: “É justo mesmo o Senhor Deus: meu rochedo, não existe nele o mal!”

Em sua carta aos 2 Coríntios 5,6-10 o apóstolo Paulo nos diz que morando em nossos corpos somos peregrinos longe de Deus.
Leitura da segunda carta de são Paulo aos Coríntios: Irmãos, 6estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo, somos peregrinos longe do Senhor; 7pois caminhamos na fé e não na visão clara. 8Mas estamos cheios de confiança e preferimos deixar a moradia do nosso corpo para ir morar junto do Senhor. 9Por isso também nos empenhamos em ser agradáveis a ele, quer estejamos no corpo, quer já tenhamos deixado essa morada. 10Aliás, todos nós temos de comparecer às claras perante o tribunal de Cristo, para cada um receber a devida recompensa – prêmio ou castigo – do que tiver feito ao longo de sua vida corporal. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

Ao falar aos Coríntios, São Paulo também vem dizer a nós que em nosso meio muitos vivem como se fossem eternos e únicos, oprimem, vivem trapaceando os outros, caluniam e ofendem os irmãos, e usam os outros como degraus na escada de sua acessão a qualquer custo, um dia a nossa vida acaba e nada disso irá depor a nosso favor. Jesus fez diferente, ele não usou os outros para se promover, ele fez das necessidades do próximo a sua missão de vida, ele se entregou para que fossemos libertos das amarras do pecado, e nós que somos seus discípulos devemos fazer o mesmo, promover a igualdade, para que todos tenham vida em abundância.

No evangelho segundo São Marcos 4,26-34 Jesus usa de parábolas para ensinar o povo.
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos: Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: “O reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. 28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”. 30E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O reino de Deus é como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. 33Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo. – Palavra da salvação. – Glória a Vós Senhor.

O evangelista São Marcos nos mostra a pedagogia de Jesus para anunciar o Reino de Deus, Ele nos diz que o Reino de Deus começa em nossas vidas sem que percebamos enquanto dormimos na fé, Deus age como aquela terra que vai geminando e nutrindo a semente, ela cresce, aparecem as folhas, floresce e surgi os primeiros frutos, e nós não sabemos como Deus vai agindo em nossas vidas, percebemos que o Reino de Deus começa em nossas vidas, pequeno como a semente de mostarda, e que toma dimensões incríveis e mal sabemos como começou, mas, esta semente que germinou em nós e se tornou grande, deve servir de sombra, descanso e abrigo para aqueles que mais necessitam, não podemos desperdiçar estes dons, de nada adianta termos encontrado Jesus sem leva-lo a quem mais precisa dele, esta é nossa missão.

Que neste domingo possamos dar o passo inicial para uma nova caminhada de fé, sabemos que somos pequenos frente à imensidão deste mundo, mas, sabemos que Deus está ao nosso lado e que Jesus anima nossa jornada, mesmo tendo vivido durante muito tempo no erro, Deus nos transforma em novas criaturas, e nos pede que façamos esta viagem ao seu encontro despojados de toda a vaidade e orgulho, de coração renovado pelo sacrifício de Jesus na cruz, para que os frutos de nossas vidas sirvam de inspiração para os nossos irmãos que encontram dificuldade de iniciar o caminho, somos responsáveis em levar o nome de Jesus a todos os cantos da terra, e isso devemos fazer sem oprimir, criticar e forçar os nossos irmãos, cada um tem o momento certo de se abrir para a infinita graça e o imenso amor de Deus.
Rubens Corrêa

sábado, 9 de junho de 2018

Chamados a ser a Família de Jesus (10/06/2018)

As leituras deste décimo Domingo do Tempo Comum mostram a relação de Jesus com aqueles que se colocam a disposição para ser seu seguidor. Somos convidados a fazer a vontade de Deus e a fazer uma comunidade decidida a construir um mundo onde reine a paz, a união, a partilha, a justiça, onde todos sejam vistos como membros da mesma família.

Na leitura do Livro do Gênesis-  Gn 3,9-15, vemos o diálogo de Deus com Adão e Eva, depois que o desobedecem e comem o fruto da árvore do conhecimento, a única que lhes era proibida.
Leitura do livro do Gênesis: Depois que o homem comeu da fruta da árvore, 9o Senhor Deus cha­mou Adão, dizendo: “Onde estás?” 10E ele respondeu: “Ouvi tua voz no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; e me escondi”. 11Disse-lhe o Senhor Deus: “E quem te disse que estavas nu? En­tão comeste da árvore de cujo fruto te proibi comer?” 12Adão disse: “A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi”. 13Disse o Senhor Deus à mulher: “Por que fizeste isso?” E a mulher respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi”. 14Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais do­més­­ticos e todos os animais sel­va­gens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! 15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

No livro do Gênesis vemos a quebra da primeira aliança com DEUS, entendemos que o mal não foi criado por Deus, antes disso ele criou tudo bom, até o homem era bom e foi influenciado por fatores externos (a serpente). As respostas que o homem e a mulher (vv. 12-13) dão a Deus quando questionados por sua atitude refletem a tendência humana de se desculpar, justificar, de encontrar sempre uma forma de culpar outro por suas atitudes.

Salmo - Sl 129

No Senhor, toda graça e re­denção!
Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, escutai a minha voz! Vos­sos ouvidos estejam bem atentos ao clamor da minha prece!.
Se levardes em conta nossas fal­tas, quem haverá de subsistir? Mas em vós se encontra o perdão, eu vos temo e em vós espero.
No Senhor ponho a minha espe­rança, espero em sua palavra. A mi­nha alma espera no Senhor mais que o vigia pela aurora.
Espere Israel pelo Senhor mais que o vigia pela aurora! Pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção. Ele vem libertar a Israel de toda a sua culpa.

A leitura da Segunda Carta do apóstolo São Paulo aos Coríntios - 2Cor 4,13–5,1 mostra a disposição com que Paulo encara o seu ministério marcado pela fé e confiança que lhe dão força e pela comunhão com Cristo e com as comunidades que o recebem.
Leitura da segunda carta de são Paulo aos Coríntios: Ir­mãos, 13sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: “Eu creio e, por isso, falei”, nós tam­bém cremos e, por isso, falamos, 14certos de que aquele que ressus­citou o Senhor Jesus nos ressus­citará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco. 15E tudo isso é por causa de vós, para que a abundância da graça em um número maior de pessoas faça crescer a ação de graças para a glória de Deus. 16Por isso, não desa­nimamos. Mesmo se o nosso ho­mem exterior se vai arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai-se renovando dia a dia. 17Com efeito, o volume insigni­fi­cante de uma tribulação momen­tâ­nea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável. 18E isso acontece porque vol­tamos os nossos olhares para as coi­sas invisíveis e não para as coisas visíveis. Pois o que é visível é pas­sageiro, mas o que é invisível é eterno. 5,1De fato, sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá uma outra moradia no céu que não é obra de mãos humanas, mas é eterna. – Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

Na segunda leitura, São Paulo mostra que mesmo as dificuldades não o fazem desanimar de sua missão, acredita em Deus e na vida eterna e isso o faz ter coragem para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo.

Paulo aborda que a comunhão é um dos principais objetivos do que significa ser cristãos. Jesus chama a essa comunhão o mandamento novo do amor (Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo) e reza para que a comunhão se mantenha e imagem do Pai. Paulo exemplifica a vivencia dessa comunhão e espera continuar unido aos cristãos também na vida eterna. Se dedica a propagar o Evangelho e a gerar novos cristãos. Paulo é exemplo do desempenho do ministério como serviço à Igreja, não para a sua glória pessoal, não para se servir, mas verdadeiramente para servir.

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos - Mc 3,20-35 nos diz quem é a família de Jesus Cristo.
Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos: Naquele tempo, 20Jesus voltou para casa com os seus dis­cípulos. E de novo se reuniu tanta gente, que eles nem sequer podiam comer. 21Quando souberam disso, os pa­rentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si. 22Os mestres da lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebu e que pelo príncipe dos demônios ele ex­pulsava os demônios. 23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que satanás pode expulsar a satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. 25Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. 26Assim, se satanás se levanta con­tra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte, para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só de­pois poderá saquear sua casa. 28Em verdade vos digo, tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29Mas quem blasfe­mar contra o Espírito Santo nunca será perdoado; será culpado de um pecado eterno”. 30Jesus falou isso porque diziam: “Ele está pos­suído por um espírito mau”. 31Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. 33Ele respondeu: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” 34E olhando para os que estavam sen­tados ao seu redor, disse: “Aqui es­tão minha mãe e meus irmãos. 35Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. – Palavra da salvação. – Glória a Vós Senhor.

No Evangelho segundo São Marcos vemos que a atitude principal de Jesus é a obediência à vontade de Deus, seu Pai; é isso que define a sua identidade. Para fazer parte da família de Jesus, é essencial ter a mesma atitude que Ele tem diante da vontade de Deus. “Quem fizer a vontade de Deus esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe”.

Fazer parte da família de Jesus é a vocação de todo cristãos, para isso somos chamados no nosso batismo. Por isso, somos chamados a formar comunidades centradas na pessoa de Jesus e que tem como única missão fazer a vontade de Deus. É a isso que chama o Evangelho quando Jesus apresenta a sua verdadeira família: é quem faz a vontade de Deus e luta para que essa vontade seja realizada. 

E a vontade do Pai é que amemos uns aos outros, quando nos amamos queremos o melhor para nós e para o outro, e trabalhamos para que isso aconteça, somos responsáveis pela felicidade do outro, por fazer uma realidade mais justa e fraterna.
Carla Matos


sexta-feira, 1 de junho de 2018

O sábado foi feito para o homem (03/06/2018)

Evangelho (Marcos 2,23-3,6): O Filho do Homem é também Senhor do sábado
“Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?” Mas eles ficaram calados. Então, olhando-os com indignação e entristecido com a dureza dos seus corações, disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada.

Forte e incisiva, penetrante como espada de dois gumes a Palavra deste Domingo! Que o Senhor me cure também a “mão mirrada” (coração). Sim, que as palavras aqui escritas que saem dela em dores proféticas endireitem as veredas do meu próprio coração e as veredas do coração daqueles que se sentam comigo à mesa da partilha. “Ai de mim se não anunciar o Evangelho.” (I Cor 9,16).

“O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado.” Aquele “sábado” do Evangelho, outros “sábados” também dos nossos dias, às vezes parecem ter parado a vida para nos introduzir numa outra vida estranha à Vida, ao Evangelho, estranha ao caminho que o Senhor fez entre nós, impedindo que o coração descanse em Deus, que descanse simplesmente sem ter que andar por aí arrebentando a alma com as aparências, a forma, o lugar, o dia, a data, a hora.

E depois, chega Jesus, invade os nossos “sábados” e atira-nos a mesma provocação divinamente incómoda que nos desinstala das nossas certezas e escrúpulos “sagrados”, como atirou ao coração daqueles que o interrogavam, almas facilmente escandalizáveis com qualquer alteração ao “sábado”, à “ordem”, ao “lugar e hora”, ao “sempre foi assim”, feitos “porteiros” do milagre e do sagrado, da misericórdia.

Quando um coração recusa deixar-se guiar pelo Espírito Santo, quando recusa o único caminho que nos leva à Salvação, que nos leva ao Pai, esse caminho que é Jesus, convencido que pode tudo, até salvar-se por si mesmo e pelos seus “sábados”, perde-se e faz perder outros. E não só os faz perder, como impede que se aproximem de Jesus e da sua graça como estava ali a acontecer.

Não, não quero acreditar que nos deixemos habitar por corações como os fariseus deste Evangelho! Não, não quero acreditar que as aparências, a forma, a data, o dia, a hora, o lugar fazem e constroem o espírito dos nossos “sábados”. Não, não quero acreditar que os nossos “sábados” tenham o primado sobre a necessidade humana, sobre a condição humana, como este homem que foi curado! Não, não quero acreditar que os nossos “sábados” ultrapassem o Amor e a Misericórdia, que tenham o primado sobre a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Aquilo que o Evangelho me ensina; aquilo que Jesus me diz com a sua vida; aquilo que são os significados do reino de Deus, gritam-me todos os dias ao coração e ao olhar, que em Jesus, ele que descansava sempre que necessitava e a possibilidade surgia, dizem-me que todo e qualquer dia é santo, seja qual for o dia, seja qual for a manhã, seja qual for a tarde, seja qual for a noite, seja qual for o lugar.

Onde o Amor e a Misericórdia se encontram, é sábado santo, é dia do descanso na paz que excede todo o entendimento, é dia do Senhor, o meu, o teu, o nosso, Ele que é PAI NOSSO, Pai de todos; é dia de salvação. “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado.”

O “sábado” foi feito e foi-nos dado, para te deixares encontrar e encontrar Jesus, deixares curar-te por Ele. Só um coração curado pelo Amor pode descansar no Senhor.

I leitura (Dt 5,12-15): “Recorda-te que foste escravo no Egito”.
O sábado restaura as relações do ser humano com Deus, restaura as relações de trabalho com o mundo social e com a natureza.

II leitura (2 Cor 4,6-11): “Temos esse tesouro em vasos de barro”.
Somos vasos de barro (argila), somos frágeis. Mas a força de Deus em nós nos torna capazes de participar da cruz de Cristo para sermos realmente livres da escravidão do pecado. Livres de toda a dor, de todo o sofrimento, do pecado e da morte, somos livres para Deus em Cristo Jesus. “Pois para a liberdade Cristo nos libertou” (Gl 5,1). 

Para refletir:
Olhando para o mundo atual e nossa sociedade, para nossa rotina cotidiana e prática da fé, sentimos que as pessoas não conseguem ver Deus como um companheiro, um aliado. Muitos enxergam Deus como inimigo da felicidade, como um atrapalho na vida, alguém que impõe mandamentos, coloca limites para as atitudes e exige algumas práticas a mais para serem realizadas: “São muitos os que continuam pensando que, sem ele, a vida seria mais livre, espontânea e feliz”.
Luis Filipe Dias